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O capitalismo vermelho - A China de Deng Xiaoping



A previsão é matemática: se a economia chinesa mantiver o inacreditável ritmo de crescimento que exibiu nas duas últimas décadas, no máximo em meados deste século seu PIB ultrapassará o dos Estados Unidos, a atual potência número 1 do planeta. Na origem desse avanço um nome se impõe. Não é por acaso que ele aparece no título de um livro imprescindível para a compreensão da trajetória recente daquele país de 1,3 bilhão de habitantes: A China de Deng Xiaoping, de Michael E. Marti (tradução de Antonio Sepúlveda; Nova Fronteira; 342 páginas; 49,90 reais). Deng, que morreu em 1997, aos 92 anos, e ocupou diversos cargos na cúpula do regime comunista, foi o arquiteto das reformas que lançaram as bases para o surto de pujança chinês. De forma cristalina, a obra de Marti ? que trabalha no Departamento de Estado americano e é doutor em história da China ? reconstitui e analisa a proeza de Deng, baseada num projeto tão ousado quanto inexorável para um país que pretendia crescer: a substituição do velho modelo econômico amparado no marxismo por procedimentos adotados no capitalismo. A mudança marcou o início de seu " socialismo de mercado" ? por mais paradoxal que possa parecer essa expressão. Marti se concentra em analisar sobretudo o chamado Grande Compromisso, que Deng alinhavou junto às facções do Partido Comunista Chinês, no início dos anos 90, para assegurar a continuidade de sua política econômica. A proposta se firmava no apoio do Exército às reformas, com a manutenção da primazia do partido e da unidade do estado. Passava também pela garantia, dada pelos líderes do partido nas províncias, de remessa de rendas para o governo central. Por fim, previa o financiamento contínuo da modernização do Exército. O Grande Compromisso coroou um esforço iniciado por Deng catorze anos antes. Depois de afastado duas vezes do governo, em 1965 e em 1976, ele voltaria ao poder em 1978 disposto a pôr a China na trilha da modernidade. Sua máxima: "Não importa se o gato é branco ou preto, contanto que pegue os ratos". Noutras palavras: diante das reformas, a questão principal não era sua natureza ? socialista ou capitalista ?, mas sim o fato de estarem ou não melhorando a vida da população. "Deng reduziu marxismo e socialismo a um mero sentido de eficácia", observa Marti. Não é difícil imaginar a resistência feroz que ele teve de enfrentar da ala mais à esquerda do regime, representada por seu arquiinimigo Chen Yun. O relato dos confrontos entre ambos constitui um dos pontos fortes do livro. Na economia, os radicais do partido tinham mesmo motivos para se alarmar. Idéias como a criação das Zonas Especiais Econômicas, destinadas a atrair capital estrangeiro, e o fim das fazendas coletivas iam na contramão da ortodoxia comunista. No plano político, entretanto, Deng jamais pensou em importar as práticas ocidentais. Quando, em 1989, os estudantes protestaram na Praça da Paz Celestial por mais liberdade, autorizou a repressão que redundaria em mais de 1 000 mortos. No rastro do episódio, renunciou àquela que seria sua última função oficial, a de chefe da Comissão Militar Central. Em 1991, por temer que o esfacelamento da União Soviética levasse a um endurecimento do regime, Deng abandonou a aposentadoria e saiu a campo para salvar o Grande Compromisso. Quem vê a China hoje, com seu 1,3 trilhão de dólares em reservas cambiais, não tem dúvida de que suas propostas tiveram continuidade. Para o bem e para o mal: o progresso fez da China uma potência, mas não a livrou do jugo de um regime monstruoso.


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