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SEGUNDA GUERRA MUNDIAL




A polônia destruida

PARTE 1

Setembro de 1939

Escoam-se as últimas horas de agosto de 1939. Dos Cárpatos ao Báltico, a noite está fria. As previsões do tempo são excelentes. A bruma formada nas planuras se dissipará ao nascer do sol. O dia será calmo, com sol, propício à aviação.
Endurecido pelo verão o terreno é também propício aos tanques. Muitos rios secaram e os grandes - o Narew, o Bug e o Vístula - são vadeáveis em quase toda a sua extensão. Tudo combina para dar as melhores condições possíveis à experiência de novos métodos de combate da Wehrmacht.
O conjunto das operações é chamado de Plano Branco (Fall Weiss). A ordem de ação somente chega aos QG dos grupos de exércitos às 17 horas. O ponto de partida da guerra, a hora H do destino da Alemanha e do mundo, é a 1o de setembro, as 4:45h da manhã. De imediato toda a rede de transmissões se movimenta, para divulgar até os regimentos de infantaria, dispostos ao longo da fronteira polonesa, a decisão de Adolf Hitler. O prazo é tão curto que certas unidades não são avisadas a tempo e só entrarão em combate ao ouvirem o troar dos canhões.
No entanto, tendo sido lançada a ordem, certos chefes estão prontos a lançar a contra-ordem. É o caso do Coronel-General Gert von Rundstedt, comandante do Grupo de Exércitos Sul, e do chefe de seu estado maior, o Tenente-General Erich von Manstein. Acreditam na repetição do que se passou seis dias antes. A 25 de agosto, às 15:25h - 3 horas depois de Rundstedt ter assumido o comando - chega a seu QG, instalado em uma aldeia às margens do Neisse, a ordem de romper as hostilidades no dia seguinte, às 4:30 da manhã. Às 20:30h, no momento em que comiam, foi-lhes entregue nova mensagem: o Fuhrer e comandante-chefe anulava a ordem de ataque e mandava deter as tropas! Três exércitos já estavam em marcha e foi preciso, literalmente segurá-los pela gola.
Até meia noite, dois generais esperam - todas as disposições tomadas para deter a avalanche -, ainda acreditando numa intimidação, num blefe. À meia noite, Rundstedt se levanta. "Agora já é tarde demais" diz ele.
Essa espera de uma semana concedido à paz agonizante, correspondeu a uma última tentativa de Hitler para impedir o conflito. A 25 de agosto, pela manhã, o telefone tocou, no gabinete de Goering. Ele ouvira a voz de Hitler: "Paro tudo". - "Ah! (suspiro de alívio) Sério?"- "Não, quero ver se há um meio de evitar a intervenção dos ingleses.
A querela de Dantzig e do Corredor ameaçava desencadear o que Hitler ainda não desejava: uma guerra mundial. Ele fazia um último esforço para que a luta apenas ficasse entre ele e a Polônia.
A execução militar da Polônia fora anunciada por Hitler aos comandantes de seus exércitos no dia 23 de maio. "Não contem com uma reedição do caso checo. Desta vez senhores, terão a guerra..." Esta deveria começar antes do fim de agosto, depois das colheitas, para que pudesse acabar antes das chuvas de outono e da estação da lama. "Se o General von Brauchitsch me tivesse dito que tinha em vista uma guerra longa, eu não teria marchado. Mas ele me prometeu conquistar a Polônia em algumas semanas". A França e Inglaterra não interviriam. "Já fiz o julgamento de seus dirigentes, em Munique: Daladier, Chamberlain...que vermes!". A União Soviética, ao contrário, tinha em Stalin, um chefe no qual Hitler reconhecia quase um igual. Mas o Exército Vermelho estava enfraquecido pelos expurgos militares que acabavam de eliminar a maior parte de seus generais. "Aliás, não é impossível que a Rússia seja levada a se desinteressar da destruição do Estado polonês..." Esta última frase, consignada nos autos do processo do Tenente-Coronel Schmundt, ajudante de campo de Hitler, contém o germe da aliança hitlerista-soviética, o lance teatral de 23 de agosto.
O preâmbulo da reaproximação foi o envio, a Moscou de uma missão alemã, encarregada de negociar um tratado comercial. Simultaneamente, a França e a Inglaterra iniciavam, na capital russa, negociações tendo em vista estabelecer uma cooperação militar contra o Terceiro Reich. As duas negociações prosseguiram lado alado, uma discreta e fluida, outra cheia de crises. Franco-britânicos e russos atingiram penosamente, no dia 25 de julho, o princípio de um acordo político; em seguida, chegou a Moscou uma delegação militar, chefiada pelo General Doumenc e pelo Almirante Planket. Essa delegação deparou-se com um obstáculo intransponível; a URSS e a Alemanha não tinham fronteiras comuns e os poloneses recusavam-se obstinadamente a oferecer ao Exército Vermelho um pedaço de sua pátria para campo de batalha. Foram vãs todas as pressões exercidas em Varsóvia.
E, então, um telegrama de Hitler chegou a Moscou: o Fuhrer dos alemães pedia a Stalin que recebesse, sem demora, seu Ministro das Relações Exteriores, Joachim von Ribbentrop.
A notícia da viagem estarreceu as capitais ocidentais, no decorrer da noite de 22 para 23 de agosto. Os poucos telegramas diplomáticos que assinalavam a possibilidade de uma aproximação entre o nazismo e o comunismo foram tachados de inverossímeis. Todos aqueles que, nas redações ou nas chancelarias tiveram nas mãos o teletipo soltaram a mesma exclamação de incredulidade. Despertado por seu Ministro das Relações Exteriores, o presidente do Conselho francês, Edouard Daladier, respondeu, sonolento: "Verifique se não é um boato de jornalistas". A partir do dia seguinte, comunicados triunfais em Berlim e de Moscou anunciaram que um pacto de não-agressão fora assinado entre a URSS e o Reich alemão. A delegação militar franco-britânica não tinha mais nada a fazer do que voltar para casa.
Na Inglaterra, a frustração foi amarga. Na França, uma imensa confusão. Mas, na Alemanha, foi um alívio. Muitos que ainda duvidavam do gênio de Hitler já não tinham mais dúvidas. Certos alemães acreditavam que não mais haveria guerra, de vez que a espada a soviética faltava às democracias ocidentais. Outros achavam que a guerra poderia acontecer, porque se dissipara o pesadelo das duas frentes. A frágil Polônia seria rapidamente posta de lado e a Alemanha se voltaria, com tudo, para o Oeste.
Em Moscou, tudo se passara às mil maravilhas. O mau negociador que era Ribbentrop não tivera que desatar nenhum nó. Stalin aceitara, imediatamente, que o pacto público de não-agressão fosse apenas um véu lançado sobre o pacto real: a quarta partilha da Polônia. Firmou-se acordo sem dificuldades, sobre a fronteira comum: o Narew, o Vístula e o San. Estendera a partilha até os países bálticos, reservando-se a Lituânia para a Alemanha e concedendo-se à Rússia a Letônia, a Estônia, a Finlândia, e, depois a Bessarábia, que a Romênia deveria entregar. Claro que o preço parecia elevado. A barreira de Estados-tampões, erguida em torno do bolchevismo, pelos tratados de 1919, fora derrubada. O germanismo seria extirpado de seus velhos postos de vanguarda, em Courlande e na Livônia. Isso era pesado, mas, ao mesmo tempo, insignificante, por ser provisório. O contrato estava maculado por mútua má-fé. Stalin o assinava pelo proveito imediato que punha em caixa e pelo tempo que ganharia. Hitler o assinava com a intenção de rasgá-lo. Seu objetivo - dizia ele a seus íntimos - não era retomar Dantzig e apagar o Corredor; nem mesmo destruir o Estado polonês: era conquistar as planícies russas, para assegurar o futuro do povo alemão. Os sacrifícios em que se consentia eram momentâneos, portanto, fictícios.
Entretanto, o dia seguinte a esse triunfo diplomático levou a Hitler cólera, surpresa e decepção. A cólera era motivada pela Itália. Em maio, esta havia assinado, com a Alemanha, uma pomposa aliança militar, a que os serviços de propaganda denominaram "Pacto de Aço". Mas o aço se destemperava, desde a primeira prova. Ciano e Mussolini haviam descoberto, que a guerra estava iminente. Suplicaram a Hitler que a adiasse, pretextando pouca preparação de seu país e até invocando a Exposição Universal que deveria realizar-se em Roma, em 1940 -


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