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Da Marginalidade ao Estrelato: O Samba na Construção da Nacionalidade



O livro busca traçar a trajetória que o samba percorreu para deixar de ser um gênero musical perseguido e marginalizado pelas autoridades para se transformar na década de quarenta do século XX em símbolo de brasilidade. Para compreender este percurso a autora demonstra a importância da análise das composições (através de suas letras e melodias) da chamada ?Era de Ouro do Rádio? e do período que engloba a ditadura estadonovista no Brasil (de 1917 a 1945) . O samba é analisado aqui juntamente com a cidade, demonstrando que as modificações sofridas por este gênero musical no que diz respeito a suas letras, ritmo e melodia, estariam intimamente atreladas às reformas urbanísticas da cidade do Rio de Janeiro. Para isso, a pesquisadora capta em seu trabalho as diversas vozes e sons que permeavam a cidade do Rio de Janeiro no correr das décadas de vinte a quarenta., chegando a conclusão que assim como a cidade foi se transformando , com novas tecnologias, avenidas e espaços de lazer e entretenimento, o samba também foi se modificando até chegar à sua máxima sofisticação timbrística com os sambas- exaltação, como o famoso Aquarela do Brasil de Ari Barroso. É interessante observar que estas transformações têm início com o primeiro samba a fazer sucesso no Brasil, o Pelo Telefone. Composto em um espaço coletivo, no bairro da Saúde, na casa da famosa tia Ciata esta composição teria sido ?apropriada? indevidamente por um dos freqüentadores das festas promovidas por esta importante líder da comunidade de afros-descendentes , o conhecido Donga. Tais transformações do espaço e da sociedade são evidenciadas em inúmeros sambas do período. Discute-se também a importância do diálogo entre a intelectualidade francesa, brasileira e de alguns músicos populares brasileiros na reformulação de um projeto estético e cultural para o Brasil com o intuito de projetar um ?novo? Brasil, inspirado no modelo europeu .Nestes projetos, na busca de uma estética nacional, são destacados os papéis de Mário de Andrade e Villa-Lobos. Outro elemento importante da pesquisa é a discussão sobre as modificações no âmbito industrial , tecnológico e social que reformularam as cidades brasileiras no início do século XX, em especial o Rio de Janeiro , e seus habitantes, levando-os a consumir diversos gêneros musicais e a freqüentar novos espaços de lazer . Estas mudanças levaram a população e alguns intelectuais a se interessar também pela música de sabor sertanejo e regional , estimulando com isso a profissionalização de músicos provenientes de camadas menos favorecidas da população.
Para demonstrar estas mudanças no consumo musical, no cotidiano e no lazer dos habitantes do Rio de Janeiro , a autora analisa o sucesso do maxixe e de outros ritmos e melodias que percorriam a capital federal principalmente durante as festividades carnavalescas que no início do século era animada ainda por entrudos, cordões e ranchos. No que diz respeito ao samba é ressaltada a importância das irmandades, das agremiações festivas e religiosas, dos migrantes baianos e de seus cultos africanos sediados na Capital Federal e sua relação com o carnaval. Juntamente com a análise de composições dos compositores inseridos na primeira geração de sambistas tais como Donga, João da Baiana, Pixinguinha, os Oito Batutas, China, Caninha, Heitor dos Prazeres e Sinhô , são narrados os espaços de lazer da cidade do Rio de Janeiro e sua importância para a divulgação e sucesso deste gênero musical. Nas músicas e nas crônicas de João do Rio e Vagalume são retratados o teatro de revista, as festas da Penha, as agremiações carnavalescas e as casas de partitura. A remodelação urbana é tratada aqui como forma de compreender a redistribuição dos novos espaços musicais e de lazer que a reconfiguração da cidade vai proporcionar. Para a compreensão da importância do samba dentro deste contexto é analisado o samba A Favela Vai Abaixo, de Sinhô. Na década de trinta surge a segunda geração de sambistas, compostas essencialmente por dois grupos: o pessoal da Vila Isabel- com Noel Rosa, Almirante, João de Barro, Braguinha- e o do Estácio de Sá ? Ismael Silva, Bidê, Nilton Bastos. Com estes compositores surge um embate entre estes e os sambistas da primeira geração sobre o que seria o ?verdadeiro samba carioca?. Neste contexto de modificações rítmicas, timbrísticas e narrativas do samba a cidade também se modifica: surgem novos espaços geográficos e musicais, novos compositores e intérpretes, novos meios de divulgação e ouvintes. Com a mutabilidade da cidade o samba também se transforma para sobreviver aos ?novos tempos?. Com o rádio e sua crescente importância na veiculação da música popular , juntamente com a popularização da cultura da malandragem o ?personagem malandro? é consolidado com temas de composições que fazem sucesso na década de trinta, tais como Lenço no Pescoço de Wilson Batista e Rapaz Folgado de Noel Rosa. Com o advento do Estado Novo é construído um projeto cultural, político e social para consolidar uma estética nacional cujo objetivo era atingir diversas áreas, tais como: educação, cinema, rádio e outros meios de comunicação. Neste período os sambas com temas que ressaltam o trabalho, o Estado Novo e o ?malandro regenerado? são amplamente divulgados e fazem muito sucesso junto à população da Capital Federal. Este processo culmina com a composição de sambas apologético-nacionalistas de teor melódico, narrativo e timbrístico grandioso, que se coadunam perfeitamente com o projeto estético do Estado Novo.


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