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I Will Bear Witness: A diary of the nazi years, 1933-45




Académico alemão de origem judia, nascido em 1881 e falecido em 1960. O essencial: Klemperer, ao contrário de grande parte da comunidade judaica alemã, sobreviveu ao nazismo sem fugir do país e sem ser deportado para um campo de concentração. Improvável, mas não impossível. Por ser casado com uma ariana cristã, Klemperer, protestante por credo e judeu por descendência, manteve-se na eminência da deportação, acabando sempre por evitá-la.

De Victor Klemperer não teria ficado memória se, aos cinquenta e dois anos, não se visse no centro do fenómeno nazi. Foi em 1933, com a chegada de Hitler ao poder, que Victor Klemperer iniciou os seus diários, obra que asseguraria a permanência do seu nome na História. Asseguraria? Talvez não. Quem ainda lembra os diários?

O que encontramos em I Will Bear Witness: A diary of the Nazi years, 1933-45
(dividido em duas edições ? 1933-41 e 1942-45 ? e ainda sem edição portuguesa), não são simples apontamentos quotidianos sobre as iniquidades do regime: são ensaios rigorosos sobre a natureza do nazismo, sobre as suas raízes culturais e sobre os organismos de propaganda, primordialmente inspirados nas técnicas propagandísticas de Napoleão.

Tendo permanecido em Dresden, destituído do título de professor, desempregado e impossibilitado de frequentar bibliotecas públicas, Klemperer dedicou-se por inteiro aos seus diários e, estando no centro do horror nazi, pôde relatar as violências e as humilhações sofridas pela comunidade judaica que permanecia na Alemanha. Os diários, fruto de uma convivência quotidiana com o fenómeno nazi, constituem um momento raro de lucidez, numa época em que quase todos os relatos sobreviventes sofriam de excesso de dramatismo ou efabulação.

Klemperer denunciou o clima de ódio e desconfiança vivido entre a comunidade judaica, movida pelo medo da delação, em contraste com a ilusória solidariedade romântica que, durante muito tempo, se julgou existir. Sofreu nas mãos dos nazis, mas não cedeu: manteve sempre o tom indignado e inconformado com o conformismo dos seus compatriotas, e disse dos diários, da escrita, que era a sua forma de resistência, de se manter humano, de não deixar a barbárie cair no esquecimento. Viu no nazismo, na sua motivação, o pecado tardio e adiado da pátria alemã: o pangermanismo, consequência do ultra-romantismo alemão; e identificou o anti-semitismo como um motor bem oleado, servindo de bode expiatório aos sonhos imperiais de Hitler. Mais: denunciou a conivência e colaboração, passiva ou activa, dos alemães com a barbárie. E considerou o Nacional-socialismo a prática rigorosa das ideias de Rousseau, pondo em causa o nazismo como fenómeno de extrema-direita.

Os diários só foram encontrados trinta anos após a morte do autor, em 1960. À época o nazismo já tinha sido estudado e mais que estudado: dissecado. Klemperer não foi uma lufada de ar fresco, porque merecia um escrutínio mais profundo. E não foi um sucesso editorial, porque não caiu na facilidade do sentimentalismo, no cliché da tragédia ou na demonização de Hitler. Klemperer sabia que o nazismo tinha sido obra de homens, não de monstros. Convém lembrar o seu testemunho. Para não testemunharmos de algo pior: o esquecimento.


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