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Canto



?As origens, a forma, a prática e o poder curativo do canto gregoriano

Tradução de Carlos Araújo
Editora Agir

Capítulo 1
Bem-vindo ao canto

O disco dos monges cantores, conhecido nos USA como Canto, foi editado pela 1ª vez na Espanha, sob a forma de álbum duplo, no outono de 1993.
O disco, gravado em várias ocasiões durante os últimos 20 anos no Mosteiro de São Domingo de Silos, tem 19 cantos, todos extraídos dos hinos da missa católica romana ou da doxologia cantada pelos monges. Os cantos, em latim, se sucedem a intervalos reduzidos, somente com o espaço da respiração, de modo a manter a atenção do ouvinte durante toda a execução.
Os cantos são interpretados sempre em perfeito uníssono, cada nota é clara e límpida, e qualquer harmonia que poderia nos distrair se faz conspícua pela sua ausência. No canto não há momentos de clímax que se façam esperar com ansiedade e aos quais retornaríamos emocionalmente exauridos. Em vez disso, a linha musical é sustentada, alimentando nossa vida emocional interior, sem excitar nossos sentidos superficiais.
Na Idade Média, o povo tinha muita consciência do poder transformador da música. Sabia-se que, musicando as palavras das Escrituras, elas ficariam gravadas mais profundamente na memória dos devotos, e que o efeito das palavras seria conservado por maior período de tempo, e com maior intensidade. Sabia-se também que o som é envolvente, e que poderia provocar transformações na sociedade e no indivíduo.
Na arte, na arquitetura e na adoração medieval não havia nada puramente arbitrário. O artista, o compositor ou o devoto seguiam padrões e rituais que eram determinados pela arte sagrada do número. Estudando-se o plano do pavimento de uma catedral gótica, vê-se que a sua aparente complexidade e a sua originalidade resultam da repetição de um padrão simbólico único.
Na numerologia medieval, o número 7 representava o acontecimento completo, a união das forças divinas e terrenas. A oitava, com seus 7 intervalos (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó), era uma ilustração perfeita da forma como todos os acontecimentos eram estruturados. Se cantarmos ou tocarmos esta escala, podemos ter uma idéia de como era vista esta progressão. Dó é o começo, a idéia inicial forte que determina toda a ascensão. Ré é a nota que marca o 1º passo titubeante em direção a realização da idéia. Aqui é fácil desistir, a nota pode perder a sua firmeza e voltar a dó. A qualidade do mi é agradável. O 1º passo foi dado e sabemos que a subida é possível, talvez até aprazível.
Neste ponto da oitava atinge-se um degrau diferente dos dois anteriores, de dó a ré, e de ré a mi. Embora o passo seja perceptivelmente menor, é necessário um esforço real para continuar. Se pensarmos no modo como a palavra Amém se apresenta musicalmente (fá e de volta a mi), pode-se observar a circunstância de que o fá, de certo modo incisivo em qualidade, pode ainda retornar ao ponto de partida, isto é, para baixo mi, e eventualmente mais baixo, para dó...ou pode subir mais.
A qualidade do sol é completamente diferente. Trata-se de uma nota brilhante e triunfante. O que fora antes incerto, agora se resolveu. Há muita energia e entusiasmo impelindo-nos a prosseguir. O sol, referido como a nota dominante da oitava, é extremamente forte.
A oitava contiua com o lá, uma nota que perde um pouco de brilho que era evidente no sol. Aqui, o direcionamento para o alto é indiscutível, mas existe também uma forma de resignação. ?Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus?.
No si, não existe a possibilidade de retorno. O dó, no topo, está chamando, e o si, reconhecendo a sua total inabilidade de resolver a oitava com suas próprias forças, aceita a compaixão e a graça oferecida do alto e faz a união completa com o dó, que ressoa com o dobro do número de vibrações por segundo que tem o dó de abertura. A oitava então está completa. O que quer que tenha sido planejado na sua origem atingiu a perfeição.
Na IdadeMédia, a oitava era vista pelo povo, não somente como um meio de governar o desenvolvimento da música, mas como um instrumento de determinar a seqüência correta de todos os acontecimentos significativos. Tudo era feito de acordo com as leis, que eram tidas como inerentes à própria natureza do mundo.
O fato singelo mais importante é que o canto gregoriano é uma música litúrgica, concebida para expressar as palavras das sagradas escrituras cristãs.



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