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O homem que inventou Fidel



? Para H. Matthews, inimigo ideológico de sempre e nosso amigo desde os dias luminosos da Sierra Maestra, uma testemunha cordial do entendimento entre homens que falam linguas diferentes.?
che Che ( dedicatória in ?Pasajes de la guerra revolucionária )

Sábado, 1/Dezembro/1955, o Granma está ao largo da costa sudeste de Cuba, transportando 82 homens que vão ?escrever? a história da ilha nas próximas décadas (?Os meus anos com o Che...?, Hilda Gadea). Domingo, 2/Dezembro, a correspondente do New York Times em Havana é surpreendida pela informação de que Fidel Castro teria sido morto ao tentar invadir a ilha. Na semana seguinte, um jornalista do NYT publicava um editorial relativo ao acontecimento, ridicularizando a invasão de Castro e a forma antecipada como a anunciara, terminando: ?Poderia haver maior loucura?? Mas quem era este jornalista e o que sabia de Cuba? Era Herbert Matthews, membro do conselho editorial e um dos mais conceituados correspondentes no estrangeiro. Nas décadas de 30 e 40 do século XX, esteve no centro de todos os grandes conflitos no mundo ocidental. A sua experiência no relato e vivência de 3 guerras cataclísmicas, tornaram-no num realista endurecido. Quando nos anos 30 cobria a invasão italiana da Etiópia, não escondeu a sua simpatia por Mussolini ao declarar que ?partindo da premissa que vários patifes brigam entre si, é normal que desejemos a vitória do patife de quem gostamos... e eu gostava dos italianos.? Mais tarde, quando cobria a guerra civil espanhola, nas trincheiras republicanas, descobriria quão difícil era convencer os leitores, de verdades em que não queriam acreditar. Sobre ele, escreveu Hemingway: ?Quando todos os fingidores estiverem mortos, lerão Matthews nas escolas para descobrirem o que realmente aconteceu.? De Cuba, sabia que existiam praias maravilhosas com água cristalina, clima ameno, grandes e modernos hotéis, bons casinos, belas e sedutoras mulheres. Um bacanal tropical para os norte-americanos, que mandavam na economia do país e no seu corrupto presidente: o ex-sargento Fulgêncio Batista. Porém o seu faro jornalístico deixou-o desconfiado: Se tudo parece correr bem, se os projectos de desenvolvimento económico estão em bom ritmo, incluindo o túnel que liga os dois lados de Havana praticamente concluído, a enorme quantidade de guindastes dos portos marítimos não param de trabalhar, porquê a imposição da censura aos jornalistas...? No inicio de Fevereiro/1957.Cuba encontrava-se num crescente caos social, facto que não preocupava muito o governo dos E.U.A., pois confiavam na mão e no regime férreo de Fulgêncio Batista. Cuba e toda a América latina era considerada zona relativamente segura desde que a C.I.A. se encarregara de ?resolver o problema que tinha sido Arbenz, na Guatemala (?Os meus anos com o Che...?, Hilda Gadea). No aeroporto de Havana, nenhum funcionário da imigração prestou especial atenção àquele turista cinquentão que, acompanhado da esposa iria hospedar-se no elegante Sevilha Biltmore para passar umas curtas férias. Durante uma semana trabalhou afincadamente, recolhendo o máximo de elementos que lhe permitissem o enquadramento no quotidiano do país. Alguns dias depois, na Sierra Maestra, os rebeldes já estavam reagrupados e começavam a organizar-se. Além de estar vivo, Fidel sabia ? tal como Martí em 1895 - que a propaganda da sua causa era fundamental e pede a Javier Pazos que lhe envie à ?sierra? um repórter americano. Este, com a colaboração de Liliam Mesa e Faustino Pérez, levam Matthews e sua esposa ao encontro de Fidel. Em 17/Fev/56, acreditando estar em plena Sierra Maestra, Matthews encontra-se apenas a 40Km da cidade de Manzanillo e sem o saber, estava a ser sujeito ao talento dramático de Castro e a toda uma encenação montada especialmente para a ocasião. Sentados no chão duma clareira húmida, fumando um charuto, os dois homens falaram da revolução em curso, dos antecedentes que levaram o grupo para a guerrilha e dos projectos futuros. Quanto aos objectivos revolucionários de Castro, Matthews julgou detectar fortes indícios democráticos. Defendia a liberdade, a democracia e a justiça social. Pretendia restaurar a constituição de 1940 e convocar eleições para que o povo cubano pudesse escolher livremente os seus próprios líderes. Descreveu a visão dos rebeldes como sendo ? radical, democrática e, portanto, anticomunista". No final do ano de 1957, Matthews assinala o 1º aniversário do desembarque do Granma num editorial onde consolida a mitologia em torno da inexperiente revolução. Segundo ele, a queda de Batista era inevitável e o objectivo de Castro, o próximo governante de Cuba, era restaurar a democracia, não lhe restando dúvidas de que Fidel já fizera História. Em 1964, após enormes pressões, Matthews admite que Castro aderira ao comunismo, não como uma convicção de base, mas para estabelecer o seu domínio sobre Cuba. No entanto acrescentou que o grande erro dos E.U.A. era o facto de não se aperceber da dimensão das mudanças efectuadas por Castro. Se Washington continuasse a seguir o mesmo caminho, o desastre seria inevitável. Matthews sempre se esforçou em convencer os críticos americanos de que não tentava enganar ninguém deliberadamente e que nunca teria sido nem participante nem apoiante da revolução cubana. Apenas um jornalista tentando transmitir a verdade o melhor que conseguia. Achava que estava a fazer o que competia a um repórter: perturbar a paz e ajudar os leitores a compreenderem o mundo à sua volta. Ele limitou-se a ajudar na invenção de Fidel como uma ideia, porque como homem ele estava e estaria sempre lá.


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