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Cangaceiros



Sob as roupas de Lampião, quando ele morreu, foi encontrada grande quantidade de fotografias. Algumas representavam pessoas mais próximas; outras representavam integrantes de seu grupo, mortos em combates anteriores;e, fato surpreendente, uma delas era a de João Bezerra, seu assassino, como se Lampião tivesse carregado consigo toda a sua vida, desde sua juventude antes da entrada no cangaço até sua morte prevista; como se tivesse feito de seu corpo o suporte e o território de suas memórias. Lampião, durante todo o período em que comandou o cangaço e reinou no sertão, fez questão de ilustrar por meio de fotografias os momentos fortes de sua vida.
É a partir de 1926, quando se incorporou ao Batalhão Patriótico em luta contra a coluna Prestes, que Lampião torna-se familiar ao grande público, graças as suas imagens publicadas na imprensa. O governo Federal aproveitando-se da notoriedade de Lampião, de seu conhecimento do terreno sertanejo e da organização quase militar de seu grupo, convidou-o e o incorporou a um desses batalhões; à incorporação devia seguir uma anistia e a obtenção oficial do grau de capitão; mas nada disso aconteceu. As promessas oficiais nunca foram cumpridas; pois aos olhos das autoridades dos diferentes estados nordestinos, ele continuava sendo um fora-da-lei.
É com esta traição que a imagem final do cangaceiro se constrói: a de um homem que percebe que jamais chegará à sociedade do sertão, e que dali em diante, vai desafiá-la. Lampião decide cuidar de sua aparência e organiza uma verdadeira cenografia em torno de sua personagem, distancia-se dos códigos tradicionais de sua época. Os bandidos preocupam-se com os detalhes de seu traje: bolsas bandoleiras bordadas em cores vistosas, punhais imensos incrustados de pedras preciosas... - fruto de suas pilhagens. As fotografias são reveladoras dessa mudança de status e de imagem. Uma vida sem entraves, cortada do restante do mundo, mas, de alguma maneira, uma paródia, reproduzindo a sociabilidade na extravagância, em meio a uma natureza que remete ao que eles são: homens fora-da-lei. O cangaço já não está ligado somente ao cumprimento de uma vingança; tornou-se um modo de vida. Se em 1926 Lampião ainda tinha alguma hesitação em mencionar sua profissão de bandido de honra, passa agora a louvar uma nova forma de vida, cujos códigos e regras ele mesmo definiu. Lampião teve a sabedoria de jogar com todos os efeitos visuais para valorizar a vida que levava, e transmitir a imagem de um bandido rico e poderoso, amamte dessa vida, e acima de tudo, da liberdade.


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