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O Debate: Oriente e Orientalismo



?A História <...> não é uma máquina calculadora. Ela se desenvolve no espírito e na imaginação e se encarna nas múltiplas respostas da cultura de um povo, que é em si mesma a mediação infinitivamente sutil de realidade materiais, de fatos econômicos subjacentes, de ásperas objetividades?. Inicialmente pretendo esclarecer que o tema em debate é de uma grande amplitude histórica. Na realidade existe uma relação de poder, de dominação e de uma complexa hegemonia entre o Ocidente e o Oriente. É importante esclarecer a questão cultural e política do ambiente Oriental no que diz respeito a sua contribuição para o progresso Ocidental. É preciso desviar o preconceito existente entre a questão do Oriente e do Orientalismo. Podemos destacar aqui um aspecto importante: Assim como o próprio Ocidente, o Oriente é uma idéia que tem uma história e uma tradição de pensamento que lhe trouxeram realidade e presença no e para o Ocidente. As duas entidades de certa forma se apóiam e, em certa medida, reflete uma à outra. A partir do pressuposto pretendo colocar três aspectos fundamentais. Primeiro, que seria um erro concluir que o Oriente seja essencialmente uma idéia, ou uma invenção sem uma realidade correspondente. O segundo aspecto é que as idéias, culturas e histórias não podem ser estudadas sem que a sua força e sua configuração de poder sejam também analisadas. Achar que o Oriente foi criado, ?orientalizado? ? é simplesmente acreditar que estas coisas aconteceram como uma necessidade da imaginação. O último é que o orientalismo não é uma fantasia aleatória da Europa sobre o Oriente, mas um corpo criado de teoria e prática em que envolve, através de muitas gerações, um considerável investimento material. Esse processo histórico de investimento continuado fez do orientalismo uma base de conhecimento sobre o Oriente. É importante que se faça duas perguntas fundamentais: Existe uma relação de superioridade do Ocidente para com o Oriente? É interessante atentar para o que Edward Said afirma: o interesse europeu, e depois americano, pelo Oriente era político. E depois ele destaca duas questões. A primeira é que o Orientalismo não é um mero tema político de estudos ou campo refletido passivamente pela cultura, pela erudição e pelas instituições; nem é uma ampla e difusa coleção de textos sobre o Oriente. É antes de tudo uma distribuição de consciência geopolítica em textos estéticos, eruditos, econômicos, sociológicos, históricos e filológicos. Segundo, é uma elaboração não só de uma distinção geográfica básica (o mundo é feito de duas metades, o Ocidente e o Oriente), como também de toda uma série de ?interesses? que, através de meios como a descoberta erudita, a reconstrução filológica, a análise psicológica e a descrição paisagística e sociológica, o orientalismo não apenas cria como mantém; expressa certa vontade ou intenção de entender, controlar, manipular e até incorporar, aquilo que é um mundo manifestamente diferente. Por ser o orientalismo político e cultural, então, ele não existe em algum tipo de vácuo de artigo. O que podemos destacar de mais evidente na história do Oriente Próximo e Extremo Oriente em relação ao Ocidente? Houve quase que uma revolução copernicana, que ocorreu nos vínculos entre a cultura e o império Ocidentais durante os primeiros anos do século XX. A redescoberta da Grécia durante o período humanista da renascença européia, e a ?Renascença Oriental? ? Assim chamada por seu grande historiador moderno Raymound Shwab. Podem-se destacar quatro momentos na história: 1. Do final do século XVIII a meados do XIX, quando as riquezas culturais da Índia, China, Japão e Islã foram firmemente depositadas no âmago da cultura européia. 2. Definido por Shwab como a grandiosa apropriação européia do Oriente ? as descobertas do sânscrito por filólogos alemães e franceses, dos grandes épicos nacionais indianos por poetas e artistas ingleses e alemães e franceses, da imagética persa e da filosofia sofista por muitos pensadores europeus e americanos, de Goethe a Emerson. 3. Isso não significa desprezar o empreendimento de muitos estudiosos, historiadores, artistas, filósofos, músicos e missionários Ocidentais, cujo esforço conjunto e individual de tornar conhecido o mundo fora da Europa constituiu uma realização admirável. 4. Igualmente, o papel francês na decifração do Zend-Avesta, a proeminência de Paris como um centro de estudos de sânscrito durante a primeira década do século XIX, o fato de que o interesse de Napoleão no Oriente dependia do seu sentido do papel britânico na Índia: todos esses interesses do extremo Oriente influenciaram diretamente o interesse francês pelo Oriente próximo, pelo Islã e pelos Árabes. A reação do Oriente em relação ao Ocidente se dá exatamente pelo seu grande desenvolvimento político e econômico. O Ocidente atinge o seu apogeu histórico depois de duas grandes guerras mundiais e se estabelece como domínio hegemônico sobre o Oriente Próximo em suas intervenções. O Oriente, no entanto se arma, politicamente e tecnologicamente reagindo dentro e fora do espaço geográfico. Ele se potencializa dentro de suas fronteiras construída ao longo da história. Podemos citar como exemplo a definição do espaço político-geográfico e com a queda das ideologias dominantes tais como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e a Alemanha Ocidental. O ataque de 11 de Setembro aos Estados Unidos demonstra para o mundo a transformação política e social do Oriente em relação ao Ocidente. Fica visível na história que não existe dominante nem dominado, afinal o mundo está dividido em duas partes Ocidente e Oriente.


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