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SERÁ QUE BIN LADEN TINHA RAZÃO?



Durante a Guerra Fria, duas coisas ficaram conhecidas no Oriente Médio sobre as duas superpotências rivais. Se fosse feita alguma coisa para aborrecer os russos, o castigo seria rápido e terrível, entretanto, contra os americanos, não só não haveria nenhuma punição, como poderia haver até alguma possibilidade de recompensa, quando a procissão ansiosa habitual de diplomatas e políticos, jornalistas e acadêmicos chegassem com suas usuais súplicas: O que nós fizemos para ofendê-los? O que podemos fazer para remediar isso? Os soviéticos já governaram meia dúzia de países mulçumanos na Ásia sem despertar crítica ou oposição, mas, o povo afegão, que havia enfrentado com sucesso o Império Britânico, encontrou uma maneira de resistir aos invasores soviéticos. Uma organização conhecida como Taleban (literalmente: os estudantes) começou a organizar a resistência e até uma guerra de guerrilha contra os ocupantes soviéticos e seus títeres. Conseguiram atrair algum apoio do mundo mulçumano, concessões de dinheiro e quantidades crescentes de voluntários para combater a guerra santa contra o conquistador infiel. Entre esses estava, em especial, um grupo dirigido por um saudita de origem iemenita chamado Osama bin Laden que para realizar seu propósito eles não desdenharam recorrer aos EUA em busca de ajuda, que obtiveram. - Na percepção mulçumana tem havido, desde os tempos do Profeta, uma luta constante entre as duas religiões mundiais, o cristianismo e o islamismo, pelo privilégio e a oportunidade de trazer a salvação para o restante da humanidade, removendo qualquer obstáculo que se interpusesse em seu caminho. O principal inimigo foi visto, com alguma plausibilidade, como sendo o Ocidente, e alguns mulçumanos estavam dispostos a aceitar toda ajuda que pudessem conseguir contra esse inimigo. Isso explica o amplo apoio nos países árabes e em alguns outros ao Terceiro Reich e, depois de seu colapso, à União Soviética. Os dois eram os principais inimigos do Ocidente e, portanto, seus aliados naturais. - Agora a situação havia mudado. O inimigo mais imediato e perigoso era a União Soviética, então, era natural buscar e aceitar a ajuda americana. Como Osama bin Laden explicou, nessa fase final da luta milenar, o mundo dos infiéis estava dividido entre duas superpotências. A primeira tarefa era lidar com a mais mortífera e perigosa das duas, a União Soviética. Depois disso, segundo ele, lidar com os americanos mimados e degenerados seria fácil Se o mundo ocidental, vê a derrota e o colapso da União Soviética como uma vitória ocidental, mais especificamente americana, para Osama, foi uma vitória mulçumana, numa jihad e, dadas as circunstâncias, não falta plausibilidade a essa percepção. Dos escritos e discurso de Laden fica claro que eles esperavam que essa segunda tarefa, lidar com os Estados Unidos, seria comparativamente simples e fácil. E aí toda uma série de ataques: as tropas americanas de Mogadiscio em 1993, ao escritório militar americano em Riad em 1995, às embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998, ao USS. Cole no Iêmen em 2000 cuja resposta americana foram somente palavras iradas, acompanhadas, às vezes, pelo lançamento de mísseis caros a locais remotos e desertos. Então, se o Estágio Um da jihad era expulsar infiéis das terras do Islã, o Estágio Dois foi levar a guerra ao campo inimigo e os ataques de 11 de setembro de 2001, claramente pretendiam ser a salva de abertura desse estágio. A resposta a 11/9, em total desacordo com práticas americanas anteriores, veio como um choque. É digno de nota que não houve nenhum ataque bem-sucedido em solo americano desde então. As ações americanos no Afeganistão e no Iraque indicaram que houve uma mudança importante nos Estados Unidos e que seria necessária alguma revisão daquela avaliação, assim como das políticas nela embasadas. Desdobramentos mais recentes, em especial a discussão pública no interior dos EUA, estão persuadindo uma quantidade crescente de radicais islâmicos de que sua primeira avaliação estava correta afinal e convencendo-os que tudo que eles precisam fazer é pressionar um pouco mais para alcançar a vitória final. Ainda não está claro se eles estão certos ou errados nessa visão. Se estiverem certos, as conseqüências ? tanto para o Islã, como para os Estados Unidos, serão profundas, amplas e duradouras.


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