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VIDA PRIVADA E VERGONHA PÚBLICA



A relação entre moral e política é útil para nela inserirmos os últimos acontecimentos, que apontam tênue limite entre a privacidade e o desempenho dos nossos representantes. O caso mais revelador é o que atinge o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, o terceiro cargo na linha sucessória da Presidência da República, sobre quem recaem suspeitas de relações espúrias com empreiteiras. O fato denota a banalização de escândalos envolvendo altas personalidades. Chamou atenção no discurso de Renan abordando o - calvário - termo que usou para o affaire amoroso com a jornalista com quem teve - uma paternidade não programada. Entre nós, a agenda extra-oficial de mandatários sempre pautou a História, desde Pedro I, que se apaixonou por Domitila de Castro Canto e Mello, a quem deu o título de marquesa dos Santos, mas somente a crescente interferência da marquesa nos negócios do governo é que acabou corroendo a simpatia popular pelo imperador. Alguns presidentes brasileiros foram grandes namoradores, mas a vida amorosa não lhes diminuiu a fama, como registram a história de Getúlio e de Juscelino. Voltando ao caso Renan e se restrito fosse à intimidade, o caso cairia logo no esquecimento, entretanto assumiu conotação perigosa ante a insinuação de que uma construtora teria arcado com a pensão alimentícia da filha que teve fora do casamento. Tudo indica que não será crucificado, mas o episódio abre o sinal vermelho na estrada da relação entre empreiteiras e obras públicas. Renan, em sua defesa, cometeu equívocos ao usar a cadeira da presidência do Senado para se defender, pois a tribuna seria o lugar adequado para isso, pois falaria de igual para igual, dispensando a liturgia presidencial e ao resgatar o tribuno romano Cícero, que defendeu o Senado dos impropérios a ele dirigidos pela turba, cometeu outro equívoco, pois havia sim entre os senadores romanos adúlteros, assassinos, sedutores, libertinos e ladrões. A constituição diz serem invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, mas o homem público precisa compartilhas as vidas públicas e privada com os eleitores e no Brasil há uma razão a mais: o voto em nosso país é atribuído à pessoa. Também é imoral uma empresa bancar despesas de um político fora dos pleitos eleitorais. A atual tormenta não melhorará os padrões políticos, pois a permissividade, a contemporização, o corporativismo, a protelação de reformas e a sensação de mesmice continuarão a permear as crises brasileiras. E não se espere suicídio (como acontece no Japão) em função da vergonha pública. Se assim fosse, o cemitério estaria entupido de homens públicos.


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