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O Príncipe



  Nicolau Maquiavel na obra ?O príncipe? discorreu sobre a temática do poder, que não era inédita para a época nos séculos XV e XVI. Aristóteles já tinha se debruçado sobre o poder na ?Política?. Todavia, Maquiavel elucida sobre os fundamentos do poder propriamente dito, isto é, ele está preocupado com a manutenção do poder e da ordem social. A obra traça um objetivo muito bem definido ao longo dos capítulos. Primeiramente ele rejeita o dogmatismo próprio da Idade Média e visa encontrar a verdade a partir das coisas, isto é, ele propõe a investigação de como o governante mantém e obtém o poder. Há duas intenções nesse objetivo. A primeira é epistemológica na referência ao governantes ao longo da história e sua conseqüente leitura. A segunda é uma clara intenção política, uma vez que ele almejava a unificação da Itália. Para esse intento, lança-se mão do estudo comparativo, no qual o autor compara algumas formas de poder na história de alguns governantes. Por exemplo, no capítulo IV é analisada a conquista de Alexandre O Grande na Ásia e de como após sua morte as terras conquistadas não se insurgiram. Através do modelo de estudo comparativo, o pensador define os fundamentos da manutenção do poder. Os elementos do poder são os seguintes: boas leis, boas armas e amor do povo. O primeiro estabelece o não despotismo em relação ao povo, pois boas leis são necessárias para manter a ordem. O despotismo é perigoso em virtude da possibilidade da insurreição dos povos, uma vez ocorra exploração demasiada. O terceiro elemento diz respeito ao poder material, que se pode dividir em dois grupos: poder econômico e força. A economia também pode ser um elemento de manutenção do poder, uma vez que garante acordos vantajosos, disponibilidade de emprego e serviços sociais. A força pode ser entendida como o exército, que possui três classificações: exércitos próprios, aliados e mercenários. Maquiavel alerta que dos três tipos de exército o dos mercenários é inútil, pois não possui vínculo com o principado e pode se tornar um elemento de desordem social. Além disso, o autor estabelece que força é fundamental, mas ela sozinha pode levar ao ódio. A força deve atuar conjuntamente com boas leis. Por último, o terceiro elemento do fundamento do poder é o amor do povo. Para Maquiavel, a adoração do povo ao governante é o melhor fundamento do poder. Outra questão importante na obra é a formação do governante. Nesse sentido, a virtude do príncipe é uma característica pessoal indispensável para a obtenção e a manutenção do poder. O governante deve ter vontade forte, firmeza e inteligência. O pensador evoca a figura do centauro para ilustrar essa virtude. A cabeça de homem e o corpo de cavalo. A inteligência e a força. Ademais, a inteligência deve ser utilizada para conquistar o amor do povo. A força deve ser utilizada para instaurar o temor. Esses dois elementos amor/temor devem estar em equilíbrio com a aplicação das leis. Outra característica do governante que é essencial é a inovação. Sendo assim, Maquiavel rejeita a transferência do poder pela hereditariedade e inaugura uma nova acepção de governante, no qual deve possuir posturas que demonstrem que ele seja apto a governar. Além disso, o governante deve estar próximo ao povo e a não liberalidade dos gastos, afim de que não se aumentem os impostos e mantenha-se a harmonia social. Outro ponto importante na obra é a definição de fortuna. Ou pode ser enunciado como ?acaso? também em algumas traduções. É o elemento de instabilidade ou crise que deve ser utilizada como uma oportunidade. Sendo assim, nesse momento deve haver planejamento, organização, administração e racionalização da fortuna. Outro aspecto importante da obra é a referência à natureza humana. Maquiavel coloca que os homens são volúveis e ambiciosos, por isso estão sempre a procura de suas necessidades. O governante deve aproveitar dessas necessidades e deixá-las sempre sobre sua dependência, pois caso os homens tenham a possibilidade de satisfazer suas necessidades independentemente do governante, o príncipe ficará sem meios de defesa, estará perdido. Por último, a obra como um todo faz referência a uma ética relacional. Nesse sentido, define a ética como sendo produzida através das relações sociais. No caso de Maquiavel entre o governante e o povo. A ética vai sendo produzida conforme são estabelecidas essas relações. Diferentemente do que pode se pensar no senso comum, essa não é uma ética ?perversa?, mas ela é simplesmente produzida na relação com o governante e os governados. 

 




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