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Manifesto do Partido Comunista



A batalha pelo socialismo desemboca fatalmente no aburguesamento dos socialistas. Essa é a avaliação de Adam Przeworski, em ?A social-democracia como um fenômeno histórico? (Capitalismo e social-democracia. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. p. 19-65), quando faz uma atualização dos quase dois séculos de história do movimento social-democrata, incluindo desde os impulsos utópicos e revolucionários, os aprendizados entre erros e acertos e as experiências de governos regionais e locais até a necessidade e dilema das alianças para conquistar e se manter o poder e a governabilidade. Em que pese ter sido escrito antes da queda espetacular do Muro de Berlim, esse trabalho de Przeworski é aqui tomado para a realização desta breve análise do Manifesto comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, escrito em 1848 e ainda hoje considerado um dos mais influentes (senão o mais) registros programáticos do ideário comunista. Reunidos em Londres, em 1848, comunistas de diversas nacionalidades reconheceram a influência crescente de seu movimento na Europa e estabeleceram as bases científicas, propositivas e conceituais para guiar suas ações e estratégias em direção à abolição da propriedade privada e do Estado burguês. Para uma melhor compreensão do conteúdo e do tom do discurso militante proposto pelo Manifesto comunista (Porto Alegre: L&PM, 2002. 132 p.) e também do essencial sobre a ?ditadura do proletariado?, é imperativo que tenhamos claro o sentido em que os termos ? burguesia? e ?proletariado? foram utilizados naquele contexto. Friedrich Engels acrescenta uma nota à edição inglesa de 1888 do Manifesto ? portanto, quarenta anos mais tarde ? em que didaticamente oferece as definições desses termos basilares. A burguesia é a classe dos capitalistas (de seu tempo), proprietários dos meios de produção que se utilizam do trabalho assalariado. Já o proletariado é a classe dos assalariados que, não dispondo de meios próprios de produção, vêem-se obrigados a vender sua força de trabalho. Marx vê a luta de classes como um fato presente ao longo da história da humanidade, e aí estão demarcadas as duas classes principais de um combate em que apenas uma poderá sobreviver. E será o proletariado, de acordo com as prescrições do Manifesto, através da revolução socialista, que levará o mundo ao comunismo. Desse modo, a emancipação do proletariado é simbólica do objetivo geral da emancipação da humanidade. A transição para um Estado apolítico é um dever do movimento, pois o aparato estatal, na visão oferecido pelo Manifesto (originalmente chamado de Manifesto do partido comunista), não passa de um comitê para administrar os negócios da burguesia. Porém, a história desmentiu o prognóstico teleológico marxista de redenção da humanidade pela vitória do proletariado. Não é de todo possível apagar a ligação umbilical entre o marxismo e os regimes que se mostraram equivocados no século XX. E a ironia é que tanto Marx quanto os regimes comunistas do leste europeu e alhures devessem cair juntos. É claro que há campos de resistência a esse apagamento na academia, principalmente em certas áreas das humanidades, mas a atualidade de Marx e do Manifesto comunista é daquele tipo da de Maquiavel ou Jesus Cristo, por exemplo. Retirando-se o máximo possível as amarras temporais em seus aspectos datados, continuam ?atuais? no sentido de ensinar aos contemporâneos que o pensamento e as atitudes inspiram novas idéias e podem, sim, trazer mudanças substanciais para o bem e/ou para o mal da humanidade. De qualquer modo, é patente a importância de se reler o Manifesto comunista para se manter em perspectiva a contribuição historicamente necessária, e ainda hoje educativa, do pensamento político de Karl Marx e Friedrich Engels, como contraponto ao exagerado individualismo inspirado por grandes grupos econômicos e políticos. Mesmo considerando o colapso dos regimes nele inspirados, o ideário propagado por Marx e Engels, sinteticamente apresentado nesse documento histórico, em seu conteúdo revolucionário e inspirador, deve ser reconhecido como uma ode a um sonho comum e humanitário que, para o bem ou para o mal, modificou o curso da história e foi, juntamente com a psicanálise e a tecnologia midiática comunicacional, um dos três traços fundamentais e fundantes da mentalidade e da prática política e social do século XX.


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