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Lost in Space / Sem rumo no cosmo



SEM RUMO NO COSMO

Mais do que em qualquer outro período da sua história, a humanidade encontra-se numa encruzilhada. Um dos caminhos leva ao desalento e à total desesperança; outro, à total extinção. Rezemos para que tenhamos a sabedoria de escolher correctamente.
Falo, a propósito, não com um sentimento de inutilidade, mas coma apavorante convicção da absoluta falta de sentido da existência, o que poderia facilmente ser interpretado como pessimismo. Não é. É simplesmente uma saudável preocupação com a condição do homem moderno.
Colocado em seus termos mais simples, o problema será: como é possível achar sentido num mundo finito, dadas as minhas medidas de camisa e colarinho? Trata-se de dificílima questão, quando acordamos para o facto de que a ciência não pode vir em nosso auxilio. É verdade que ela venceu inúmeras doenças, descobriu o segredo do código genético e até levou seres humanos à Lua. Ainda assim quando deixamos um homem de 80 anos sozinho numa sala com duas jovens de 18 anos, não acontece nada.
É verdade que a ciência nos ensinou como fabricar queijo pasteurizado. É verdade também que isso pode ser divertido quando se está bem acompanhado, mas que dizer da bomba H? Já viram alguma vez o que acontece quando um desses objectos cai de uma escrivaninha acidentalmente? E onde fica a ciência enquanto meditamos sobre os enigmas eternos? Afinal, pode-se ver a alma humana com o auxilio de um microscópio? Como teve origem o cosmo? Que é que pensamos exactamente quando dizemos que todo o homem é mortal? Obviamente, isso não é um elogio.
A religião, infelizmente também nos abandonou. Penso frequentemente em como a vida devia ser uma experiência reconfortante para o homem primitivo, porque ele acreditava num criador poderoso e benevolente, que cuidava de todas as coisas. Imaginem o seu desapontamento quando sua esposa começou a engordar.
Sentindo a ausência de Deus, o que fizemos foi fazer da tecnologia nosso Deus. E, no entanto, pode a tecnologia ser de facto a resposta, quando a minha torradeira, em quatro anos, nem uma vez funcionou direito? Empurro duas fatias de pão para baixo pelas aberturas e, segundos depois, elas disparam para o alto. Uma vez quebraram o nariz de uma mulher a quem eu amava ternamente. Estamos confiando em porcas e parafusos e electricidade para resolver nossos problemas?
O problema é que os nossos homens públicos são ou incompetentes ou corruptos. Ás vezes são as duas coisas e no mesmo dia. O governo é insensível às necessidades do homem comum. Se você tem menos 1,70m de altura é impossível falar ao telefone com o deputado que ajudou a eleger. Não nego que a democracia ainda seja a mais perfeita forma de governo. Ao menos numa democracia um cidadão não pode ser preso sem motivo ou obrigado a assistir a certos espectáculos da Broadway.
Em nenhum outro período da historia o homem hesitou tanto em cortar uma costeleta de vitela, por temer que ela possa explodir. A violência gera mais violência e esta previsto que por volta de 1990 o rapto será a forma mais comum de interacção social.
A superpopulação exacerbará os problemas até ao ponto de ruptura. Os números demonstram que já há mais gente na Terra do que a que seria necessária para mudar de lugar um piano de cauda pesadíssimo. Se não pusermos um freio na procriação, por volta do ano 2000 não haverá mais lugar para servir o jantar, a não ser que se esteja disposto a pôr a mesa sobre a cabeça de desconhecidos.
Consequentemente eles deverão manter-se imóveis durante uma hora, enquanto comemos. Evidentemente haverá escassez de produtos energéticos e cada proprietário de automóvel terá direito apenas à gasolina necessária para se arrastar alguns centímetros.
Em vez de enfrentarmos estes desafios, buscamos refúgio em distracções como sexo e drogas. Vivemos numa sociedade permissiva demais. falta-nos um centro espiritual. Estamos sem rumo, sozinhos no cosmo, descarregando uns sobre os outros uma violência monstruosa, devido às nossasdores e frustrações. Felizmente não perdemos ainda o sentido das proporções.
Resumindo: é claro que o futuro nos reserva grandes oportunidades, mas também armadilhas, aproveitar as oportunidades, e estar de volta antes das seis da tarde.

Woody Allen


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