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A velocidade como fetiche ? o discurso jornalístico



O trabalho investiga os conflitos existentes na tradicional promessa do jornalismo: dar ?a verdade em primeira mão?. Assim, divide o lema em duas partes para depois cruzá-las novamente, extraindo daí uma síntese que busca outra qualidade para o trabalho jornalístico. Tal síntese se justifica ao identificar o quanto a imprensa trai sistematicamente seu ideal de ?dizer a verdade? diante das condições reais de produção, que, na era do ?tempo real?, funcionam de acordo com a valorização da informação instantânea. Dessa forma, demonstra-se a hipótese principal, de que a velocidade é um fetiche (no sentido marxista), pois antes de mais nada a informação deve ser rápida para ser considerada eficiente. A velocidade, portanto, parece ganhar vida própria, e passa a ser o valor fundamental a ser consumido.
O primeiro capítulo trata do contexto no qual se constitui a percepção de ?aceleração do tempo?, na esteira do desenvolvimento capitalista em que a imprensa, consolidando-se como atividade industrial, luta para ?chegar na frente? do concorrente. O segundo capítulo aborda os princípios e métodos segundo os quais o jornalismo pretende cumprir seu ideal de ?dizer a verdade?, discutindo as questões da objetividade e imparcialidade, a teoria da responsabilidade social e o sentido de mediação implícito na formulação da imprensa como ?quarto poder?. O terceiro capítulo ocupa-se dos conflitos existentes entre os dois termos desmembrados da equação (?a verdade em primeira mão?) e, a partir das implicações contidas na definição de notícia como mercadoria, elabora argumentos para demonstrar a velocidade como fetiche.
Na conclusão, apresentam-se justificativas para a recuperação do sentido de mediação da imprensa, indicando uma nova abordagem da prática jornalística, com a formulação do conceito de notícia como clinamen e tudo o que ele proporciona como perspectiva de intervenção na realidade social e como possibilidade transformadora.
A imprensa convive, como atividade industrial, com uma contradição intrínseca ao seu lema tradicional, e certamente mistificador, de dar ?a verdade em primeira mão? (uma variante daquilo que os americanos definiam como ?get it first, but first get it right?). Mistificador porque fala em verdade genericamente, quando se trata de entendê-la no sentido estrito de informação verdadeira, relativa a fatos que realmente ocorreram - e que comportam interpretações diversas; mistificação necessária, porém, para a sedimentação de outro mito, o da imparcialidade, que garante à imprensa o seu lugar de autoridade. De qualquer forma, a verdade, ao contrário do que afirma o lema, costuma ficar submetida à necessidade da veiculação de notícias em primeira mão (dadas as imposições da concorrência), trazendo como resultado, freqüentemente, a divulgação de informações falsas ou apenas parcialmente verdadeiras, com conseqüências às vezes catastróficas.
Hoje, na era do ?tempo real?, essa contradição atinge níveis que apontam para uma aparente irracionalidade no processo de produção da notícia. Afinal, que sentido haveria em investir na última palavra em tecnologia se o que interessa não é a qualidade da informação, mas sim ?chegar mais rápido que o concorrente??
Dizíamos, porém, que essa irracionalidade é aparente, pois esconde outra lógica, que procura encobrir o caráter ideológico e político inerente à atividade jornalística, substituindo-o pela noção de ?serviço prestado ao leitor?. Essa noção, decorrente da velha e criticada idéia de que o público tem o ?direito de saber? para poder tomar suas decisões, sugere que o público ?precisa saber? cada vez mais rápido, porque esse é o ritmo do mundo. Portanto, a qualidade é aí identificada com a rapidez na transmissão da informação. Coerentemente, as próprias condições de trabalho - que, como se sabe, são determinantes na produção do discurso - ficam subordinadas a essa ?lógica da velocidade?, apresentada como um dado da realidade, comose fosse dotada de uma dinâmica própria, e não como resultado da rotina industrial.


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