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"Que Revolução está em Marcha?



A realidade em que vivemos, o nosso dia-a-dia, tem vindo a sofrer profundas e inegáveis mudanças nestas últimas duas décadas. Como introduz Carlos Fontes o seu artigo, ?a difusão doméstica de equipamentos que fazem recurso às tecnologias de informação e comunicação está a revolucionar os nossos padrões culturais?, sendo o seu impacto cada vez maior. São incontáveis os fãs deste novo fenómeno, ou tecnofílicos, como refere o autor, mas é claro que este ?está igualmente a deixar a deixar apreensivos todos os que analisam os seus impactos sociais e ideológicos.?. A questão impõe-se: ?Afinal que revolução está em marcha??. Carlos Pontes, ao responder a esta questão aborda uma problemática essencial: a dos mitos criados em volta das novas tecnologias da comunicação e da informação. Segundo o autor, existem dois mitos: o do ?acesso generalizado ao saber? e o da ?comunicação global?. Não é necessária uma análise profunda para se concordar com esta perspectiva, já que basta pensar que a população global com acesso a estas novas tecnologias é ainda uma minoria. Se tivermos como premissa o facto de grande parte da população mundial ainda ter dificuldade em obter condições básicas, tais como água potável ou alimentos, também é fácil constatar-se que para que se crie um acesso generalizado ao saber, para que possa existir um conhecimento global e para que ?todos possam falar com todos? ainda há muito a ser feito. Idealizando que isto será possível um dia, teremos de pensar em décadas ou talvez séculos para que tal possa acontecer. Algo que não pode ser ignorado é o facto de as novas tecnologias não serem democráticas a nível de informação, isto é, serão as sociedades dominantes a terem um maior poder sobre a produção/divulgação da informação, portanto, este ?conhecimento global? referido será sempre subjectivo e parcial. Outro ponto fundamental abordado neste texto e ainda relacionado com a questão dos mitos é o facto de os divertimentos continuarem a ser ?a principal exploração pública destes equipamentos, nomeadamente em salas de jogos, parques de diversão e parques temáticos?. Verifica-se que o poder de informação proporcionado pelas novas tecnologias não é bem aproveitado, sendo mais ?popular? a sua dimensão recreativa, apesar de, como refere o autor, existir um aumento da sua utilização em bibliotecas, escolas, museus e espectáculos. É igualmente importante questionarmo-nos sobre até que ponto temos a vida facilitada com as novas tecnologias. A dependência criada é tal que basta estas falharem para que meio mundo quase entre em colapso. É o caso dos serviços públicos e, especialmente, dos meios de comunicação. Neste momento seria impossível voltar atrás e recusar esta dependêcia. É também questionável se a quantidade de informação é equivalente a qualidade. Dado o novo ritmo imposto por estas novas tecnologias, não só é preciso uma fast-production (sem tempo para uma completa confirmação dos factos ou para análises complexas) como um fast-consumption. Muitas das pessoas que recorrem às novas tecnologias para obter informação esperam obter o mais possível no menos tempo possível, outras perdem-se no meio de tantas novidades, sem conseguirem concentrar-se em nenhuma em particular. Pode-se, portanto, afimar que a Internet é o meio que favorece a superficialidade em detrimento da análise e do relacionamento de informação. Este ritmo acelerado, como refere Carlos Fontes, torna também difícil fazer com que a sua regulamentação o consiga acompanhar, daí que o controlo seja muito pouco e que as leis existentes não sejam suficientes, verificando-se o seu incumprimento constantemente, como é o caso da lei dos direitos de autor. Ainda em relação ao ritmo de evolução das novas tecnologias, o autor salienta outra consequência fundamental: ?a absolescência destes equipamentos e produtos obedece a ciclos de renovação muitos rápidos, ditada por lógicas económicas. É preciso dizer também que estaslógicas nem sempre coincidem com às da procura dum melhor conhecimento.?. Outra problemática que tem de ter sida em conta é o facto de as novas tecnologias incentivarem a "cultura do homem sentado", uma construção quase virtual do saber, do conhecimento, em isolamento. Deixa-se de ter experiências práticas para se aprender a sua teoria, as pessoas tendem a isolar-se em frente ao computador, já que este lhes disponibiliza mais possibilidades de escolha num menor espaço: trabalho, lazer, compras, ?convívio? com amigos e, até mesmo, estabelecer novas relações. Por fim, em relação à ideia de que ?os info-excluídos serão os pobres do futuro?, esta é uma questão realmente pertinente. O facto de existir um monopolismo dos meios de comunicação por parte de determinadas sociedades, resulta na exclusão, do plano global, da informação relativa a muitas outras. Como é do senso comum, as pessoas só se lembram de que é necessário ser solidário quando existe a mediatização de uma determinada tragédia, por isso, o provável é que grande parte das soluções exigidas sejam apenas a favor destas tragédias mediatizadas. As restantes serão esquecidas até que alguém com poder para iniciar um processo de mediatização se lembre ou seja lembrado de que estas existem. Apenas para concluir, após a leitura deste artigo, não me parece que seja a perspectiva mais acertada a do consumidor passivo em relação às novas tecnologias. Penso que a solução para um aproveitamento adequado das suas potencialidades informativas e comunicativas está principalmente nas mãos dos utilizadores. O ideal seria uma apostar-se na sua e-educação, ensinando-o como tirar o melhor proveito das novas tecnologias, evitando os seus aspectos negativos.


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