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Febvre: os apoios da irreligião




O autor pretende elucidar o renascimento da filosofia no século XVI, momento que teoricamento dificultava o desenvolvimento de um pensamento especulativo, haja vista que o homem desse século não possuía em seu vocabulário corrente palavras que especificassem e dessem corpo a idéias filosóficas.

Apontando o tipo de construção de frases da língua francesa - idéia essencial mergulhada em detalhes secundários, explicações e incidentes, encontra um problema: a questão da clareza, da profundidade e da eficácia do pensamento em francês arcaico. É importante ressaltar que a incoerência que se mostra para nós observadores pode não ser igualmente percebida pelo homem do século XVI.  As línguas são identificações sociais, significativas de uma época e de um grupo. O que importa compreender é o tipo de transformãção que permitiu a realização do pensamento especulativo.

A língua mostra-se como uma barreira, mas que tipos de mecanismos foram utilizados para se transpor tal barreira? Observa-se já no século XV um movimento de ordenação construtiva mais rigorosa das frases.  Isto é sintomático de uma organização progressiva do pensamento. Isto posto, conclui-se que entre a linguagem e o pensamento estabelece-se uma recíproca acomodação - o que se mostra como obstáculo pode ser pensado também como um motivo propulsor.

Mesmo o uso do Latim pressupõe um domínio sobre as palavras nativas no momento da tradução das idéias; daí, em lugar de ser entendido como exclusivamente um obstáculo para o desenvolvimento da língua, deve ser repensada sua função na transição Idade Média / Renascimento.

O uso do Latim, uma língua morta, dificultava a apreensão das necessidades que se colocam entre o homem e sua realidade. Está aí o sentido de revolução neste momento: a necessidade de romper com o uso obrigatório do Latim significava uma contestação ao dogma cristão. Entretanto, os homens do Renascimento, ao almejarem um passado mais remoto que a Idade Média, o passado grego, não pretendiam essencialmente romper com o Cristianismo, e sim depurá-lo de influências divergentes da filosofia grega, ocorrentes ao longo da Época Medieval.

À pretensão de assimilar-se ao Helenismo é somada uma necessidade de inovação. É neste ponto que poder-se-ia o Renascimento contradizer o Cristianismo. Porém, a diferença é suprimida. Estabelece-se um compromisso entre o Cristianismo e as Filosofias do século XVI: a realidade  (que as filosofias tratarão) ficará compreendida entre "Deus como princípio e como fim", não inviabilizando, assim, o antigo esquema .




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