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Jornalismo: Controlo Social na Redacção (Parte 1)



Em todos os jornais, o publisher estabelece a política informativa, a qual é geralmente seguida pelos membros do corpo redactorial. Porém, a aceitação não é automática por três razões: 1) a existência de normas de ética jornalística; 2) o facto de os subordinados tenderem a ter atitudes mais liberais do que o publisher e poderem invocar as normas para justificar escritos contra a política; 3) o tabu ético que impede o publisher de obrigar subordinados a seguirem a sua orientação.

Os jornalistas podem ser divididos em duas categorias principais. Os executivos incluem o publisher e os seus editores. Os staffers são os repórteres, os responsáveis pelo rewriting, os revisores, etc.

A política é a orientação evidenciada por um jornal no seu editorial e nas suas crónicas e manchetes. A parcialidade envolve a omissão, a selecção diferencial, ou a colocação preferencial. As normas profissionais são as normas éticas que dizem respeito à obrigação do jornalista para com os leitores e a sua profissão, e as normas técnicas, respeitantes às operações de recolha, escrita e preparação da notícia.

As principais áreas de orientação envolvem a política, os negócios e o trabalho. No entanto, a orientação política é disfarçada devido à normas éticas de jornalismo: a orientação política transgride estas normas muitas vezes.

Numa amostra de 72 staffers entrevistados, 42 tinham opiniões mais liberais do que o seu publisher; 27 tinham opiniões semelhantes, e apenas 3 eram mais conservadores. Dos 46 entrevistados com menos de 35 anos, 34 mostraram tendências mais liberais.

Questão: «Como é mantida a orientação política apesar de muitas vezes transgredir as normas jornalísticas, de muitas vezes os jornalistas discordarem dela, e de os executivos não poderem legitimamente ordenar que ela seja seguida?»

Como o redactor apreende a orientação política
O primeiro mecanismo que promove o conformismo é a socialização do redactor no que respeita às normas do seu trabalho. Todos, com excepção dos novos, sabem qual é a política editorial, que apreendem por ?osmose?. A aprendizagem da política editorial é um processo através do qual o novato descobre e interioriza os direitos e as obrigações do seu estatuto, bem como as suas normas e valores. Aprende a antever aquilo que se espera dele, a fim de obter recompensas e evitar penalidades.

O jornalista tende a imaginar as suas notícias a partir de outras que vê no jornal. As crónicas e os editoriais são um guia, e a sua reportagem tende reflectir aquilo que ele define como procedimento padrão.

Certas acções editoriais levadas a cabo pelos editores e pelos staffers mais velhos também servem de guias de controlo. As reprimendas são, frequentemente, indirectas, devido à natureza dissimulada da política editorial.

Os staffers também são guiados através do conhecimento das características, interesses e relações dos seus executivos. Outro ponto de contacto com os executivos é a conferência noticiosa, onde os staffers delineiam as suas descobertas e discutem que forma dar à notícia.

Dessas reuniões, o staffer pode ascender à compreensão através daquilo que é dito e não dito pelos executivos. Note-se que a orientação política não é expressa explicitamente, salvos raras excepções.
Existem três outros canais de informação acerca dos executivos, que são os órgãos internos, a observação do executivo durante os encontros com outros dirigentes e a emissão de uma opinião.

Razões do conformismo para com a orientação política
Não existe nenhum factor que crie a disposição para o conformismo, a não ser ?estatutos institucionalizados? ou ?papéis estruturais?. As seis razões a seguir podem evitar actos de desvio do potencialmente intransigente staffer.

1. Autoridade instucional e sanções
Sendo o publisher o dono do jornal, tem o direito de esperar obediência dos seus empregados, e o poder de despedir ou impedir alguém de progredir. No entanto, o jornal não é concebido como uma empresa puramente comercial, e os despedimentos são um fenómeno raro nos jornais. O medo de sanções, mais do que a sua invocação, é uma das razões que levam ao conformismo, mas não é tão forte como possa parecer. Os editores podem, muito simplesmente, ignorar reportagens que poderiam originar desvios ou, ainda, marcar a reportagem a um staffer seguro. Pode ainda argumentar que o publisher ficaria embaraçado com possíveis controvérsias em torno da orientação política e da parcialidade resultante. Assim, a orientação não só é encoberta como também não é discutida.

2. Sentimentos de obrigação e de estima para com os superiores
Tais obrigações e sentimentos calorosos para com os superiores têm um papel estratégico no seu aliciamento para o conformismo. Esta variável muda, no entanto, de jornal para jornal.

3. Aspirações e mobilidade
Todos os staffers mais novos mostraram desejo de alcançar uma posição de relevo. Lutar contra a orientação política é um obstáculo para a consecução desse objectivo.

4. Ausência de grupos de lealdade em conflito

5- O prazer da actividade
A cooperação na sala de redacção, as tarefas necessárias são interessantes e há gratificações não financeiras.

6. A notícia torna-se um valor
Uma consequência da ênfase dada à notícia enquanto valor central é o afastamento do interesse do jornalista na objectividade para evitar conflitos sobre a orientação política do jornal. As notícias estão sempre em primeiro lugar, e há sempre que as ir procurar. Assim, a harmonia entre staffers e executivos é reforçada pelos interesses comuns na notícia.
(ver Parte II no link disponibilizado em baixo em 'Links Importantes')



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