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Declínio de um paradigma? Parcialidade e objectividade nos media (2)



(Continua de Parte I mencionada em baixo em 'Links importantes')
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As posições políticas determinam a parcialidade noticiosa?
Sendo a parcialidade definida como «uma manifestação  de intento deliberado ou a consequência involuntária de uma posição ideológica ou ligação partidária» (Hofstetter, 1976), o conceito de parcialidade encontra-se muitas vezes ligado às teorias conspirativas de esquerda ou de direita  dos meios de comunicação social.

A versão direitista da crítica afirma que os media fazem parte de uma nova classe de burocratas e intelectuais que têm interesse em expandir a actividade reguladora do Estado, às custa das empresas privadas.

A corrente esquerdista afirma que os media norte-americanos reforçam geralmente os pontos de vista do establishment, devido ao poder dos donos dos grandes meios de comunicação social e dos anunciantes.
A teoria da ?atitude política? considera que:
1. Os jornalistas têm valores políticos estáveis.
2. Os jornalistas controlam o produto jornalístico.
3. Os jornalistas estão dispostos a  injectar as suas preferências no conteúdo noticioso.

Apesar desta teoria afirmar o contrário, Epstein descobriu que os correspondentes, os produtores televisivos e os editores por ele entrevistados não manifestavam nenhum comprometimento ideológico sistemático ou consistente.

Epstein concluiu também que tanto os controlos dos networks como o próprio sentido de objectividade do jornalista inibem a introdução de opiniões pessoais nas reportagens televisivas.

Pode-se dizer que as interpretações organizacionais são um avanço decisivo sobre a ?teoria da atitude política?. Porém, a análise do papel e determinantes ideológicos dos media não se esgota nem na abordagem da atitude política nem na abordagem organizacional. 

Conseguimos descobrir a parcialidade na notícia?
Têm havido estudos de gatekeeping acerca do modo como os jornalistas seleccionam e rejeitam o material, e estudos de observação participante nas redacções, assim como inquéritos  e entrevistas a jornalistas. No entanto, todos estes métodos têm limitações.

A maioria das investigações em torno da parcialidade centram-se mais no conteúdo das notícias que nas suas condições de produção. O método utilizado para tal trabalho tem sido a análise de conteúdo, geralmente quantitativa. Começa com o esboço das categorias relevantes de conteúdo manifesto e aparente, verificando depois a frequência ou ausência de cada uma.

Pressupostos da análise de conteúdo:
A parcialidade é, muitas vezes, concebida em termos quantitativos, analisando-se a extensão da coluna, a duração do tempo de antena concedido a cada uma das partes em confronto, etc.
O verdadeiro objecto da análise de conteúdo é a mensagem intencional e os motivos do comunicador.
 
O interesse crescente na ideologia e a consequente  desvalorização da parcialidade têm estado associados à emergência de novos métodos de interpretação dos textos mediáticos, sobretudo aqueles ligados à semiótica ou à análise estrutural.
Do ponto de vista do semiótico, a análise de conteúdo não consegue passar das expressões exteriores e penetrar na estrutura interna destas.

Crítica à análise de conteúdo:
Ela tem mais em conta a repetição dos significantes denotativos do que a procura do código subjacente que utiliza os significantes. A limitação à denotação é também uma falha, já que presume-se que a denotação não é problemática, que é universal, e que quer dizer a mesma coisa para toda a gente.

Considera-se que o que distingue uma posição ideológica de outra é a frequência com que este significante é utilizado no discurso ideológico. Mas se, por exemplo, o termo ?liberdade? tem diferentes significados em diferentes contextos, se realmente o discurso é o que empresta significado o termo, então a contagem da sua frequência comparativa não faz sentido.

Não se pode afirmar que a semiótica tenha ultrapassado completamente as limitações da análise de conteúdo e que tenha desenvolvido um método rigoroso de interpretação ideológica.

Da parcialidade à ideologia
Outra definição da parcialidade diz-nos que ela se define como o favoritismo para com um candidato ou grupo de interesses em detrimento de um outro.

Robinson (1978) sugere que os estudos anteriores se centraram estritamente nas campanhas eleitorais, precisamente um terreno que os radiodifusores aprenderam a pisar com cuidado. A parcialidade política pode ser mais facilmente observada na cobertura de grupos de interesses.

A ideia de que a notícia funciona como ideologia reforça a ideia de que as mensagens noticiosas são tendenciosas de acordo com as motivações dos comunicadores.

Desenvolvimentos recentes relativos à teorização da ideologia dizem-nos que o seu papel nos media funciona como instituição que pode fornecer ideias, influenciar desejos, e ajudar a definir a realidade social. Nesta perspectiva, o efeito de reforço dos media poderia ser reinterpretado como fazendo parte de um processo hegemónico ou de legitimação.

Três concepções se referem à ideologia enquanto fenómeno social global:
1. Um sistema de ideias, valores ou proposições que é característico de uma classe social específica, e/ou que expressa os interesses políticos e económicos dessa classe.
2. As manifestações do capitalismo, segundo o qual os salários são o preço total do trabalho, e que a venda e compra de mercadorias é uma troca justa entre indivíduos. Ao ?naturalizar? as relações sociais capitalistas, a ideologia serve para «assinalar, ocultar ou reprimir» os fundamentos antagónicos do sistema», nomeadamente «a dominação de classes, a natureza exploradora do sistema, ?» (Hall, 1977).
3. A criação ou interpelação dos sujeitos humanos, a provisão de identidades subjectivas, do tipo necessário às relações capitalistas de produção (Althusser, 1971).

(ver Parte III no link disponibilizado em baixo em 'Links Importantes')


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