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A Comunicação - Introdução (Parte 2)



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Introdução:
Actualmente, a comunicação estende-se a diversas áreas da sociedade: a área das relações humanas; a área do marketing, quer na promoção de um produto, quer na própria imagem da empresa que o produz; nos meios políticos, nomeadamente marketing político; na própria imprensa; no campo do audiovisual; na publicidade; nas editoras; na esfera religiosa; na ciência das organizações e da decisão; nas ciências exactas, físicas e biológicas; ou ainda da inteligência artificial, da informática e das ciências cognitivas.
Poderá esta convergência formar um consenso transnacional ou uma nova ideologia? Pertencerão todos estes domínios à área da comunicação?
Na Atenas democrática não se colocavam este tipo de questões já que a comunicação encontrava-se no próprio princípio da cidade que conferia unidade ao sistema nos seus aspectos políticos, morais, estéticos, económicos, etc.
Também na cidade cristã a comunicação foi o fundamento da expansão cristianismo.
Actualmente verifica-se que Deus, a História ou as antigas teologias fundadoras de figuras simbólicas como a Igualdade, a Nação ou Liberdade desapareceram enquanto meios de unificação. É neste vazio que surge a necessidade de comunicação que, como uma nova teologia, possa unificar os valores e as fragmentações impostas pela tecnologia.
Jacques Ellul apontou a "corrosão do social por acção da técnica", a diluição de vínculos simbólicos pela tecnologia. Paradoxalmente, é através de novas tecnologias de comunicação que se procura suprimir a ausência de comunicação.
Encara-se a comunicação, ou as novas tecnologias da comunicação, como a única coisa capaz de unificar um universo fragmentado pela própria tecnologia. O paradoxo é procurarmos comunicar precisamente pelos instrumentos que enfraqueceram a comunicação.
Assim a crítica da comunicação é a crítica da tecnocomunicação, isto é, uma desmontagem das suas estratégias e das atitudes diversas que lhe correspondem.
Impõe-se assim compreender: I - a gestão tradicional da comunicação e o seu fracasso actual. II - tomar conhecimento das teorias explicativas desse fracasso. III - tentar escapar às cureis confusões da comunicação de hoje.
I - A gestão tradicional da comunicação
Perfilam-se duas concepções de comunicação:
a comunicação como representação, como meio útil de ligar elementos atomizados e obter um vínculo comum que a vida em sociedade exige - hierarquias, ligações verticais e horizontais, representação por signos e sinais.
a comunicação como expressão, como meio de ligação interna e participação total, ou seja como meio de unir entre si elementos que, por definição, são já totalidades, o que torna necessário convocar níveis específicos de ligação para domínios particulares.
A comunicação social dá alternativamente lugar a uma visão representativa e a uma visão expressiva que formam uma visão política, a chamada política simbólica.
Numa política generalizada de comunicação existe uma representação que multiplica os signos e os signos dos signos - para reencontrar o real concreto dos indivíduos e dos grupos - que, com as suas demarcações territoriais e sociais, se traduz numa mecânica de separação. Uma visão expressiva da comunicação restaura estas divisões através de uma ligação simbólica ou de imagens "significativas", isto é, da cultura, das memórias do passado.
II - As teorias explicativas
1 - A teoria da acção comunicativa de Jurgen Habermas
As teses de Habermas
 A sociedade assenta sobre actos de comunicação que vinculam os elementos civis entre si, seja através de um acordo ou de um sucesso.
Os actos dirigidos a um sucesso referem-se a empresas comuns e exigem um programa, uma confrontação de compromissos e de actos políticos que dizem respeito ao factor racional.
Os actos dirigidos ao entendimento instalam-se a priori, isto é, escapam à análise racional já que referem-se a um horizonte cultural: costumes, comportamentos, verdades. Desta noção deriva a noção de Lebenswelt, isto é, a procura de um consenso para além de um consenso das razões e das justificações.
A técnica comunicacional substitui-se aos modos de acordo tradicionais como a linguagem quotidiana o os meios culturais a que esta linguagem faz apelo. Na Lebenswelt há um holismo de base já que o todo é dado à partida como evidente e não é problematizado, a não ser incidentalmente.
Assim, para Habermas a comunicação está no social, na língua que é social, no implícito, no preconcebido. A comunicação não é maquínica mas sim compreensiva. A transmissão do mundo vivido, captado e tecnicizado por quem Comunica, deve orientar-se para o entendimento e não para o sucesso, e isto porque a estratégia do sucesso não pode assegurar a transmissão de valores.
Crítica a Habermas
O regime de dicotomias de Habermas, que opõe entendimento a sucesso, sociedade crítica a Estado, manipulado a manipulador, poderá ser visto como uma visão geral da comunicação. No entanto, estando a comunicação no cerne do vínculo social, o autor não faz qualquer referência às "tecnologias do espírito" que estão no cerne das práticas comunicativas actuais - inteligência artificial, ciência cognitiva, psicoterapias individuais ou de massas, paradigmas das ciências.


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