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A Comunicação - Introdução (Parte 2)



(Continua de Parte I referida em baixo em 'Links importantes'

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2 - Jacques Ellul: técnica e sociedade

Características do sistema técnico

O sistema técnico suprime a distinção sujeito-objecto já que, a neutralidade e objectividade que lhe estão subjacentes, acabam por diferenciá-lo da sociedade. A linguagem perde o seu sentido quando passa pelo crivo da análise estrutural.

O cidadão é propagandeado e o homem político é vitima da ilusão de liberdade. No entanto, o sistema técnico não comporta qualquer conteúdo ou sentido; o sistema técnico apenas estabelece a forma unificada dos comportamentos e das estruturas.

A linguagem fragmenta-se, tal como a sociedade, não havendo assim comunicação já que a técnica é incapaz de mediatizar, de simbolizar, ela é auto-simbolizante.

Jacques Ellul defende o regresso do sujeito, da intenção, do sentido, da comunicação.

A contribuição de Jacques Ellul

Teorização das características do sistema técnico que impedem a comunicação porque a neutralizam, fragmentando e dividindo os homens entre si.

Teorização da teologia da técnica que, pela alienação que provoca, suscita comunicações específicas apropriadas à sua estrutura.

Crítica de Ellul

A sua análise é por vezes imprecisa e inexacta. A ideia de que o computador consiste meramente em cálculos, aplicando um programa humano que lhe é imposto do exterior é inadequada já que é ilusório opor a decisão humana, capaz de ruptura, ao computador, apenas capaz de reprodução. Os seus componentes aleatórios podem juntar-se aos humanos, estimular a reflexão e criar, a prazo, o novo.

3 - Pierre Legendre: o amor do absoluto

Comunicar é tornar comum.

A comunicação é normativa, ela põe em prática o vínculo político de nascimento que, através do direito, cria uma distancia e produz a alteridade.

As Leçons sur la communication industrielle.

"A comunicação é um dogma, uma rede de proposições que nos remetem para o princípio da autoridade". A comunicação não existe para garantir a realidade ou satisfazer a objectividade; ela existe para esconder a violência, para iludir a realidade.

Quando estas estratégias são desmontadas surge então a questão poética, que mais não é do que uma mudança de discurso e de registo.

A principal contribuição de Legendre diz respeito à censura institucional, que envolve múltiplos intermediários entre o Absoluto, o Indizível, o Inomeável e nós.

Crítica a Legendre

O sua principal lacuna reside no método.

III - Três metáforas, três visões do mundo

A totalidade dos fenómenos e dos domínios mais heterogéneos da comunicação identificam-se com três metáforas que remetem para três visões do mundo.

1 - Representar ou a máquina

Perante a constatação tecnológica, apela-se ao discurso da razão; há um primado do sujeito. O homem permanece essencialmente livre face à técnica. Usa-a mas não se deixa escravizar por ela. O homem realiza as suas tarefas "com" a máquina e permanece senhor das actividades de que idealizou o meio.

A máquina é exterior ao homem, ela é um instrumento por meio do qual o homem realiza uma acção mais facilmente. A máquina é um objecto, o sujeito está separado dela. Ele utiliza-a e domina-a.

Segundo as duas teorias clássicas da representação, a comunicação afirma a distinção emissor- receptor e introduz um canal entre eles. A representação faz apelo a um representante e a um representado e liga-os por intermédio de um mediador, virado quer para o objecto, quer para o signo que ela garante.

São assim conferidos poderes consideráveis aos media. O receptor da mensagem não pode senão registar a realidade objectiva transportada pelo canal. O representante detém o poder de garantir a objectividade.

2 - Exprimir ou o organismo

Segundo esta visão, estamos sujeitos à visão do mundo que os objectos técnicos nos induzem. Num mundo feito de objectos o homem tem de contar com a organização complexa de hierarquias que experimenta. Está "lançado no mundo" técnico que se torna a sua natureza. Desaparece assim a ideia de domínio para dar lugar à ideia de adaptação. O homem insere-se num todo (o organismo) que assenta numa relação interna entre as partes e o todo.

A expressão constitui uma flexibilização do esquema representativo. O medium deixa de ser um personagem à parte, tradutor de um mundo objectivo para um receptor passivo. O medium está no mundo ao mesmo nível que o receptor, tal como o mundo está no medium e no receptor.

3 - Confundir ou Frankenstein: o tautismo

Frankenstein é uma metáfora e o tautismo é o seu conceito. Segundo esta terceira atitude, determinada pela constatação tecnológica que rege o mundo, o sujeito só existe pelo objecto técnico que lhe confere os limites e determina as suas qualidades.

Coloca-se assim a questão de se o homem se pode desvanecer como produtor para ficar apenas como produto, dando primazia à máquina inteligente que o instruirá.

É este o modelo metafórico de Frankenstein em que sujeito e objecto, produtor e produto se confundem. Perde-se a realidade, o sentido, a identidade.

Aplicado à comunicação, este sistema desemboca na confusão total do emissor e do receptor. Num universo em que tudo comunica, o mundo técnico e nós mesmos, a comunicação morre por excesso de comunicação e culmina numa agonia de espirais - tautismo



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