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O Gatekeeper



Kurt Lewin foi o primeiro a utilizar o termo gatekeeper para designar que, a passagem de uma notícia por determinados canais  de comunicação estava dependente do facto certas áreas dentro dos canais funcionarem como gates. Certos sectores dos gates são regidos por regras imparciais ou por um grupo no poder tomar a decisão de deixar entrar ou rejeitar.

Examinemos o modo como um dos gatekeepers dos complexos sociais de comunicação controla o seu gate.

Consideremos uma audiência do Senado parra uma proposta de lei sobre a ajuda federal para a educação. Todos os media presentes formam o primeiro gate no processo de comunicação. Eles fazem um julgamento inicial sobre se a ?estória? é ou não importante.

Quando essa ?estória? aparece publicada no Tribune e no Sun-Times, percebemos que sendo o acontecimento relatado por dois repórteres com estruturas perceptuais diferentes e que os dois homens dão à ?estória? quadros diferentes de experiências, atitudes e expectativas.

Uma notícia é assim transmitida de um gatekeeper para outro na cadeia de comunicações. Do repórter para o responsável pelo rewriting, do chefe de secção para os redactores responsáveis pelos «assuntos de Estado» de várias associações de imprensa, o processo de escolha e rejeição não pára.

O último gatekeeper é o redactor telegráfico, que tem a seu cargo a selecção das notícias nacionais e internacionais que lhe vão chegando através das agências noticiosas, decide o seu posterior desenvolvimento, e faz a revisão e escreve os títulos para esses artigos.

É o gatekeeper mais importante, pois se rejeitar a notícia, o trabalho de todos aqueles que o precederam , relatando-o e transmitindo-o, fica reduzido a zero.

Na semana de 6 a 13 de Fevereiro de 1949, o Mr. Gates examinou todas as notícias rejeitadas e escreveu em cada uma a razão que o levara a rejeitá-la.

Após de terminar quais as notícias que tinham durante a semana por telégrafo em termos de polegadas por coluna e categorias, medimos a quantidade de notícias via telégrafo que apareceram nos jornais.

Mr. Gates recebeu 12 400 polegadas de notícias durante a semana, e utilizou 1297, um décimo.

Quando analisamos as razões apresentadas pelo Mr. Gates para a rejeição dos nove décimos das notícias, começamos a compreender como a comunicação é extremamente subjectiva e dependente de juízos de valor, atitudes e expectativas do gatekeeper: 1) rejeição do incidente devido à sua pouca importância 2) selecção a partir de muitos relatos do acontecimento.

Assim vemos: uma notícia com anotação ?demasiado pró-comunista?; outra com ?nunca usar isto?; ?palha?; ?propaganda?; ?não interessam artigos de suicidas?. As razões da rejeição de notícias caem na categoria de juízos de valor muito subjectivos.

Em 168 artigos Mr. Gates escreve ?sem espaço?. Quanto mais tarde chegam as notícias, mais as páginas do editor telegráfico ficam cada vez mais preenchidas. Assim, uma notícia que tenha boas hipóteses de aparecer na primeira página às 7:30 da noite, pode não merecer o mesmo espaço às 11:00. A palavra ?serviria? aparece 221 vezes; bom- se houvesse espaço? 154.

Devido à cobertura dada ao julgamento do cardeal Mindzently, forma mais usadas as notícias pertencentes à categoria de interesse humano.

As notícias políticas gozaram do segundo maior papel, o que nos indica uma preferência já que na quantidade de despachos recebidos esta categoria aparecia em quinto.

De um total de 33 notícias sobre crime, só apareceu uma coluna de cinco polegadas sobre o tema na primeira página e páginas interiores. As notícias criminais não agradavam ao nosso Mr. Gates.

Em quase todos os casos tinha escolha entre notícias de agências de noticiosas concorrentes, Mr. Gates preferiu as ?conservadoras?, quer em termos de conotação política como em termos do estilo de escrita. O sensacionalismo e a insinuação são constantemente evitados, Mr. Gates não gosta de notícias com muitos números e estatísticas.

Será que a categoria de notícia entra realmente na escolha ? Será que o redactor telegráfico tenta escolher um certo número de notícias sobre crime, interesse humano, etc.? Não parece existirem escolhas conscientes das notícias por categorias, já que verificou-se uma ênfase dada às notícias de interesse humano devido ao impacto da ?estória? sobre o cardeal.

Poderá o redactor telegráfico recusar uma notícia quando um congénere seu lhe está a dar grande destaque? Teoricamente, todos os padrões de gosto do editor telegráfico devem dirigir-se a um público que tem de ser servido e ficar satisfeito.

P 1 - A categoria da notícia influencia a sua escolha das notícias?

- Sim, mas procura-se a variedade.

P 2 - Acha que tem alguns preconceitos que possam afectar a sua escolha de notícias?

- Tenho poucos preconceitos, mas não sou insensível a isso.

P 3 - Como define o público ao qual se destinam as notícias por si seleccionadas e qual é o seu conceito de leitor típico?

- Pessoas de inteligência e com interesses e capacidades diversas.

P 4 - Possui critérios específicos em relação ao assunto ou ao estilo de escrita que o ajudem a determinar a selecção de uma notícia em particular?

- A clareza, a brevidade e o ponto de vista

Na sua posição de gatekeeper, o editor do jornal para que a comunidade oiça como facto somente aqueles acontecimentos que o jornalista, como o representante da sua cultura, acredite serem verdade. 



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