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Estratégias da Comunicação - O Que É o Espaço Público (Parte 1)



O PROCESSO DE SECULARIZAÇÃO DOS RITOS COLECTIVOS

?A viragem da modernidade caracteriza-se, antes de mais, no século XVII, por uma desvalorização daquilo que é enunciado e por uma concentração no processo de enunciação.? (Michel de Certeau, L?Invention du Quotidien)

Os ritos sociais são as modalidades quase automáticas de regularidades e de expectavas que se impõem a todos os outros com obrigatoriedade. Constituem, assim, modos de dizer e de fazer, modalidades práticas cuja observância, respeito e observação provocam o reconhecimento recíproco. Os processos de comunicação são processos ritualizados que atravessam a experiência social, quer individual quer colectiva, em que está em jogo este reconhecimento recíproco. São processos de visibilidade que têm a ver com a teatralidade da vida colectiva.

Os ritos sociais são as regras da teatralidade da vida colectiva que se impõem com força tanto mais indiscutível quanto mais arbitrárias e independentes da escolha racional de um dos protagonistas. A indiscutibilidade dos ritos sociais é também tanto maior quanto mais cada um considerar o seu papel como parte de uma peça ditada por uma instância transcendente, exterior ao espaço e à história da colectividade.

Nas sociedades ocidentais, as narrativas das origens que desde sempre serviram de quadro à estruturação da percepção do cosmos e da vida colectiva são os mitos judaico-cristãos da criação.

Porém, a partir do século XVII, o contacto dos povos europeus com outras culturas, nomeadamente asiáticas, africanas e ameríndias, reforçou o processo de desencantamento característico da nossa modernidade. A consciência da diversidade dos mitos das origens, das teogonias, é em grande parte responsável pela relativização moderna do fundamento religioso da experiência. O desencantamento é o processo através do qual a razão humana procura indagar os mistérios do mundo da experiência tanto individual como colectiva, aspira a um questionamento autónomo em relação às razões que o quadro mítico lhe oferece, instituindo-se, assim, a razão humana em sujeito de saber e de fazer independente do Númen da Palavra mágica originária. É este processo de desencantamento que fundamenta a secularização observada como atitude nas mais diversas formas de sociedade.

A contrastar com a lógica religiosa, a lógica da secularização moderna esvazia os ritos sociais da sua referência transcendente de legitimação e da consequente estabilidade das normas, para em seu lugar instaurar a experimentação, a observação e o cálculo como modalidades legitimadoras do saber, da acção e da linguagem.

Este processo de secularização seria responsável pela constituição de um espaço público problemático.

A CONSTITUÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO MODERNO

As sociedades tradicionais não conhecem ruptura significativa entre os diferentes espaços sociais. A organização do espaço nestas sociedades é indivisa, já que não existe a ideia de uma especialização funcional, mas coexistência, nos mesmos lugares, de toda pluralidade de funções que nos habituámos a distinguir nas sociedades modernas.

Mais tarde, inspirando-se em Vitrúvio, L. B. Alberti, um dos principais inspiradores da estética renascentista, defendeu a concepção funcional que melhor se integrou no paradigma dominante da organização dos espaço habitado moderno, ao mesmo tempo abstracto (geométrico) e empírico (funcional).

Já na segunda metade do século XIX, e já sob as influências iluministas e da pressão demográfica da revolução industrial, esta forma funcional e progressista de urbanismo caracterizar-se-á pela a) classificação e ordenamento das funções e necessidades sociais; b) pela separação espacial dos lugares destinados à satisfação destas necessidades e destas funções; c) pela estandartização e visibilidade dos protótipos dos edifícios destinados ao desempenho de cada uma das funções; d) pela desconcentração e segmentação do espaço habitado.

ideal funcionalista atinge o seu ponto culminante entre as duas Grandes Guerras, quando Charles Edouard le Corbusier (1887-1965) propõe reservar ?a cada função e a cada indivíduo o seu justo lugar?, favorecendo o imóvel colectivo ?construído no seu próprio meio em que gozará de sol, de ar puro e de silêncio?.

(ver Parte 2 no link disponibilizado em baixo em 'Links Importantes')



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