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Os Meios de Comunicação: Quarto Poder ou Quinta Coluna? (Parte 2)



(Continua de Parte I referida em baixo em 'Links importantes)

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Capítulo I

A Cibernética: Milagre ou Miragem?

?Após a era da escrita e, depois, da imagem, acedemos hoje à era ciber, era da comunicação informática que vai revolucionar as nossas sociedades e as nossas referências culturais. (?) Estamos no limiar de um mundo novo, electrónico e virtual, tecido por uma vasta teia de aranha de redes electrónicas: a World Wide Web. Não é ?aldeia global?, cara a Mcluhan, mas ?uma cidade mundial virtual? como diz Paulo Virilio.?(pág. 36)

Mas a tecnologia das comunicações é apanágio dos países ricos e encerra, como tal, o perigo de se transformar em mais um instrumento de exclusão dos países pobres, ou de desigualdade entre ricos e pobres, entre ricos de informação e pobres de informação.

A Internet nasceu em 1968, da vontade dos militares americanos de dispor de um sistema infalível contra os ataques, mesmo nucleares. Ligando os seus computadores, tencionavam evitar os cortes de comunicações: se fosse destruída uma via, a informação circulava por outra. Atraindo no princípio um pequeno de intelectuais curiosos, depressa se multiplicaram os net surfers e os espaços destinados a esses utilizadores. É assim que hoje se multiplicam em catadupa os cibercafés, os cibercolégios, as ciberempresas, o ciber-recrutamento, o cibersexo, a cibereconomia, as cibercompras, a ciberpolítica, a ciberguerra, a cibermedicina, a ciberigreja, a ciberimprensa, a cibergeopolítica, a cibermúsica, a ciberarte, a ciberliteratura, etc.

Enquanto se almejava uma interactividade universal, depressa se passou das informações e do saber para os produtos e serviços. A Internet prefigura uma verdadeira revolução comercial em que a nossa sociedade industrialista, baseada numa troca nacional e localizada de mercadorias produzidas em série na fábrica, dará lugar a um mercado mundial e descentralizado de transações económicas. A rapidez, a flexibilidade e a maleabilidade assim o auguram.

(?)

Capítulo II

O SUFRÁGIO É A SONDAGEM


Inicialmente os meios de comunicação foram um instrumento nas mão do poder político. Hoje, no mundo ocidental, tornrama-se passagem obrigatória dos que querem chegar ao poder, e tornaram-se eles próprios um poder de facto. Poder que, inclusivamente, lhes permite fazer a guerra com as palavras, e fomentar a guerra armada.

Exemplos:

A ex-Jugoslávia ? ?(?) a guerra na ex-Jugoslávia foi preparada, orquestrada e, depois, desencadeada com a participação activa dos meios de comunicação sérvios. Não há dúvida nenhuma de que Slobodan Milosevic, chefe do regime nacional-comunista sérvio e arauto do panservismo, construiu a sua máquina de guerra por meio da televisão. A partir de 1986, lançou a sua campanha de propaganda em todas suas direcções. Primeiro, contra os albaneses do Kosovo, depois contra os eslovenos ?separatistas? e os muçulmanos ?fundamentalistas? e, finalmente, contra os croatas ?fascistas?.? (pág. 109-110)

A Argélia ? A perseguição aos jornalistas e a sua eliminação sistemática pela Frente Islâmica de Salvação, é um sinal claro das potencialidades que uma informação livre tem para mudar o rumo dos acontecimentos.

A Rússia ? Desde o princípio de 1995 e da guerra na Tchetchénia foram assassinados vinte e sete jornalistas. Aquando da guerra da Tchetchénia, as autoridades russas tentaram manipular a informação difundida, evitando a emissão das atrocidades cometidas pelas tropas russas e acusando os súbditos de Dudaiev de bandidos cruéis.

A televisão como trampolim político

Mesmo nos países ocidentais democráticos, existem inúmeras coerções de ordem legal e institucional que visam amordaçar a informação livre. O que não impede que, paradoxalmente, os políticos cortejem os meios de comunicação e os instrumentalizem na prossecução de ambições individuais. O percurso político de Berlusconi é um exemplo crasso do equívoco que é acreditar no poder absoluto da televisão, e pensar que as sondagens podem substituir as urnas.

A era das tele- eleições

?As sondagens de opinião tomam dimensões cada vez mais importantes e tende-se a atribuir-lhes o valor de verdade. Enquanto na sociedade baseada na noção de verdade o saber é apanágio de um pequeno número, na sondocracia, o saber e o poder coincidem com a maioria.

Pela primeira vez, a verdade e o poder exprimem-se em termos quantitativos e não qualitativos. A norma equivale à média estatística. Os saberes tradicionais dão lugar à sondagem, ao marketing. Termos como teledemocracia e videocracia, aparentemente contraditórios entre si, exprimem, de facto, um único conceito. Na era do vídeo, o poder da maioria torna-se real. Trata-se de uma democracia, ou poder popular, filtrada pelo ecrã. Mas também se trata de um poder que, em nome da maioria, recusa todo o tipo de limitação e controlo, aplicando um tipo de ditadura, uma democracia antidemocrática.? Carlo Freccero, Le Magazine littttéraire, pág. 135



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