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A media education perspective: Cultures of media practice...



É evidente a forma como os media manipulam, de acordo com a Sociedade e Cultura em que estão implementados, os serviços que prestam ao público, no domínio da informação e do modo como é veiculada. Os media oferecem-nos notícias, pontos de vista, informação e conhecimento. A constru- cão da História passa, hoje, e cada vez mais, pelos meios de difusão que estão à nossa disposição, sejam eles mais tradicionais ? a imprensa, a rádio, a televisão ? ou mais contemporâneos e, cada vez mais, instantâneos ? a internet.

O autor deste artigo introduz uma perspectiva dualística sobre a cultura que está subjacente à utilização dos media e, sobretudo, ao papel educativo que os media podem ter, actualmente, na Sociedade. O exemplo extraordinário da Guerra do Iraque e da sua cobertura pelos media, demonstra-nos que as informações podem ser veiculadas de formas diferentes, de acordo com determinada Cultura dos media ou com estratos sociais dominantes, classes ou etnias. De facto, os media só veiculam a informação que, de certa forma, achem mais pertinente para determinada camada social, e isto deve-se ao facto de não haver uma cultura da prática dos media mas sim de várias culturas da mesma prática.

Os media não fornecem só informação. Fornecem também falta de informação, má informação, omissões deliberadas e mentiras flagrantes. Este facto só poderá fazer com que uma mesma informação seja percebida de diferentes formas, por exemplo, em diferentes sítios e para diferentes pessoas ou camadas sociais. As diferentes culturas da prática dos media podem, muitas vezes, sobreporem-se a entidades ou comunidades sociais, de forma a moldar o conhecimento e a informação. No caso concreto que Nohl refere no seu artigo, na Guerra do Iraque, foi notória a importância dos media na divulgação e até manipulação da informação que todos os dias era providenciada ao Mundo. É importante que, dentro de determinada cultura, se consigam traduzir os conceitos veiculados pelos media para os seus próprios conceitos de comunidade e de padrões culturais.

Os media são assim um veículo privilegiado entre as decisões político-     -estratégicas e as opiniões públicas. O seu poder de informação e manipulação fez com que alguns media assumissem mesmo uma posição militante, com opinion-makers, controlo de audiências, analistas e especialistas em relações internacionais. E, de facto, é a partir daqui que será necessário estudar a ligação entre a prática dos media e a esfera pública. Será que a sociedade consegue refazer o seu conhecimento a partir da cobertura de determinados assuntos pelos media, de acordo com os seus padrões culturais ou, por outro lado, serão os membros destas culturas capazes de introduzir os seus próprios conceitos no debate geral, auxiliados pelos media? Não se perderão factos neste processo de tradução?

A informação é sempre feita por alguém, ou por um conjunto de pessoas, para outro conjunto de pessoas, com o intuito de fazer passar uma determinada mensagem, seja ela mais correcta ou não. A luta que se estabelece, muitas vezes, entre os diferentes meios de comunicação social, é, por si só, um potencial agente de manipulação da informação, conforme interesses políticos, sociais, culturais ou económicos.

Os termos ?media-learning? e ?media-bildung? referem-se ao facto de os media serem grandes potenciadores de aprendizagem social. O primeiro tem que ver com a aprendizagem que é realizada através dos media. O segundo, por sua vez, preocupa-se com as mudanças das atitudes das pessoas face aos assuntos cobertos pelos media (Marotzki, 2004). Tudo isto faz com que os media e as informações que veiculam, sejam vistos como detentores de realidades que se assumem verdadeiras por quem os procura, o que nem sempre poderá corresponder à verdade. Assim como grandes potenciadores de aprendizagem, os media poderão também ser, se usados de forma inadequada, promotores de transformações sociais e culturais que podem descaracterizar a comunidade nos seus padrões sociológicos e psicológicos. As informações que nos prestam são importantes, mas serão, só por isso, mais verdadeiras? Não se podem radicalizar posições. A prática da cultura dos media será sempre diferente consoante as comunidades e entidades sociais a que se dirige e tem sempre um grande objectivo ? o estabelecer de um padrão específico colectivo vinculado pelas suas intervenções. Os media são, nesta medida, quase sempre um meio para se alcançar um fim.

Emanuel Jacinto


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