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Globo: Mocinha ou Vilã?




No dia 15 de março de 1994, Cid Moreira transmitia um direito de resposta concedido pela justiça diante da acusação de Leonel Brizola de que a Globo manteve uma relação cordial com a ditadura durante a vigência desta. Aquele foi um dia de grande audiência, já que a maioria de nós, brasileiros, passa uma média de 700 horas em companhia da Rede Globo de Televisão.

No Brasil rural dos anos 50 as televisões só existiam nas cidades, que abrigavam 30% da população. O rádio e o cinema eram mais populares. Nos anos 60, a cultura começou a se espalhar rapidamente até às zonas rurais com o crescimento da produção de livros e discos, e a TV estava se modernizando. Em 1963, a TV Exclsior contratava Chico Anysio e Gianfrancesco Guarnieri, mas foi boicotada pelos militares pela falta de insenção política. Sugiu a TV Tupi de Assis Chateubriand, que veio a falir em 1979.

Eis que surge a Globo de Roberto Marinho, em 26 de abril de 1965. Veio cheia de novidades, tinha um padrão de programação que não mudava, estava de acordo com os propósitos da ditadura na época: era moderna e ajudaria na expansão da televisão no país. O grupo americano Life-Time era um investidor com 30% dos lucros naquela época. Era um escândalo, já que esse contrato não obedecia às normas da lei, e foi criada uma CPI sendo depois arquivada, e o grupo Life-Time desistiu do contrato.

Em 1969, com um incêndio ocorrido em São Paulo, a Globo passou a transmitir a programação do Rio de Janeiro, se tornando a primeira emissora nacional. Isto estava de acordo com o que os militares queriam, ou seja, a unificação do país para maior proteção do território diante das ameaças estrangeiras. Com megaprojetos nesse sentido, o governo bancou a compra de televisores sem juros abrindo linhas de crédito à população com a intenção de acelerar a unificação do país através da televisão.

Foi dessa forma que a Globo conseguiu juntar o país em um universo coletivo comum, que até 1969 possuía contrastes marcantes de regionalidade nos modos de falar, de se comportar e pensar. Nesse grande cenário existia também um controle sobre a Globo, pois, os militares encrencavam até com figurinos que eram usados no ar. Existiam também várias afiliadas da Globo que pertenciam a políticos, inclusive os Collor. Durante algum tempo, o jornalismo da emissora se manteve tão alheio à ditadura que surgiu o lema nas passeatas ?O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo?.

Roberto Marinho já tinha poder a ponto de demitir ou contratar ministros, então o governo abriu concorrência para novas concessões de TV, e vieram o SBT e a Manchete.

Quem pensa que a Globo se transformou numa poderosa emissora apenas através de barganhas políticas ou truques se engana. A técnica de vídeo da emissora só perde para as películas de Hollywood. É a maior produtora de televisão do mundo com 2546 horas de programação em 2004, que são 1000 longa-metragens. Suas novelas contam com um estilo muito avançado lançando sempre temas atuais estraídos de histórias verossímeis da sociedade brasileira. Quem não se lembra de Senhora do Destino?

A emissora também trata dos vários conflitos ideológicos sempre se antecipando, seja nas questões de patriarcalismo, ideal de família, relações familiares, feminismo e sexualidade. A política não fica de fora, basta que nos lembremos de Roque Santeiro, que foi censurada em 1975 para ir ao ar em 1986, Que rei sou eu? e O Bem-amado.

O modelo de programação da Globo é a sua principal marca. A capacidade de inovação e adaptação mantendo esse modelo como tradição é insuperável. Nos últimos 40 anos a Globo colaborou com os governos, mesmo os ditatoriais. Mas não deixou de cumprir seu papel de unificar e trazer desenvolvimento ao Brasil. Se alguns julgam a emissora pelos seus erros, perguntemos: quem não erra?

Contudo a Globo se mostra um grande empreendimento em todos os sentidos para o Brasil.



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