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A QUESTÃO ÉTICA DO JORNALISMO E A LEITURA CRÍTICA DOS JORNAIS NAS ESCO



Para Cheida as instituições de ensinos, públicas e privadas, estão sendo um alvo em potencial das empresas jornalísticas, mais especificamente a partir da década de 1990. Porém, se por um lado há um mérito nessa abordagem, em contrapartida há uma questão muito séria a ser considerada que diz respeito à leitura crítica desses jornais, pois não há uma preocupação com a linguagem reflexiva sobre os assuntos abordados.

No entanto toda iniciativa que venha auxiliar o estímulo a leitura em um país que esse não é um hábito dos mais incentivados, vale a pena tirar o máximo proveito em prol da educação, e em especial do ensino da Língua Portuguesa.

Preocupante é a afirmação de que a informação jornalística é composta por 50% de fatos e 50% de ficção. O que revela o lado impreciso e irresponsável dos jornais. Pois, considera-se que a ideologia de uma empresa jornalística nem sempre condiz com o espírito de cidadania. Posto isso, o autor afirma que,

o exercício de leitura dos jornais requer uma atenção multiplicada para haver uma seleção informativa que resulte, mesmo, na compreensão do caminho adotado editorialmente por determinada mídia (CHEIDA)

            Um dos grandes intelectuais que devem ser notados neste texto é Henry Louis Mencken (1988).

O problema dos jornais do primeiro escalão é que quase todos estão hoje nas mãos de homens que vêem o jornalismo como uma espécie de linha auxiliar para empreitadas maiores e mais lucrativas - como um meio conveniente de enrolar e anestesiar um público, que, de outra forma, se voltaria contra eles. (O que, de certa forma, acontece quando os jornais marrons se voltam contra eles e os expõem).

            Percebe-se que a afirmação de Mencken é tão atual quanto verdadeira, pois em detrimento de interesses particulares das empresas jornalísticas, a informação correta e precisa fica comprometida.

            É justamente por esta razão que apesar de desafiador, é de extrema importância o trabalho com leituras de jornais em sala de aula. Por mais conflitante que seja, é necessário que os leitores sejam levados a perceber as pequenas nuances que um editorial ou uma notícia pode revelar além do textual, do discurso aparente.

O papel do professor adquire uma dimensão crítica, de fato orientadora, de modo que a relação com os jornais não seja a de submissão ou de encantamento com a persuasiva campanha publicitária que hoje manipula as informações também no campo da educação.

Motivados pelo consumismo, os jornais centralizam seu marketing para aquilo que lhes dê uma rentabilidade econômica, e consequentemente, os valores culturais e morais são deixados para segundo plano. Incentivados por uma globalização dominantemente capitalista, todo valor político, ético ou religioso é reduzido a uma troca monetária, a qualquer preço, incitando a sociedade a consumir mais e mais, fazendo com que, em escalas crescentes, se solidifique o comportamento de consumo.

Ainda que as campanhas tenham a intenção de educar o seu objetivo primário será sempre o de condicionar condutas. Usando para tais propósitos técnicas propagandistas bastante redundantes, com repetição de imagens e de textos, de forma distanciada da realidade.

A educação é também um instrumento indispensável para ensinar os homens a comunicar melhor e a aproveitar melhor os intercâmbios que se estabelecem entre eles. Entre a comunicação e a educação há uma relação recíproca, que se enriquece constantemente (MacBride, p.39).

            Dessa forma, não há como separar educação e comunicação, pois uma esta totalmente imbricada na outra.

            Atualmente os leitores têm uma dimensão mais crítica das informações e cobram dos jornais um trabalho mais condizente com as demandas sociais.  No entanto, a displicências de muitos jornalistas e empresários não atendem a esse anseio, acobertados pela desculpa de que não há tempo devido ao processo industrial ou que o mercado assim determina, ou seja, a sociedade aceita qualquer produto sem um mínimo de qualidade.

Os jornalistas, na ânsia de atender as organizações de poder e suas fontes ditas verdadeiras acabam por não exercer sua liberdade de expressão dando ao público uma informação não fidedigna.

            A grande questão é, qual seria a principal responsabilidade do jornalista que deve ser reivindicada pelo público, em especial, nesse caso, pelos professores e estudantes?

É a de atender permanente e honestamente o direito à informação reconhecido na Constituição Federal (incisos XIV, XXXIII e XXXIV, artigo 5º) e no código deontológico da profissão. Subordinar-se ao direito que o cidadão deve usufruir na sociedade da informação é um dever fundamental do jornalista e, portanto, dos jornais (CHEIDA)           

No entanto, percebe-se que todos os jornais visam atingir os sentidos de seus leitores, ouvintes ou telespectadores. Para isso, fazem uso de sensacionalismos e acabam por deformar o conteúdo do assunto abordado.

Contudo, os jornalistas mais conscientes, ao longo do século passado aprofundaram as discussões que permeavam a suas responsabilidades éticas. No Brasil, o primeiro código deontológico foi aprovado somente me 1986 pelo Congresso da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) a fim de orientar o trabalho desses profissionais numa conduta ética. Infelizmente, como é percebido, os jornais não costumam seguir tal código.

Vale ressaltar que a leitura crítica de um jornal na perspectiva política, econômica, social e ética exige uma abrangência temática e um rigor crítico para alcançar uma reflexão conseqüente, desalienante e sistematizada.

            A ética torna-se essencial como referência reflexiva, por razões valorativas que conectam o sujeito-leitor ao mundo das relações de poder.

            A informação vinculada nos jornais, jamais deve ser manipulada somente como um produto mercadológico,  deve ser um bem social que sirva ao público.


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