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História do Casamento e do Amor. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.



O livro é uma análise das peculiaridades do sistema matrimonial inglês no período de 1300 a 1840. O autor afirma que, neste período, o sistema de casamento Malthusiano operou como um importante instrumento de regulação automática das taxas de crescimento da Inglaterra. Destaca que a partir do momento em que a sociedade amplia a competitividade, o casamento passa a ser orientado por uma análise racional dos custos e benefícios envolvidos nesta possível relação; um processo que trouxe conseqüências sociais significativas. O sistema de casamento europeu passou a se orientar a partir de escolhas individuais, livres da ?natureza? e da tradição. Homens e mulheres eram incentivados a escolher, por livre e espontânea vontade, se desejavam casar ou não. Malthus explicava este processo a partir da análise de quatro características desenvolvidas em graus bastante elevados na Inglaterra (i) ética geral aquisitiva, (ii) sociedade hierárquica e desigual, (iii) instituição da propriedade privada e (iv) padrão geral de vida bem acima do nível de subsistência. Macfarlane afirma que Malthus e seus seguidores isolaram um problema e transformaram-no em uma questão. Na situação ?natural? a fertilidade é descontrolada e acaba sendo detida por dois mecanismos: a contínua e elevada mortalidade ou o movimento onde a população cresce vertiginosamente até ser detida por uma crise. A maneira de romper com este problema seria a racionalização da vida conjugal, principalmente com relação a quando se casar e ter ou não ter filhos.
A racionalidade ligada à opção individual pelo relacionamento conjugal marca a passagem de um tipo de casamento a outro: do sistema ?tradicional? ou ?familiar? ao ?moderno? ou ?individualista?. Trata-se da transição para o sistema ocidental, capitalista, de família nuclear e individualista.
Na segunda parte do texto, o autor discute ?o valor dos filhos?. Ele afirma que em sociedades tradicionais, ?a principal característica do casamento era ser um meio para ter filhos. Os filhos eram vistos como uma riqueza e uma extensão do indivíduo, assim como do poder e da família? pg. 65. No sistema proposto por Malthus, ao contrário, os filhos são encarados como um encargo, que deve ser pensado antes de realizado. O que passa a existir é uma relação de custo/benefício a ser analisada com relação aos filhos. Macfarlane destaca que parte da transformação produzida pelo capitalismo, é fazer com que os filhos passem a serem vistos também como um problema, um custo. Porém, como estão relacionados à proteção, ajuda na doença, na velhice, em momentos de escassez, caberia a cada indivíduo escolher entre tê-los ou não tê-los. A terceira parte do livro analisa ?as finalidades do casamento?. Macfarlane destaca que ?Malthus aceitava implicitamente que a escolha do parceiro e a decisão de casar era do indivíduo. Isso estava de acordo com o casamento seletivo e tardio, e com a avaliação de custos e benefícios que ele advogava. Mas era uma abordagem cultural bastante incomum? p. 131. Tratava-se de um período de transição entre duas formas de perceber a vida conjugal, a maternidade e a paternidade. Uma das chaves para o entendimento do sistema Malthusiano reside no entendimento das razões para o casamento. Na maioria das sociedades à época de Malthus, as razões estavam ligadas à procriação, produção de herdeiros, importância política, religiosa e social. Quando a procriação deixa de ser a finalidade principal, os objetivos centrais e propósitos passam a ser econômicos e psicológicos. As relações conjugais se colocam como a busca pelo equilíbrio entre as necessidades práticas e as inclinações pessoais dos indivíduos. O casamento vai se constituindo como um empreendimento psicológico e econômico podendo existir tensão entre estes dois quesitos. Macfarlane destaca que a passagem de uma situação em que o relacionamento conjugal subordina-se a outros relacionamentos sociais para uma nova visão (dominante no ocidente) onde passa a ser considerado o vínculo mais profundo e duradouro da vida, acarreta numerosas conseqüências. Altera a natureza do casamento e os papéis de homens e mulheres. Uma destas conseqüências é demográfica. A substituição de vínculos familiares e entre pais e filhos pela relação marido/mulher diminuiu a pressão para ter filhos. O casal passa a se bastar um ao outro e os filhos tornam-se, de certa forma, um luxo. A contracepção permite que casais tenham poucos ou muitos filhos de acordo com sua própria vontade. Na quarta parte do livro, o autor discute ?as normas do casamento? e pergunta: Quando se casar na Inglaterra no período analisado? Indica que os indivíduos acreditavam que além de estarem aptos física e economicamente, deveriam estar aptos psicologicamente. Era necessário que suas personalidades tivessem deixado para trás a turbulência da juventude e alcançado a suposta serenidade da maturidade. Os ingleses tendiam a considerar a maturidade como algo necessário ao casamento. Além disso, pensavam que esta ocorria relativamente tarde na vida. O casamento pressupunha escolha voluntária, monogâmica e para toda a vida. A indissolubilidade do casamento era claramente um de seus principais custos. Casar se coloca como uma estratégia de alto risco. Naquele momento, um casamento bem sucedido deveria ocorrer quando os noivos possuíssem (i) local de moradia, (ii) móveis, utensílios de cozinha, cama e roupas; (iii) perspectiva de rendimentos segurados pelos anos seguintes e (iv) tivessem algum dinheiro a mais para cobrir os custos iniciais.


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