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Theory in Anthropology since the Sixties III





Este movimento era demasiado economista, demasiado estritamente materialista; assumia que virtualmente tudo o que era estudado já tinha sido tocado pelo sistema capitalista mundial e que a História vem de fora da sociedade em estudo (esquecendo a História dessa sociedade).


Ortner verifica que a Antropologia na década de 70 não era acerca de pessoas reais que faziam coisas reais mas sobre a acção humana estruturada ou sistematicamente determinada, em claro contraste com a década seguinte.


De facto, segundo a autora, os pontos centrais da Antropologia Social na década de 80 do século XX são a  prática  e o praticante. Um dos primeiros contextos nos quais uma abordagem da prática se desenvolveu foi o da Antropologia Feminista, embora o conceito tenha extrapolado o campo da Antropologia. Como a abordagem da prática é diversa, a autora (que escreve este texto ainda a década vai a meio, como foi dito no início) escolhe seleccionar um número de trabalhos para discussão e não analisar as suas muitas linhas. Esta abordagem foi elaborada em oposição aos pontos de vista dominantes nas décadas anteriores ainda que complementando-os: é uma interpenetração entre os modelos marxista e weberiano. A autora escolhe expô-la através de uma série de perguntas às quais responde imediatamente:


O que está a ser explicado?  É a relação entre a acção humana e o ?sistema?, sendo este um todo integrado de esquemas organizacionais não decomponíveis em unidades básicas hierarquizadas (ainda que algumas possam ser hegemónicas sobre outras), ou seja, a teoria da prática pretende explicar a génese, reprodução e mudançada forma e do significado de um determinado todo social/cultural.


O que é a prática?  Na verdade é tudo o que as pessoas fazem, mas particularmente de um ângulo político. As suas unidades activas são os actores individuais e não entidades colectivas (estas são tomadas metodologicamente como um indivíduo), que actuam a curto ou, segundo muitos autores, no dizer de Ortner, a longo prazo de acordo com planos estereotipados e providenciados culturalmente e com escolhas e tomada de decisão pragmáticas e calculadas activamente.


O que motiva a acção?  O que motiva os sujeitos são os seus próprios interesses, eles actuam para obter o que querem, que é o que é material e politicamente útil para eles mesmos. Esta teoria é essencialmente racional e vê as acções como sendo de curto prazo e não projectos a longo prazo, pelo que outra teoria, mais sistemática, explica que os sujeitos, ao invés, agem para resolver problemas que lhes são colocados pela complexidade das situações. Na verdade, segundo a autora, os sujeitos que actuam são motivados tanto pela procura de um ideal próprio como pela resolução de problemas.











 










 









A visão de como o sistema afecta a prática mudou da visão ?cultura guia o comportamento? para uma visão ?cultura restringe o comportamento?: uma vez que há só uma realidade constituída culturalmente e que os sujeitos estão inclusos nela, o sistema como um todo exclui configurações alternativas. A prática reproduz o sistema por socialização ou por ritual ou, segundo a abordagem da nova prática, nas rotinas do dia-a-dia. Acerca de como o sistema pode ser alterado pela prática a autora faz a oposição entre Marx e Sahlins, já que este enfatiza a importância das alterações de significado das relações, unindo mecanismos de reprodução e transformação. Uma Os produtos das acções dos sujeitos raramente são aquilo que estes pretendiam que fossem.


Em conclusão, a autora mais uma vez sublinha o carácter pessoal da visão sobre a Teoria Antropológica exposta neste texto, que se centra na dicotomia entre História e prática, considerando esta como palavra-chave da Antropologia da década de 80, e sugerindo uma reaproximação entre a Antropologia e a História, uma vez que a perspectiva da prática não é perfeita nem um ponto final na discussão.




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