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Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e a historigrafia brasileira - Parte I



Fazendo parte de uma grande geração de intelectuais, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jr. relêem a história do Brasil de um novo lugar social, que é a universidade brasileira. Por sua vez, esta instituição tem suas normas, modelos, práticas e preocupações, situação que vai estruturar toda uma leitura de redescoberta das origens do país, na qual a sociedade figura como tema principal. Desta maneira, estes estudiosos percebem a história nacional não apenas através de sua política e de suas elites, mas também através de sua cultura, suas raízes e suas tradições.
Ao analisar o Brasil contemporâneo através do desenvolvimento de sua sociedade, estes pesquisadores exibem em seus trabalhos algo em comum, ao mesmo tempo em que diferenciam suas leituras através de suas referências teóricas, de seus instrumentos metodológicos e de suas demandas particulares. Devido a estas circunstâncias, o que se percebe são divergências e corroborações nos trabalhos propostos por Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jr., que ao estudarem a temática das origens da sociedade brasileira, apresentam importantes obras para a historiografia nacional.
Gilberto Freyre em seu livro Casa Grande e Senzala
, editado na década de 30 do século passado, apreende a sociedade brasileira, principalmente, através do hibridismo das três raças que constituem a maior parte da população do Brasil. Através desta entrada, Freyre exibe a mistura entre negro, índio e branco como algo positivo, pois, ao seu entendimento, a miscigenação é um dos elementos chave na conquista dos trópicos. Assim, este autor exibe uma reinterpretarão da mestiçagem da população brasileira, indo diretamente contra as teorias da época na qual sua obra foi lançada.
Freyre mostra os portugueses como um povo indefinido, que por si só já é híbrido, de sangue mourisco nas veias, vivendo em um país situado no limiar ocidental da Europa, ajustado ao clima do norte da África. Ele exibe a população portuguesa como um povo apto a colonização dos trópicos, devido ao seu caráter prontamente miscigenado, de grande mobilidade, de fácil adaptação às circunstâncias e ao clima. Assim, é na mistura desta gente já miscigenada, ao índio e ao negro, que Freyre percebeu o triunfo da colonização européia. Afirmando em seu livro:
o português não: por toda aquelas felizes predisposições de raça, de mesologia e de cultura a que nos referimos, não só conseguiu vencer as condições de clima e de solo desfavoráveis ao estabelecimento de europeus nos trópicos, como suprir a extrema penúria de gente branca para a tarefa colonizadora unindo-se a mulher de cor. (1988, p.51)
Ao afirmar o benefício da miscigenação à colonização, Freyre expõe e argumenta algumas questões relevantes para se entender à sociedade e sociabilidade brasileira. Em Casa Grande e Senzala
, este intelectual exibe ao Brasil a face agrária, escravocrata, patriarcal e híbrida da nação. Apresenta a sociedade brasileira através de sua cultura e de seus costumes, evidenciando o país como uma resultante, totalmente original, daquelas nações e povos que o formaram.
Outra questão abordada por Freyre, em seu livro, é a importância da família patriarcal na colonização e na formação da sociedade brasileira. Para ele, a família rural é o grande agente colonizador do território. A família patriarcal é ? o vivo e absorvente órgão da formação social brasileira, que reuniu sobre a base econômica da riqueza agrícola e do trabalho escravo, uma variedade de funções sociais e econômicas? . (ibidem, p.60)
Gilberto Freyre mostra que os vícios sociais não são por causa da miscigenação brasileira, mas sim, por causa atmosfera da monocultura escravocrata e da família patriarcal, que interferia diretamente no mando político. Ele vai diretamente contra a leitura evolucionista da época, ao contrapor a idéia de que o brasileiro era degenerado por causa do sangue negro e indígena, ao mesmo tempo em que revoga o etnocentrismo, ao avaliar a cultura brasileira através de valores próprios.
Portanto, Gilberto Freyre mostra em sua obra uma sociedade cheia de antagonismos ao expor a escravidão e o intercâmbio sexual, o contrate entres as três culturas formadoras do país, o sincretismo religioso. Ao buscar as origens da sociedade brasileira, ele apresenta uma sociedade nova, fomentada por diversos valores, original em relação às culturas que a constituiu. O que se vê em seu trabalho é uma forte referência ao culturalismo, que, segundo suas palavras, é:
resultado de uma combinação nova de várias culturas que após um período mais ou menos agudo de crise, caracterizado por antagonismos ou divergências de ordem cultural, tenha atingido uma fase ou estado de interpretação fecunda de valores diversos daí resultando uma cultura diferenciada das de qualquer das origens. ( Idem, 1952)

Continua na parte II


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