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Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e a historiografia brasileira - Parte III



Outra obra de grande valor a historiografia brasileira é o livro Formação do Brasil Contemporâneo, publicado pelo pesquisador Caio Prado Jr., em 1942. É nesta obra que ele apresenta a continuidade das estruturas coloniais na economia e na sociedade do Brasil presente. Para tal, ele parte da premissa de que a história tem em sua evolução um sentido, ou seja, uma orientação que norteia os rumos da sociedade e da economia.
Por sua vez, Prado procura na origem da colonização o sentido histórico que baliza o presente nacional. Ele segue sua análise enfatizando a história do Brasil como um processo particular, que faz parte do processo geral que é a história do mundo moderno. Assim, ele percebe a colonização dos trópicos como um capítulo da história do comércio europeu, e, conclui que o sentido desta é dado pela empreitada comercial. É após esta conclusão que sua argumentação se torna enfática, pois é a partir deste sentido que ele entende as estruturas que vão perpassar na sociedade de seu momento.
Em sua análise, Prado aborda questões deste passado colonial, geradas pelo sentido comercial, para sugerir algumas continuidades em questões do presente. Entre estas abordagens estão à economia agro-exportadora, arranjo econômico criado no passado e existente no presente; a escravidão moderna, decorrente da necessidade de mão-de-obra, que, segundo este autor, não contribuiu positivamente a sociedade, devido a sua função de mero instrumento gerador de força produtiva; o setor inorgânico da sociedade, formado por indivíduos que não se encaixam naquele perfil bipolar constituídos por senhores e escravos, não possuindo alguma força social; e, a família patriarcal, órgão basilar do domínio rural e da sociedade colonial, ainda presente na primeira metade do século XX.
Portanto, é a partir desta conclusão sobre o sentido comercial da colonização que Caio Prado Jr. tece a rede entre passado e presente, em uma frágil acepção evolutiva, devido à falta de rupturas. Ele identifica estruturas geradas pela empresa comercial, que estão intricadas não só em seu presente, mas em todos os momentos da história do Brasil, gerando um continuísmo político entre colônia, império e república.
Seguindo uma matriz marxista, Caio Prado Jr. percebe a história brasileira através do sentido evolutivo proposto por Marx. Sua construção de texto é bem clara em relação seus referenciais teóricos, devido ao uso de termos e estruturas de pensamento marxistas. Por diversas vezes ele propõe em sua análise questões referentes a relações de desigualdade, a meios de produção e força de trabalho, a luta de classe, entre outras concepções de caráter marxista. Ao ver na história do Brasil um sentido, este autor recorre claramente ao materialismo histórico, que evidencia o permanente processo de produção de necessidades fundamentais ao capitalismo.
Deste modo, o que se percebe é o comum interesse nestes três autores ao buscarem no passado colonial subsídios que expliquem um Brasil contemporâneo a eles. A explicação da nação brasileira, através da temática de sua origem, é o principal traço de congruência entre estas três diferentes maneiras de perceber a sociedade brasileira.
Simultaneamente a esta linha geral de atuação existem outros pontos argumentativos que merecem destaque. Entre estes assuntos, pode-se citar a importância da família rural e patriarcal para o estudo da sociedade brasileira, que, em linhas gerais, é vista pelos três como uma herança ibérica que estrutura grande parte da organização política e social da nação. Outra questão comum, apesar de aparecer de forma divergente nas obras, é o grau de importância da escravidão africana e da miscigenação na sociedade. Para Freyre, estes são as representações do triunfo da colonização, devido ao seu caráter povoador, benéfico e culturalista. Para Sérgio Buarque, a escravidão africana é um dos elementos que sustenta a cultura do ócio, umas das principais características do grande agente colonizador, o aventureiro. Para Prado, a escravidão não contribui positivamente devido a sua funcionalidade, além de proporcionar uma população sem força social, que não está inserida dicotomia senhor e escravo, base da luta de classe do passado brasileiro.
Por fim, deve aqui também se destacar a visão que cada um tem sobre quem é o grande agente colonizador dos trópicos. Para o primeiro, a família rural, de caráter patriarcal, é a grande fonte da colonização. É ela que contribui à povoação do território. Para o segundo autor, o grande agente colonizador é o aventureiro, que com sua mobilidade e adaptabilidade desbravou um território ainda inóspito. E, para o último, o grande atuante da colonização foi a empresa comercial, que balizada por Estado mercantil, proporcionou necessidades inerentes a colonização.
BIBLIOGRAFIA COSTA, Iraci del Nero. Repensando o modelo interpretativo de Caio Prado Jr.
Disponível em: <http://idicosta. Tripod.com/lex/ar68.pdf> Acessado em: 13 de agosto de 2007. FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala.
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In: _____ Diário de Pernambuco. Recife: 1952. Disponível em: <http://bvgf.fgf.org.br/frances/obra/artigos/imprensa/ainda_nacionalidade.htm>.Acessado em: 13 de agosto de 2007. HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasi
l. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo.
São Paulo: Publifolha, 2000.


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