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O que é o Brasil?: O jeitinho e a malandragem




O modo de navegação social: a malandragem, o ? jeitinho? e o ? você sabe com quem está falando??

Roberto DaMatta, estudioso dos costumes e hábitos do Brasil, propõe neste capítulo de seu livro ?O que é o Brasil?? analisar os fenômenos do jeitinho, da malandragem e o ?você sabe com quem está falando??.

Ele diz que há duas esferas que permeiam a vida do brasileiro, a ?casa? que é onde predominam os valores familiares, a esfera privada, o relaxamento, a hierarquia e valores pessoais; e a ?rua? que é onde predominam o trabalho, a esfera pública, a continência, os valores igualitários, o indivíduo, o Estado e o universal.

Dentre e entre estas duas esferas é onde acontece a vida do brasileiro e os tais ?fenômenos? teriam surgido da dificuldade deste de se adaptar aos valores igualitários da rua, em detrimento dos valores pessoais e hierárquicos da casa. Segundo DaMatta, tais fenômenos também ocorrem porque a lei no Brasil não corresponde à realidade dos que a vivem, e propõe o seguinte exemplo: diante de um agente do estado (cobrador, caixa, policial, etc) que impõe ao cidadão a dura frase: ?não pode!?, este recorre a valores da casa, tenta evocar uma certa familiaridade com o agente do estado para obter um certo privilégio e transpor o terrível ?não pode!?, eis o famoso ?jeitinho? brasileiro. Já o ?você sabe com quem está falando?? seria uma versão extremada e corrompida do jeitinho, e também muito menos simpática, esta versão aparece quando o cidadão, por ter qualquer relação com alguma figura importante que goza de certo status social, seja médico, advogado, político ou etc, se acha no direito de invocar esta sua familiaridade para transpor o ?não pode!? e age com repressão contra a repressão, gerando sempre uma situação desconfortável.

A malandragem, então, seria o modo profissional de botar o jeitinho em prática, e o malandro seria seu expert, o malandro seria também uma espécie de profissional em levar uma boa vida, usando sempre a malandragem para atingir seus objetivos e conseguir privilégios. Mas esta malandragem não seria violenta, não uma forma de coerção, mas sim um modo elegante, simpático de passar a perna nos outros, usando a lábia e a sedução ao invés de ameaça e violência.

DaMatta diz que grandes coisas boas e horríveis acontecem graças ao jeitinho, é graças a ele que o brasileiro consegue levar a vida ganhando pouco dinheiro e respeito, graças a ele muitas obras de arte são produzidas, mas é também no jeitinho que está a raiz da corrupção dos políticos.

DaMatta conclui o capítulo dizendo que o jeitinho é nosso desde as nossas bases, e usa como prova um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, em que este, aproveitando-se de sua familiaridade com o rei, o pede que lhe envie seu genro da ilha de São Tomé. ?E conclui, seguindo o nosso melhor figurino de malandragem: ?Beijo as mãos de vossa alteza. Deste Porto Seguro de Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta feira, primeiro dia de maio de 1500. Pero Vaz de Caminha.? Será que é preciso dizer mas alguma coisa??



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