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As IDENTIDADES






  1. AS IDENTIDADES



?Sua carteira de identidade, bem nomeada, comporta somente duas ou três de suas pertinências, dentre as que ficam fixas durante toda a sua vida, pois você continua macho ou fêmea e filho de sua mãe: na verdade, sua autêntica identidade se detalha e, sem dúvida, se perde em uma descrição da infinidade virtual de tais categorias, indefinidamente cambiantes com o tempo real de sua existência: ontem, você ingressou em um clube de ciclismo, por causa de seus talentos, amanhã, por opinião, você adere a um partido político, e esta manhã, vencedor em uma determinada prova, você foi aceito, por concurso, em um determinado grupo de peritos. Quem é você, afinal? A interseção, flutuante pela duração, desta variedade, numerosa e bastante singular, de gêneros diversos. Você não pára de tecer e coser seu próprio manto de Arlequim, tão matizado ou confuso quanto a carteira de seus constrangimentos?.  (Michel Serres ? Pertinência e Identidade).


Para elucidar a questão de como se configuram a questão da identidade na pós-modernidade tomamos como ponto de referência para interlocução, especialmente, a produção teórica dos pesquisadores Néstor Garcia Canclini e Stuart Hall. Segundo Néstor Garcia Canclini, o rádio e o cinema contribuíram na primeira metade deste século com a organização dos relatos da Identidade e do sentido de cidadania nas sociedades nacionais. A mídia, com seus noticiários colocavam as sociedades em contato e informavam sobre os modos de vida na cidade. A partir dos anos 80 com a abertura econômica de vários países, os referentes das identidades nacionais começaram a ser postas em questão. Canclini conclui que; a questão de identidade, hoje, mesmo nos amplos setores populares, é uma identidade "poliglota, multi-étnica, migrante, feita com elementos mesclados de várias culturas". Canclini acredita que: para comprender a questão das identidades, não se pode lançar mão apenas de uma única disciplina (a antropologia ou a sociologia política), mas sim, de um trabalho transdisciplinar, na qual intervenham especialistas de diveras áreas como: comunicadores, semiólogos, urbanistas, economistas, biólogos, etc. Pois, no dizer de Canclini: "a identidade é teatro e é política, é representação e ação". Segundo ele, vamos nos afastando da época em que as identidades se definiam por essências a-históricas. Atualmente, as identidades parece se configurarem no consumo, dependem daquilo que se possui, ou daquilo que se pode chegar a possuir. O consumo projeta a identidade dos indivíduos, fazendo-os ?consumidores e cidadãos?. Consideramos ainda que merece grande destaque no debate das identidades os trabalhos do jamaicano Stuart Hall. Para Stuart Hall, o sujeito pós-moderno não mais tem uma identidade fixa e estável.  Hall entende que o individuo da pós modernidade tem sua identidade construída e permeada pelos diversos sistemas culturais que o rodeiam. Segundo ele, a identidade tornou-se uma ?celebração móvel?, dando a entender uma identidade mais volúvel, flexível às mudanças, o que poderíamos chamar de identidades ?efêmeras?, ou em suas palavras: ?descentradas?.  Nas palavras de Stuart Hall:  "Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas ? desalojadas ? de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem ?flutuar livremente?. Somos confrontados por uma gama de diferentes identidades (cada qual nos fazendo apelos, ou melhor, fazendo apelos a diferentes partes de nós), dentre as quais parece possível fazer uma escolha". Hall faz um procedimento analítico ao descrever o processo de deslocamento das estruturas tradicionais ocorrido nas sociedades modernas, assim como o ?descentramento? dos quadros de referências que ligavam o indivíduo ao seu mundo social e cultural. Hall argumenta ainda que: as sociedades contemporâneas são ainda caracterizadas pela "diferença", atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que "demarcam", de certa forma, diferentes "posições de sujeito" e sua identidade de forma geral, sendo ainda, portanto, possível escolher dentre as inúmeras identidades possíveis. Ao falar sobre as culturas nacionais como ?identidades imaginadas?, Hall acredita que: pensamos nas identidades nacionais como se elas fossem parte essencial de nossa natureza. Embora, segundo ele, elas não estão impressas nos nossos genes. Não nascemos com as identidades nacionais, pelo contrário, a identidade é formada e transformada por um conjunto de significados que lhes são apresentados. Portanto, uma nação é uma comunidade simbólica. Uma cultura nacional não é composta apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. A articulação dos diferentes elementos, segundo Hall, possui também características positivas uma vez que ao desarticular as identidades estáveis do passado abre a possibilidade para a "criação de novas identidades" e a produção de novos sujeitos na contemporaneidade.




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