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O CARNAVAL EM SALVADOR-BA: DA FOLIA DE RUA PARA OS CLUBES SOCIAIS (188




O Carnaval da Bahia no século XIX

Segundo Waldeloir Rego, o carnaval teve origem no Entrudo, jogos e brincadeiras realizadas nos 40 dias anteriores a quaresma e que chegaram ao Brasil junto com os portugueses. No Brasil, o entrudo consistia numa guerra de limões, água, ovos ou farinha, uma brincadeira onde os menos favorecidos se divertiam e promoviam, algumas vezes, atos violentos e confusões. Mas havia também os grupos negros que levavam às ruas as danças e musicas africanos ou inspiradas na África. Essa festa era considerada desordeira e perigosa pela elite, pela imprensa e pela polícia, que combatiam e tentavam acabar com o entrudo, por ser uma festa popular e de grande participação dos negros.

Hidelgardes Viana em seu artigo ?Do Entrudo ao Carnaval?, publicado em 1965 para a revista brasileira de folclore, já se falava em carnaval na Bahia por volta de 1840 .O termo era associado aos bailes de mascaras, realizados pela alta sociedade baiana.

Paralelo aos primeiros bailes de carnaval, as brincadeiras entrudisticas tomavam as ruas de Salvador em meados do século XIX, pessoas em bandos saiam às ruas usando ?Caretas? os chamados Iôiôs e Mandus.

Sob esta pratica haviam restrições impostas pela Câmara, que proibiam o uso das mascaras e de ?Caretas? pelas ruas da cidade. E esse que ousasse sair as ruas usando estes adereços deveria pagar uma multa ou pagava oito dias de prisão.

Salvo se, para isso a Câmara, mediante uma razoável gratificação para o cofre do conselho, concedesse licença, registra Hidelgardes Vianna.

Mesmo sobre forte pressão policial, que buscava impedir o jogo do entrudo, punindo os responsáveis com pagamentos de multas e os escravos com castigos severos, ao se aproximar o domingo anterior à quaresma muita entrudavam.

A noite principalmente, os transeuntes eram incomodados pelas seringas de água , laranjinha e limões-de-cheiro , bacias de água suja e outros líquidos menos outros líquidos ?menos cheirosos?, relata Hidelgardes Vianna

Os Bailes por volta de 1860 vão ser realizados no teatro São João os primeiros bailes da elite baiana localizado na praça castro Alves este teatro organizava inúmeros bailes de carnaval, ao som de quadrilhas baseados em trechos da opera italiana ?A traviata?, valsas e polcas.

Nos bailes a elite baiana aproveitava a ocasião para desfilar suas luxuosas fantasias importadas da Europa.

Na segunda metade do século XIX, entendia-se que era preciso criar outra forma de brincar o carnaval, adotar um modelo que pudesse por fim ao entrudo, então varias comissões passaram a ser nomeadas pelo chefe de policia: uma comissão central e comissões paroquiais, que distribuíam mascaras, facilitavam a aquisição de cordas de bandeirinhas e arcos de papeis coloridos, alem de providenciarem bandas de musica.

Os subdelegados foram autorizados a distribuir mascaras a quem quisesse brincar o Carnaval de rua, facilitando o acesso de todos aos adereços para os festejos, e providenciando inclusive os conjuntos de musica.

Este modelo foi prontamente aprovado pelos comerciantes da época, que logo passaram a vender acessórios e indumentárias: pierrôs, colombinas e dominós.

Em oposição ao entrudo existiam na cidade do Salvador e nas principais cidades do estado, os bailes particulares realizados nos clubes ou nas mansões onde a elite baiana dançava ao som de polcas e óperas, ostentando riqueza nas roupas e jóias que usavam. Os pobres e os negros não podiam entrar nesses bailes, onde a alta sociedade baiana se protegia da agressividade dos entrudos e imitava o estilo do carnaval europeu.

Essas duas situações criaram e mantiveram por muito tempo o carnaval dividido por classe e raça. Os pobres e negros eram mantidos na periferia da cidade enquanto os ricos se divertiam nos mais atrativos pontos e festas da cidade.

Nos últimos vinte anos do século XIX o carnaval começa a substituir o entrudo, dando aos festejos de rua características européias e elitizadas. Foi organizada uma campanha promovida por setores da sociedade, como polícia e imprensa, para a mistura dos dois estilos de folia que resultou em uma festa particular. O novo carnaval era mais organizado que os entrudos, quase tão luxuosos como os bailes e mais coletivo que os dois. Na verdade houve uma elitização do carnaval de rua.

Essa mudança no carnaval foi marcada pela ocorrência de desfiles promovidos e patrocinados pela burguesia comercial local. Esses desfiles transformaram o povo em mero espectador de carros alegóricos e luxuosas fantasias, que tomavam aos poucos, o lugar das brincadeiras do entrudo. São desse período três famosos grupos carnavalescos da alta sociedade baiana: Fantoches da Euterpe (1883), Cruz Vermelha (1884), e Inocentes em Progresso (1900). Estes blocos e outros que começaram a surgir brigavam pela preferência dos populares apresentando roupas e carros cada vez mais luxuosos, em desfiles organizados com temas específicos. Esses desfiles resistiram até o inicio dos anos 60 perdendo, aos poucos, lugar para o carnaval participativo da Bahia.

Com o tempo, o carnaval de rua das elites foi substituído pelos grupos de foliões organizados e afoxés, que forçaram a elite a voltar para os bailes de clubes e mansões. Então, as ruas voltaram a ser ocupadas pelos grupos pobres e mestiços como na época dos entrudos.



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