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O que há de errado na Economia



O primeiro problema no uso da utilidade marginal para determinar o preço é que isto conduz a uma roda viva. Preços são determinados para medir a "utilidade marginal" da mercadoria, até mesmo os consumidores precisam saber primeiro o preço de forma a poder melhor avaliar a maximização de sua satisfação. Nesse ponto, a teoria do valor subjectivo "obviamente cai em uma roda viva. Enquanto se tenta determinar preços, os preços determinar a utilidade marginal". Economics, Politics and the Age of Inflation, p.58>. No final das contas, conforme Jevons (um dos fundadores do marginalismo) sabia muito bem, o preço de uma mercadoria é a única prova que temos da utilidade da mercadoria para o produtor. Ora, se a utilidade marginal foi a prova, o teste, para determinar aqueles preços, a falha dessa teoria não poderia ser mais gritante.
O segundo problema com o uso da utilidade marginal surge quando consideramos a definição de prêço de equilíbrio. Prêço de equilíbrio é o prêço no qual a quantidade procurada é precisamente igual à quantidade suprida. Sendo assim, não existe no preço qualquer incentivo à procura ou oferta que altere seu comportamento.
O que faz com que isto aconteça? A teoria subjectiva não pode realmente explicar porque determinado preço é o prêço de equilíbrio quando comparado com algum outro. E isto porque a STV ignora a necessidade de uma medida objectiva que forneça as bases para uma avaliação "subjectiva" dentro do mercado. O consumidor, quando compra, necessita de preços para que possa gastar o mínimo de seu dinheiro e obter o máximo de sua "utilidade" (e, naturalmente, o consumidor vê preços no mercado, o verdadeiro objecto da teoria da utilidade marginal é pretender explicar isso!). Ora, não é exactamente isso que as companhias fazem para garantir seus lucros quando comparam os preços de mercado com os custos da produção? O que é que se produz quando se compara preço de mercado com custos da produção das mercadorias? Conforme Proudhon afirmou, "se oferta e procura sozinhos determinam valor, como é que podemos determinar o que é excesso e o que é suficiência? Se não houver nenhum custo, nenhum preço de mercado, nenhum salário pode ser matematicamente determinado, como é possível conceber a mais valia, o lucro?" <System of Economical Contradictions, p. 114> Esta medida objectiva é o processo real de produção dentro do capitalismo, produção voltada para o lucro. As implicações disto são importantes quando descobrimos o que determina o preço dentro do capitalismo, coisa que discutiremos na próxima secção - afinal o que é que determina o preço ?.
Os marginalistas primitivos tinham consciência deste problema, tanto que argumentavam que o preço reflectia a utilidade para a "margem" (Jevons, um dos fundadores da escola marginalista, argumentou que o "o último grau da utilidade determina o valor"); mas o que determina a posição da margem em si? Ela é fixada pela oferta ("Oferta determina o último grau da utilidade" -- Jevons); o que determina o nível de oferta? ("Custos de produção determinam a oferta" -- Jevons). Em outras palavras, prêço depende da utilidade marginal, que por sua vez depende da oferta, que por sua vez depende dos custos de produção. Ou seja, em última análise em uma medida objectiva (oferta ou custo de produção) substituem avaliações subjectivas! Não há nada de extraordinário nisto porque antes que você possa consumir ("valor subjectivo") alguma coisa no mercado ela tem que ser produzida. Dessa forma o processo de produção desloca material, energia e riqueza dos "incompetentes" (nós) para os "competentes" (eles). Um processo que faz com que viremos as costas para a produção e para as relações que existem dentro de uma determinada sociedade -- a perigosa política de definir (transacções) valores em termos de trabalho . No final das contas, o individuo tem diante de si não apenas uma determinada oferta no mercado, mas também preços, incluindo os custos associados com produção e o lucro imbutido.
Assim, conforme podemos ver com clareza, o verdadeiro alvo do marginalismo foi jogar uma cortina de fumaça na produção (onde as relações de poder são claras) e ao mesmo tempo focar a transacção (onde o poder funciona indirectamente), não é de surpreender que a teoria do valor da utilidade marginal num primeiro instante tenha sido por um curto período de tempo abandonada. A continuada discussão da "utilidade" nos livros de economia são primariamente heurísticos. Primeiramente os economistas neo-clássicos fazem uso de "utilidades" mensuráveis (cardinal), ou seja, que a utilidade é a mesma para todos. Mas isto causou problemas políticos (pois a utilidade cardinal implicava em que a "utilidade" de um dólar extra para uma pessoa pobre era evidentemente maior que a nota de um dólar para um homem rico e isto obviamente justificava uma política de redistribuição de renda). Quando isso foi reconhecido (além do óbvio facto de que a utilidade cardinal era impossível na prática) a utilidade tornou-se "ordinal" ( a utilidade seria uma coisa individual que não puderia ser mensurada). Mas até mesmo a utilidade ordinal acabou também por ser abandonada quando serviu para comparar sua utilidade entre pessoas diferentes e preços objetivos poderiam surgir derivados disso (conforme Adam Smith argumentou, o que o levou a desenvolver uma teoria baseada no valor do trabalho em vez de baseada na utilidade, ou no uso-valor). Com o abandono da utilidade "ordinal", os principais economistas começaram a dividir suas preferências individuais entre os dois termos. Isto significa que os modernos economistas não tem uma teoria do valor completa -- e sem uma teoria do valor, as afirmações de que os trabalhadores sob o capitalismo serão todos beneficiados ou que suas perdas ocorreram em virtude de preferencias individuais não tem qualquer fundamento racional.


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