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JUROS NA CONTRAMÃO



JUROS NA CONTRAMÃO Louis Thomas A decisão do COPOM tupiniquim de manter a taxa Selic em 11,25% ao ano vai na contramão da real situação econômico-financeira do País e dos movimentos encetados pelos Bancos Centrais de países importantes, como EE.UU, China e outros. O Fed americano foi o primeiro a baixar os juros, em um movimento fora da sua reunião normal e que demonstra a gravidade da situação nacional e internacional. O corte de 0,75% na taxa trouxe os juros básicos americanos para 3,5% a.a. quase próximo ao índice inflacionário daquela grande nação. Assim, com taxa tão baixa, procura-se a reativação do sistema econômico do País, impactado pela crise do subprime e que já causou bilhões de dólares em prejuízos nos principais balanços das instituições financeiras tidas como as maiores do planeta. A justificativa não seduz: temos que ir com cautela, porque a situação ainda não está definida. Mas, cautela no momento pode ser um remédio forte demais e na contramão dos demais Bancos Centrais. Se nos EE.UU os juros anuais básicos quase se igualam ao índice inflacionário oficial, por que no Brasil eles têm que ser quase três vezes superiores? Alegam que aqui há ameaça de recrudescimento da inflação, face à demanda aquecida, com a indústria mantendo índices de 83% de sua ocupação. Mas com uma força de trabalho desempregada ao redor de 10% da População Econômica Ativa, ainda há muita gente para entrar no mercado de trabalho formal com a ativação de mais alguns pontos percentuais no índice de ocupação da atividade industrial. Lembremos que a ousadia deve ser uma das características marcantes de qualquer estadista, notadamente em momentos de crise, como a que o mundo vive atualmente e dos quais o Brasil e os demais países emergentes devem se descolar. Mas, como? Com políticas voltadas para a redução do custo Brasil e dentre elas a dos juros básicos, hoje em nível estratosférico, em comparação com outras economias similares. Procedimentos comedidos e receosos não ajudam o País na atual conjuntura. Se os BCs dos grandes países reduzem suas taxas, não há porque o BC nacional siga em sentido inverso, mantendo tão altas taxas, penalizando o setor produtivo, realimentando a dívida pública com quase R$ 15 bilhões mensais somente a título de juros, fazendo a alegria dos rentistas e instituições financeiras especializadas em arbitragens de recursos (captação em países de baixas taxas e aplicação no Brasil de elevados rendimentos, sem necessidade de um centavo de recursos próprios). Com a queda dos níveis de juros nos outros países o diferencial em relação ao Brasil ainda se eleva mais, provocando mais entrada de dólares para aplicações rentáveis, valorizando o real, prejudicando nossos exportadores, causando turbulências na balança comercial, pelo aumento das importações (baratas) e quedas das exportações (que se tornam sem atrativo, com o real valorizado). Neste momento um corte de algo em torno de 0,25, ao menos, demonstraria um efetivo descolamento do Brasil com relação à crise internacional, que nossas autoridades tanto teimam em afirmar, mas não têm coragem de adotar atitudes que confirmem tal fato.


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