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Chutando a Escada Novamente?



Henry Carey, conselheiro do presidente norte-americano Abraham Lincoln, costumava classificar o livre comércio como ?parte do sistema imperialista britânico que consignava aos EUA um papel de exportador de produtos primários?. Curioso, não? As regras de livre comércio e a abertura da economia defendidas pelos países desenvolvidos e exigidas pela OMC (Organização Mundial do Comércio) e o FMI não se assemelham muito a fala de Carey. Contraste maior há entre os ?conselhos? e a trajetória de desenvolvimento das nações ricas. Seria impertinente apontar nesse discurso, digo, relatório uma dose de ? chutando a escada?? Esse termo, da obra ?O sistema nacional de economia política? (1841) de Friedrich List, ilustra a ?sabotagem? que países ricos fazem ao apagar a trilha de desenvolvimento que eles mesmos fizeram, perpetuando a dominação sobre as nações emergentes.

Já em nosso século, o economista sul-coreano Ha-Joon Chang retoma o termo numa perspectiva crítica e histórica, mostrando evidencias relevantes de que as políticas recomendadas pelas grandes nações e agências mundiais estão, através do incentivo a políticas neoliberalizantes (privatizações, desregulamentação...), globalistas e ?dependentistas? (desenvolvimento financiado por empréstimos internacionais) , chutando a escada do desenvolvimento e impedindo a formação de economia concorrentes.

Degraus fundamentais do crescimento de certas nações já não podem - nem devem - voltar: colonialismo, trabalho infantil, escravismo, espionagem industrial... Outros, os subsídios, por exemplo, são quase sempre considerados ilegais pela OMC. A flexibilidade da Organização quanto a estes se circunscreve aos subsídios que os estados desenvolvidos têm, como na agricultura, pesquisa e desenvolvimento. Para se ter uma idéia, Estados Unidos e União Européia investem cerca de US$ 350 bilhões ao ano para proteger produtos agrícolas como laticínios, açúcar, arroz, trigo, milho e carne. Freqüentemente, essa prática leva a quedas internacionais nos preços, o que a prejudica a competitividade dos países pobres e, eventualmente, mina a própria produção destinada ao mercado interno desses países, já que os produtores locais ficam incapazes de competir com produtos importados tão baratos. As novas regras globais do jogo dificultam ainda mais a vida dos emergentes. Basicamente, para a maioria das nações, o fomento a indústria nascente foi a chave do desenvolvimento. Investimento em educação, ciência e tecnologia, infra-estrutura e políticas públicas ditaram a tônica do crescimento. Até mesmo caminhos alternativos como o da China, que, aliás, nem era membro da OMC, promoveram rápido desenvolvimento. Utilizando investimentos externos agressivamente, atraindo investimentos pelo enorme mercado consumidor potencial e firmando parcerias entre empresas estrangeiras e estatais chinesas, a nação desponta como potência mundial. Evidente que o modelo chinês apresenta vários problemas, desigualdades crescentes, disparidades regionais... Mas a escada parece estar se reconstruindo.

No caso do Brasil e de alguns outros países em desenvolvimento, o que se nota muitas vezes é um indicativo de submissão, ou talvez até crença nos ?bons conselhos? dos irmãos ricos do norte, sempre preocupados com o sul. Vejamos o exemplo da Rodada de Doha das negociações de livre comércio da OMC. Lançada em 2001 na capital do Catar, a batalha entre norte e Sul sobre os produtos industrializados e agrícolas arrasta uma série de questões que deveriam ser resolvidas até 2004. Ao ver países ricos ?negociarem? duramente seus interesses comerciais com países em desenvolvimento, devemos acreditar que em outros momentos, ao propor caminhos de crescimento econômico, as grandes nações não estejam, de fato, defendendo apenas seus próprios interesses? O conteúdo do relatório Panorama Econômico Mundial do Fundo Monetário Internacional divulgado nesta terça-feira (9.10.2007), pode ser considerado, sob alguns aspectos, como um discurso simplificador e com alto teor ideológico. A evolução dos cenários econômicos mundiais, o processo de globalização, suas conseqüências e as políticas econômicas que cada país deseja realizar em busca de um desenvolvimento sólido, certamente se configuram numa realidade ampla, complexa e necessitam de longo estudo e reflexão crítica.


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