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A ECONOMIA CAFEEIRA DE LIVRE MERCADO



A contribuição de Celso Furtado, torna-se requisito básico para podermos entender e analisar a economia cafeeira, bem como os trabalhos de Antônio Delfim Netto sobre os ciclos do preço do café. Furtado argumenta que, nas fases ascendentes dos ciclos do preço do café, os produtores recebiam lucros elevados e que não reinvestiam no setor produtivo, mas sim na expansão da cultura, adquirindo novas terras reutilizando a mão-de-obra (MO) do setor de subsistência. Isso fazia com que os custos de produção permanecessem estáveis. Sendo assim, o setor cafeeiro absorvia o aumento de preços na forma de maiores lucros. A longo prazo, a atividade exportadora não contribuiu significativamente para o desenvolvimento do setor. A meta das autoridades monetárias em manter em baixa as taxas de câmbio, garantia a importação de bens de luxo a um preço muito baixo, paralelo ao impedimento do desenvolvimento das atividades manufatureiras internas, tornando as fazendas de café em grandes custos de oportunidades para a economia brasileira. Esse custo consistia sobretudo para a modernização e progresso a longo prazo, nas atividades internas, não sendo garantia de uma oferta consistente de produtos primários aos países industrializados, a preços declinantes, assim como o mercado para as manufaturas produziadas nesses países.
O comportamento do mercado, na fase descendente de preços, ilustra de melhor forma o sistema de luta entre classes, ou seja, entre países consumidores e a exploração. Dada uma contração econômica, esta afetava os países industrializados consumidores de café e ocorria uma redução da demanda e queda no preço dos produtos primários. Os países industrializados contavam com uma organização deficiente em seus mercados, e isso não permitia o declínio dos preços das manufaturas importadas pelos países tropicais, mas decaíam as relações de troca na economia dependente. As casas estrangeiras dominavam a exportação de café e, em virtude da possibilidade de desvalorização e suspensão da conversibilidade da moeda, pretendiam manter seu saldo em moeda inglesa.
A Teoria de Furtado, afirma que, a desvalorização da moeda era maior e que o declínio dos preços das importações era menor. Dessa forma, se mantinham as receitas do setor cafeeiro em moeda brasileira. A desvalorização gerava inflação interna de pressão de custos por causa dos aumentos dos preços de gêneros alimentícios e outros importados de primeira necessidade. Esse processo inflacionário diminuía a renda real dos consumidores. Sofriam menos as classes produtoras e exportadoras de café, em razão da manutençaõ das receitas nominais por meio da desvalorização da taxa de câmbio. Em síntese, os países ricos transferiam o ônus do ajuste da contração econômica aos países pobres, na forma de preços mais baixos para os produtos primários e de preços constantes das manufaturas e, nos países pobres a oligarquia agrícola transferia parte do ônus às classes pobres, por meio de desvalorização da taxa de câmbio e inflação. No caso da economia cafeeira brasileira, pode-se enumerar diversos argumentos da teoria e Furtado:
1) deteriorização das relações de troca devido as receitas de exportação de café decairem a longo prazo, enquanto os preços das manufaturas importadas da Inglaterra permaneciam rígido;
2) as políticas monetárias e de balanço de pagamentos organizarem-se na economia cafeeira, para absorver a maior parte do ônus do ajuste à contração na forma de desvalorização da taxa de câmbio e inflação;
3) o setor cafeeiro não contribuiu para a modernização e para o crescimento econômico, em virtude da debilidade estrutural das relações de comércio exterior que causou atraso e pobreza, a longo prazo.

ASPECTOS A LONGO PRAZO (LP)

Delfim Netto empregou dois testes clássicos não paramétricos na análise dos preços do café no período de 1857-1906. Primeiramente aceitou-se a hipótese nula da falta de tendência. Em segundo lugar rejeitou-se a hipótese nula da não-oscilação dos preços.
Em conseqüência no século XIX os preços internacionais do café flutuaram, mas sem tendência a longo prazo. Esse fato estatítico refuta os argumentos extremos da debilidade do comércio cafeeiro. Além disso, as exportações físicas de café do Brasil aumentaram à taxa média anual de 3,5%, com uma receita em libras esterlinas de 3,5% ao ano, e a receita em média em moeda brasileira em 4,5%.

AS FASES ASCENDENTES DOS CICLOS DO PREÇO DO CAFÉ


No período de mercado livre internacional houve três ciclos de preços, caracterizados por amplitude crescente. Delfim Netto explica o comportamento dos indicadores para a economia cafeeira em análise crítica clássica da demanda e condições econômicas nos países consumidores de café, observando fatores que influiam a produção e as defasagens dos ajustes de preços. E desse modo, anotou primeiramente um fator biológico, onde o cafeeiro provava variações anuais de crescimento e rendimento, até o esgotamento do pé. Em seguida, notou que a produção de café em São Paulo, mostrou ter maior flutuação que em outras áreas de produção do mundo.
Nas fases ascendentes, a política monetária e de ajuste do balanço de pagamento cumpria as regras do jogo do padrão-ouro, e na fase descendente as outras regras do jogo aliviavam-se. A primeira fase ascendente(1869-1873), caracterizou-se pelas políticas semelhantes às comentadas anteriormente. O financiamento das guerras gerava inflação, e a taxa de câmbio desvalorizava-se além da paridade. O sistema foi ameaçado pela República em 1889. A política da terceira fase ascendente(1886-1891) foi controlada pelos papelistas que autorizavam muitas cartas-patentes de bancos e pela primeira vez a taxa de câmbio sofreu desvalorização bem acima da paridade.


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