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MERCADO DE BENS INTANGÍVEIS NO BRASIL: O CENÁRIO ATUAL DA COMPRA E GESTÃO DE MARCAS NACIONAIS



INTRODUÇÃO:
As recentes aquisições de marcas e grifes brasileiras, sobretudo no ramo da moda, por grupos empresariais especializados na compra e gestão de bens intangíveis acompanham a tendência mundial de valorização do capital imaterial como ativo da empresa - gigantes multinacionais como Google e Coca Cola têm, respectivamente, 46% e 40% de seu valor apoiado na marca, por exemplo. O surgimento e atuação comercial de holdings em busca de empresas-marcas promissoras também revelam a expansão de um novo e lucrativo mercado, da propriedade intelectual, em que os parâmetros contábeis e financeiros para a compra de uma empresa, a avaliação de seu valor e a expectativa de lucros dependem em grande parte da representação corporativa, confiança e rentabilidade que seu logotipo inspira. Reflexões sobre o volume e a dinâmica desse fenômeno no país dão origem ao presente trabalho, que analisa a estrutura ? porte e características ? das holdings que lidam com a aquisição e o gerenciamento de grifes (marcas, intangíveis), além da atual relevância nacional do setor e ainda a relação entre as agências financiadoras de crédito e a avaliação dos intangíveis na concessão de empréstimos.

METODOLOGIA:
A constante veiculação na mídia sobre a relevância da propriedade intelectual, economia do conhecimento e as milionárias movimentações efetuadas em compras, fusões e vendas de marcas da moda nacional indicam um crescente interesse e confiança no setor da moda, mas faz-se necessário analisar historicamente a evolução na dinâmica das negociações e investimentos em bens intangíveis no mesmo. A partir desta necessidade surge a pesquisa, feita com dados do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), Journal of the Academic of Marketing Science, BNDES, Revista Locus, reportagens da Folha de São Paulo, GloboOnline, Valor Econômico e dos sites PortalEXAME e InfoMoney. A primeira parte do trabalho consiste num histórico das negociações efetuadas entre holdings e grifes brasileiras, identificando os parâmetros motivadores de ambas na tomada de decisão dos negócios firmados. Evidencia-se, também, o volume das movimentações. Posteriormente, é estudada a relação das agências financiadoras e sua postura de avaliação de empresas baseadas no valor da Marca. Por fim, confrontamos o contexto atual das marcas adquiridas com as expectativas geradas em sua compra, verificando a concretização ou não destas e apontando as possíveis causas.
RESULTADOS:
As grandes aquisições iniciam com a compra da Zoomp em julho de 2006. Desde então, num período de 18 meses foram fechados 13 importantes negócios, superando a cifra de 300 milhões de reais movimentados. Os dois grandes grupos investidores são as holdings In Brands (Ellus, 2ndFloor, Isabela Capeto), controlada pelo fundo de private equity Pactual Capital Partners, e I?M ? Identidade Moda (Fause Haten, Zapping, Alexandre Herchcovitch, Clube Chocolate, Cúmplice), controlada pelo grupo HDLC. A I?M visa à compra integral de 13 marcas, enquanto a In Brands investe em percentuais das grifes. A estratégia gerencial é a mesma: os executivos dos fundos administram o negócio. Coleções ficam a cargo dos estilistas. Demais, as empresas adquiridas por ambas se enquadram em duas classificações: penetração nos shoppings do país e potencial para o mercado internacional. A moda brasileira tem um faturamento anual de US$ 34,6 bilhões, dos quais são exportados apenas US$ 2,4 bilhões. Há 17 mil empresas no setor, produzindo 6 bilhões de peças ao ano. As vendas no varejo registraram até outubro de 2007 um crescimento de 10.54% em comparação com o mesmo período de 2006. Em 2008 o BNDES anunciou pioneiramente no país um estudo para concessão de empréstimos avaliando os ativos intangíveis.

CONCLUSÃO:
A expansão da demanda interna no país impulsiona também o ramo da moda, que mesmo marcado por alta taxa de informalidade e concorrência desleal da falsificação, é hoje um dos maiores empregadores da indústria de transformação no Brasil. Acompanhando esse fôlego, as novas holdings captam a força das grifes junto ao mercado e aplicam recursos e capacidade gerencial necessários para converter os bens intangíveis (conceito da marca, capacidade criativa) em lucro. Oportunidades de expandir, ?vender no exterior? e democratizar sua marca atraem os estilistas, pois, não havendo ainda no país linhas de crédito próprias para empresas baseadas no valor da marca, dificilmente poderiam investir em seu negócio. As aquisições tendem a reduzir a informalidade, popularizar as grifes e dinamizar o setor, ainda pouco tecnológico, além de internacionalizar a criação nacional. Por outro lado, existe o fantasma da perda de identidade e da redução de custos e pessoal, advinda da modernização e terceirização de serviços. Demais, há o risco de que os retornos imediatos comumente esperados pelo investidor financeiro não se concretizem, e decida-se prematuramente abrir o capital das marcas. Ainda assim, investidores e estilistas prosseguem otimistas e as holdings devem continuar as aquisições.


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