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A Evolução da Economia Brasileira parte III




Episódio Mauá (continuação)

Mauá foi exigido pelo padrasto a trabalhar no Rio de Janeiro, ainda aos 10 anos de idade, como caixeiro em uma casa comercial. Estudou por conta própria. Aprendeu falar inglês fluentemente com o dono da loja onde trabalhava, mais tarde tornou-se sócio e dono da mesma. Aos 33 anos já possuía um vastíssimo patrimônio. Mauá desenvolveu a Fundição e o Estaleiro da Ponta da Areia, que decaem, mas que continua nesse intervalo a produzir tubos e peças fundidas para iluminação à gás da Capital e constroe embarcações, muitas delas serviram na Guerra do Paraguai. Ajuda restabelecer o Banco do Brasil, organizou a Casa Bancária Mauá, McGregor&Cia, sendo esta o início de uma estrutura financeira que chegou ter filiais no exterior, e a dominar quase toda economia argentina e uruguaia, e ainda outros empreendimentos que lhe devolveram vultuoso império, que o próprio Império sentiu-se ameaçado. Mauá enfrentou a irracionalidade oficial do sistema imperial e das oligarquias. Desta forma, viu-se, Mauá, desamparado colocado como alvo de perseguições dentro do plano interno da política econômica. A liquidação de seu sistema empresarial deu-se pela não prorrogação de uma moratória de 3 mil contos, que dependia da unanimidade da direção do Banco do Brasil. Mauá liquida mais de 90% de seus débitos. As leis da época não eram bem ajustadas no que se referia às exigências das empresas capitalistas, se bastando útil às pequenas casas de comércio, não de empreendimentos de grande porte, tal qual o fazia Mauá. Devido adiantamentos realizados para construir a Cia. São Paulo Railway, o empresário fica credor de mais de 600 mil libras. Mais tarde se torna uma das mais importantes ferrovias e também uma das mais rentáveis do país, a Santos-Jundiaí. Mauá recorre da decisão do BB e muito tempo depois o Tribunal se declara incompetente para conhecer a questão, pois a companhia mantinha sua sede na Inglaterra. Quando resolveu recorrer à justiça inglesa, descobre que seu direito de ação já havia caducado. Sem outra solução jurídica, Mauá passa bom tempo da vida, que lhe resta, a apelar para os sentimentos morais da Companhia. Por todo um tempo criaram-se elementos ligados ao mito Mauá, desde a sua franca posição abolicionista, à sua suposta ideologia saint-simoniana. Mas de tudo o que mais surpreende, não é o fato de ele ter sido vencido, mas sim a atitude de elites dominantes do país, combinadas num quadro de sociedade economicamente dependente, especializadas em atividades primárias, voltadas ainda para a subsistência. O interesse voltado para importações baratas, ressentindo-se que parte do excedente econômico fosse desviada para uma nova classe de empresários industriais, da qual Mauá fazia parte. O Brasil estava confinado à economia subdesenvolvida especializada na plantação comercial e dependente da importação de alimentos. O que surpreende é que o episódio Mauá foi possível, pois a amplitude dos empreendimentos significou que havia forças consideráveis ao ponto de amadurecer para um desenvolvimento de caráter nacional, para dentro. A condição de subdesenvolvida não era tranqüila, tinha suas contradições sérias. Dada uma combinação de circunstâncias desfavoráveis, da estrutura social, isto é, as oligarquias agrárias e mercantis, classes médias urbanas parasitárias, tende para uma estabilidade homeostática. O sistema só se romperia através de um esforço racional deliberado, apoiado na ação central do Estado, e as condições para esse rompimento só se dariam pelas contradições externas do que pelas internas. Foi isso o que aconteceu: contradição aos planos internos que acabaram levando ao fim o império. Chegaram pronunciar esforços de controle próprio do destino nacional que se tornaram a tônica do processo a partir da Primeira Grande Guerra. Condições imaturas desviaram o país, dum vantajoso retrocesso.



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