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Luta de classes - Novos embates



Luta de classes - Novos embates

A classe dominante precisa da exploração para existir. Os trabalhadores são a base da construção da sociedade, a valorização desse grupo depende da disputa no campo político ? a luta de classes.

Pensar o mundo hoje é dar de cara com o pensamento da universalidade. Da invasão ? na Idade Média eram bárbaros - nos seus mais variados aspectos, até no militar, como elemento natural do desenvolvimento e aprimoramento das nações. Da cultura de cada povo ser suplantada por outra construída pelo espelho que reflete os interesses dos grandes blocos financeiros internacionais. A maneira elaborada pelo grande capital usando requintes da lingüística, produzindo informações na grande mídia, que é sua própria difusora, gera um estado de hipnose social a ponto de sua reprodução acontecer naturalmente nos bancos escolares, nas relações de grupos, no ambiente de trabalho, o que torna difícil cada trabalhador enxergar isso na batalha diária para garantir o substrato da sua vida, seu sustento. Até o termo trabalhador já é substituído por ?colaborador?. É a linguagem da ?Qualidade Total?. Isso não é por acaso, é uma ?vigilância virtual?. É a ardilosa tacada do capital mordiscando a produção de mercadorias e abocanhando os seus resultados, seus lucros, sua mais-valia. É a tentativa incessante de ofuscar a luta de classes , é a caixinha de Pandora derramada sobre o trabalhador fazendo-o por vezes se sentir o próprio patrão. É a ?mão invisível do mercado?, como disse Adam Smith no seu famoso tratado de Economia A Riqueza das Nações de 1776 , um manto invisível de poder, abstrato, mais ao mesmo tempo real, materializado na miséria das cidades e do campo, agora, transformada em mercadoria pelos programas de Responsabilidade Social que dão retorno ao mercado, se transformando em moeda, em lucro. Exploração. Nesse mundo moderno, ultratecnológico, para muitos, falar em ideologia é coisa do passado, do período da guerra fria, é quase uma heresia. Mas isso tudo é uma grande disputa entre dois campos distintos: dominados e dominantes, duas classes sociais em permanente confronto, onde a dominante mantém suas colunas erguidas, seu aparato militar em constante treinamento num revezamento de turno ininterrupto. A burguesia - é bom ressuscitar o termo - há muito não é mais somente o patrão da fábrica ou o comerciante da loja, se diversificou, hoje representada por exemplo, pelo grande acionista do mundo especulativo financeiro. Por outro lado, a classe trabalhadora vai assimilando as mudanças geradas no processo produtivo, definidas pelo avanço tecnológico, compartilhado aos programas de gestão, o que provoca grande redução dos postos de trabalho em todos os setores produtivos, gerando uma leva de trabalhadores na marginal desse processo. Esses se oferecem como mão-de-obra ?de liquidação?, com salários a baixo do custo (de vida), com perdas de direitos; presa fácil para o mercado. É a precarização do trabalho. É a famigerada terceirização, ou quarteirização, lembra, com as devidas ressalvas, os acontecimentos históricos ocorridos na Inglaterra nos séculos XVI ao XVII*, os cercamentos - quando milhares de trabalhadores da zona rural perderam suas terras e ficaram na miséria, se transformando no turbilhão de mão-de-obra barata, quase pelo pão, disponíveis à Revolução Industrial.
O que fazer? É tempo urgente em que os trabalhadores precisam entender a necessidade de se organizarem em seus sindicatos, tomar consciência desse histórico processo de exploração e, pelas suas próprias experiências de vida, participar dessa luta coletivamente. Às entidades sindicais cabe em primeiro lugar o desafio de compreender as etapas desse processo e desenvolver, em conjunto com aos trabalhadores, ações de resistência. A classe dominante precisa da exploração para existir. Os trabalhadores são a base da construção da sociedade, a valorização desse grupo depende da disputa no campo político ? a luta de classes.

Orismar Holanda. Presidente do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Ceará.
* ver ?Parte VI - A chamada acumulação primitiva? 1º vol. de Capital de Marx (1867)


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