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O Líder Sem Estado-Maior




Carlos Matus, em seu brilhante trabalho ?O Líder sem Estado-Maior? convida-nos à reflexão sobre os nossos atos e responsabilidades em nosso papel de líder e liderados (alternada e concomitantemente) de maneira racional, sem desprezar as emoções comuns no tecido social. O que se extrai do pensamento ?matusciano? é que as regras do jogo são as seguintes: pensar, planejar e agir estrategicamente nas diversas dimensões do poder real e monitorar as suas conseqüências. Ao mesmo tempo em que expõe nossas fraquezas, Matus, mostra-nos o caminho para uma gestão pública responsável e de qualidade. Ao criticar a maneira de governar dos Líderes da América Latina parece está à frente do nosso tempo e da nossa realidade. Matus, coerentemente demonstra-nos neste trabalho intimidade com os padrões cognitivos que regem o poder, às vezes chega a ser narcisista ao ?não ter dúvidas quanto a tantas certezas e não ter certeza de tantas dúvidas? e, busca no caos o antídoto para a cura, constante e gradual para a nossa reconhecida ineficiência na gestão pública. De resto é perfeito quando com lucidez usa o verbo para nos provocar e demarcar o espectro amostral em que se dão as diversas situações nos aparelhos governamentais. É bem verdade o que como diz Rudolph Giuliani, em O Líder: ?a liderança não surge por acaso? e sim, é conseqüência de um processo histórico. É importante destacar que do ponto de vista das regras e normas formuladas pelo colonizador é evidente que há sempre correções a nos impor, e muitas vezes não estamos dispostos a nos curvar, e pagamos o preço por nossa teimosia quando contrariamos a lógica mercadológica global das nascentes intelectuais webianas, e na maioria das vezes chegamos a triste conclusão de que ainda somos refém dos nossos colonizadores tiranos, seja no cerne das formulações das políticas públicas, seja no consumo do extrato dos seus resultados, embalagem e conteúdo da mesma neurose que nos persegue há tantosséculos! Em tempos modernos temos que pensar além da lógica, o empirismo não vai nos trazer soluções para os nossos problemas complexos e a complexidade só nos trará frustrações, ?simplifique e sobreviva? é o novo paradigma, que está presente em todas as agendas da nova ordem mundial, complique e fatalmente sofrerá o processo inercial que nos levará fatalmente ao caos, assim sentenciam, em síntese, os magos da gestão moderna, que serve tanto para o setor público como para o privado. A espiral gravitacional que nos conduz no campo tecno-político traz na sua cadeia elementar uma herança colonialista, escravista e totalitária que não reconhece nenhuma liderança competente na América Latina e de maneira extrativista só enxergam os lucros que daqui podem levar. Vivemos de migalhas, pagamos o preço pelo nosso atraso intelectual que nos foi imposto, sofremos as conseqüências de uma malvada dominação. Os nossos ?nós táticos?, as nossas ?cegueiras situacionais?, se resolverão ao longo do tempo com capacitação do nosso capital humano e tecnológico, é preciso reconhecer que estamos uns cinqüenta anos atrasados no campo educacional e científico, e só a partir daí traçar planos: a curto, médio e longo prazo, sem esquecer a máxima de Keynes: ?há longo prazo estaremos todos mortos?. É preciso ?um olhar telescópico? para além dos muros do Palácio de Cristal. O Líder ideal não foge a luta e nem as responsabilidades para com o seu povo, não domina e não é dominado, mas segue com maestria a sua vocação e seus ideais que coincide com os ideais republicano, democrático e popular dos seus seguidores. Um Líder competente nunca menospreza a inteligência das massas populares. Matus (2000, p.153), com toda propriedade que lhe é peculiar tem razão quando de forma lúcida desseca o ?modus operanti? dos palácios latino-americanos: os gabinetes presidenciais na América Latina são lugares bonitos e bem decorados, com muita gordura e pouco músculo, imponentes em aparência, mas frágeis em sua concepção organizativa e métodos de trabalho. Assim como na vida privada é a dinâmica da alta direção que impõe um teto de qualidade a toda organização pública abaixo dela. Seu padrão de exigência, sua qualidade de informações, suas práticas concretas de trabalho condicionam por hierarquia e sinergia todo o aparato público a montante. Na síntese final do livro, Matus, descreve o que seriam os principais defeitos de um governante, a partir de sua experiência pessoal e de estudos da máquina burocrática governamental, especialmente as de países latino-americanos. Fala de maneira geral, e suas observações certamente cabem em vários governantes, latino-americanos, ou não, de hoje ou do passado. Muitas partes dessa síntese, porém, parecem se referir a momentos atuais no Brasil, e podemos tirar de sua leitura alguns ensinamentos. No prólogo, Matus adverte que o livro é irreverente e dedicado aos políticos sérios, ?uma bofetada calculada que se dá no amigo para despertá-lo da letargia, para abrir os seus olhos e vê-lo reagir?. Começa descrevendo o líder em sua jaula de cristal, isolado, prisioneiro da corte complacente ?que controla os acessos à sua importante personalidade?. Matus descreve o governante como ?um homem sem vida privada, sempre na vitrine da opinião pública, obrigado a representar um papel que não tem horário. Não pode aparecer ante os cidadãos que representa e dirige como realmente é, nem transparecer seu estado de ânimo?. Matus cita Marx: ?os homens fazem a história, porém não elegem as circunstâncias?.


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