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O Populismo e seu desenvolvimento: algumas caracteristicas (2)



O esquema weffortiano guarda forte semelhança com o de Jaguaribe. Mantém basicamente os dois ingrediente da análise deste.
I) O populismo é um fenômeno da crise, do vazio, da transição. O que para Hélio Jaguaribe são elites não autênticas da fase em que se encontravam, em Weffort é um ?compromisso? derivado de uma crise de hegemonia. Nas duas situações a liderança não expressa uma definição política clara (clássica!). A ruptura da dominação/hegemonia anterior é a chave para a compreensão da emergência do populismo. Para os dois autores, 1930 é um momento que confirma um corte, apontando para as tendências do porvir. 1930 é um marco para a compreensão de processos anômalos com referência à história européia, em particular a inglesa: urbanização, sem uma correspondente industrialização com a mesma aceleração; massas rurais migrantes que se avolumam nas ?margens? das cidades. A massificação é antecipada, pois ocorre antes da organização de interesses.
II) Esse fenômeno abre a possibilidade para o aparecimento do líder populista, demagógico: incorpora as massas no processo político, mas não atende às suas ?reais? necessidades. O mecanismo de aliciamento é amorfo, assume a forma de uma relação entre indivíduos, líder-massas. O segundo componente do par não se organiza, não tem sentimento nem consciência de classe. As massas são massa de manobra; agem irracionalmente, não constituindo fundamento para qualquer tipo de política. Logo, o populismo é pré-político, ou mesmo, pré-democrático, se entendermos democracia como representação dos interesses organizados.
Os dois autores diferem na construção da utopia subjacente à análise do populismo. Para Hélio Jaguaribe, a ideologia do ? desenvolvimento nacional? dará consistência (?consciência?) as classes sociais para a ação organizada na arena política. Do ponto de vista de Weffort, a ?ideologia do desenvolvimento nacional? é mais um ingrediente do esforço populista de manter as massas atreladas aos interesses das classes dominantes<1>. A saída consiste em organização e autonomia. Enquanto para o primeiro a redenção se faz pelo nacionalismo, para o último só pela elaboração de demandas autênticas da classe operária<2>.
Apesar das críticas levantadas por Weffort contra as intenções normativas da análise isebiana, penso que a crítica é, ela mesma, normativa. Carrega a intenção de denunciar a aliança de classes como um fenômeno de manipulação das classes populares pela classe dominante e, consequentemente, afirmar uma prática política<3>. Pretende afirmar como a democracia deve ser, apresentando uma utopia por ele considerada paradigmática dos países centrais<4>.

<1> Por isso critica veementemente o primeiro quanto ao parcialismo da sua análise, contida na fórmula: ?populistas são os reacionários?. Há, evidentemente, usos distintos para ?ideologia?.

<2> Sem querer menosprezar as distintas concepções políticas, os cerca de dez anos que separam os escritos dos dois autores fazem uma enorme diferença!

<3> No caso do autor, nos idos de 1978 (ano da 1a edição do livro), essa prática política significava uma militância para a formação do Partido dos Trabalhadores.

<4> Não estou discutindo sobre uma possível e inevitável dose normativa em qualquer análise política. A crítica é dirigida a Weffort porque este pretende ser, neste aspecto, diferente de Jaguaribe (ver cap. 1 de O populismo na política brasileira, op. cit.).


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