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JEAN BAUDRILLARD CONTRA KEANU REEVES E MATRIX





Baudrillard disse sobre Matrix, o primeiro filme: ?É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.?
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É um fato: os filmes de ação e aventura, hoje, são carregados até a saturação de efeitos especiais. Quanto mais o espectador for envolvido por pessoas voando, lutas complicadas, cabeças rolando, sangue espirrando e cortes espetaculares, menos se precisa de história, enredo, veracidade. Ninguém mais gosta de pensar. E não é só assistindo a um filme, mas em qualquer situação da vida. A descoberta dos efeitos especiais, com auxílio da mais alta tecnologia da computação, fez milagres pela Sociedade do Espetáculo. Tanto que um filme só tem graça se mostrar o making of
, ou seja, como foram feitas as cenas mais espetaculares. O povo vibra. E o tempo passa. Jean Baudrillard, um pensador francês nascido em 1929, ficou tiririca quando viu que suas idéias foram diluídas no Matrix e usadas de forma incorreta. O pensador caiu nas garras da mídia que, sabendo estar sendo atacada, cooptou-o e mostrou para o público como mais um cara ?da hora?. Ele que dizia querer discutir suas idéias em ambientes apropriados, viu-se enredado em um espetáculo que rendeu milhões de dólares aos produtores da trilogia Matrix. É isto: o que dá dinheiro, serve. Mesmo que seja diluído em água com açúcar. Com a utilização de um livro como Simulacros e simulação em seu enredo, o filme passa por ser ?inteligente?, ?bem intencionado?, ?culto?, quando, na verdade, é apenas um entretenimento que tem que render milhões de dólares, ou vai pro lixo. Nada tenho contra entretenimento, digo logo. Mas é preciso que se fique atento quando querem nos ?enrolar? ou ?engrupir?. Tente ir à fonte. Beba Baudrillard. Ele pode matar a sede de Civilização, que tanto nos afeta nesses tempos de aquecimento global desenfreado.
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Guy Debord e Jean Baudrillard: ah, esses franceses que pensam! Não é à toa que a França é país de Primeiro Mundo: lá se lê muito. Abraços, Rui Werneck.


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