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Cenário Arábe-Saudita Pós-Guerra Fria


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A Arábia Saudita, segundo João Marques de Almeida, desde a Guerra Fria vive um dilema ?entre a aliança com os Estados Unidos e a promoção do islamismo político?. E desde o fim dos confrontos ideológicos de um mundo bipolar, movimentos violentos contra o Estado norte-americano ocorrem com certa constância nas principais cidades do reino saudita. Os protestos em sua grande maioria apresentam três motivos para suas disposições anti- americanas:

Um dos pontos evocados é a posição parcial dos Estados Unidos em relação ao confronto entre israelenses e palestinos. O fato da ocupação da cidade de Jerusalém, a qual é de grande importância para a religião muçulmana, faz eclodir um sentimento de revolta muito grande na sociedade saudita, que segue a religiosidade com muito rigor. E culpam Washington, por permitir uma ação opressiva de Israel sobre os palestinos.
Outro assunto levantado nesses ?eventos? é a oposição à existência de bases norte-americanas em solo saudita, que são consideradas uma espécie de ocupação militar. Além disso, salientam que a presença estadunidense representa uma afronta ao Islã e prejudica a situação moral do Estado saudita perante o mundo muçulmano.
O terceiro ponto diz respeito a postura dos Estados Unidos em relação aos países muçulmanos nesse período pós Guerra Fria, realizando ofensivas militares, inicialmente no Iraque, tempos depois no Afeganistão e novamente no Iraque, agravando os sentimentos anti- americanos. A popularidade de Osama bin Laden e da Al-Qaeda no país, devem-se em grande parte ao enfrentamento perante os Estados Unidos com certo ?êxito? (ALMEIDA, 2004).
A diplomacia saudita sofreu forte impacto em dois acontecimentos históricos: a invasão iraquiana ao Kuwait e os ataques terroristas do 11 de Setembro. Um processo de expansão iraquiana ao sul, em agosto de 1990, resultou na instalação de bases militares norte-americanas na Arábia Saudita. Ao solicitar a presença dos aliados do oeste para que se instalassem no seu país, o monarca saudita Fahd sofreu fortes pressões internas e regionais. Segundo Almeida, ?os líderes ?neo-Wahabistas? mais radicais e os ?jihadistas? regressados do Afeganistão nunca perdoaram tamanha traição ao Islã?. A Arábia Saudita passou a apoiar o movimento islâmico radical e a internacionalização do Islã, primordialmente na Ásia Central, acentuando-a no Afeganistão e no Paquistão. Servem de exemplo quanto a essa política saudita, alguns apoios financeiros feitos ao desenvolvimento do regime Talibã. O fomento ao Wahabismo<1> radical em países como Afeganistão e Paquistão auxiliaram de forma direta alguns dos principais inimigos dos norte-americanos na era atual, em particular aos responsáveis pelos ataques terroristas a Nova Iorque e a Washington.
No decurso da intervenção estadunidense ao Afeganistão, cerca de trezentos afegãos foram presos. Uma afirmação interessante e digna de análise foi proferida pelo último Conselheiro para a Segurança Nacional do Presidente Clinton, Samuel Berguer, ?o véu saudita caiu, e o que os americanos viram foi um jogo duplo que não é nada agradável? (Almeida). De acordo com alguns críticos, reformas políticas internas devem ser realizadas para que se dê um fim a essa dupla identidade saudita. Em vista disso, pode-se deduzir que em decorrência das posições antagônicas apresentadas pelo reino árabe-saudita na condução do país, após a Guerra Fria, no cenário internacional, acarretam consigo uma perda de credibilidade perante outros Estados. Enfim, faz-se necessário uma postura saudita definida, principalmente no tocante ao seu relacionamento com os Estados Unidos que, ora apresenta-se próspero, ora parece estar suprimindo.

<1> Segundo o site Wikipédia, Wahabismo ?é uma seita islâmica composta pelos seguidores de um indivíduo chamado Muhammad bin abdul Wahhab, que no século dezoito iniciou suas pregações de caráter puritano e extremista na Península Arábica. E que mais tarde por intermédio de sangrentas guerras com o apoio de forças colonizadoras se tornou a fé e ideologia dominante da região através da igual aberta aceitação e colaboração da família Saud (Sauditas)?.


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