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Mundialização do Capital



No primeiro capítulo de sua obra, Chesnais aborda o significado do adjetivo ?global? e a construção de sua ideologização, explicando o surgimento nas escolas de administração americanas e como os grandes industriais japoneses apoderaram-se dessa expressão. Para o autor, esses termos são vagos, ambíguos e também cheios de conotações. Já o termo ?mundialização? tem origem francesa e teve mais dificuldades de se impor porque, segundo ele, ao mesmo tempo que a língua inglesa tem mais abrangência e influência no meio empresarial, esse termo é mais claro conceitualmente do que ?global? ou ?globalização?. Para o autor, a palavra ?mundial? define com mais precisão a idéia de que ?se a economia se mundializou, seria importante construir depressa instituições políticas mundiais capazes de dominar o seu movimento? (1996, p. 24). Com essa explicação, ele justifica também sua opção pelo termo ?mundialização?, título da sua obra.

A partir disso, Chesnais discute sobre a necessidade que a globalização apresenta para uma adaptação da sociedade às novas exigências e obrigações e que não procure qualquer forma de controlar esse novo processo em curso. Mas, ele pergunta, essa adaptação seria às estratégias privadas das multinacionais? O autor cita estudo da OCDE que norteia alguns traços característicos da mundialização, lembrando que seu ponto fraco é não abordar a globalização financeira. Ele cita outro estudo da OCDE, que faz um enfoque histórico para caracterizar a nova fase da mundialização, e afirma que as indústrias decuplicaram sua propensão à mobilidade, apresentando um quadro com as vantagens da teleinformática para os grupos.

Outra questão que ele coloca é se essa adaptação deve ser feita às imposições dos mercados financeiros e ressalta dois acontecimentos que marcaram o ano de 1994 no plano financeiro. Se contrapondo a H. Bourguinat, Chesnais observa que ?estamos bem longe de lidar com um ?despotismo esclarecido?, e sim com uma força sobre a qual começam a pesar legítimas suspeitas? (idem, p. 31). O autor, a seguir, analisa o caso do México para mostrar o comportamento dos grandes operadores financeiros e os riscos que correm os países adaptados ao jogo dos mercadores financeiros.

O autor relaciona importantes aspectos da mundialização e introduz o que será debatido nos capítulos seguintes do livro em questão. Para ele, a mundialização é resultado de dois movimentos interligados, mas distintos, que são: uma longa fase de acumulação do capital e o desmantelamento das conquistas sociais e democráticas (idem, p. 34).

Chesnais explica como as tecnologias informacionais beneficiaram os grupos industriais, que reorganizaram suas modalidades de internacionalização, além de definir novas relações com a classe operária, pois ?nenhum grupo industrial precisa deslocalizar sua produção para fora da Comunidade para encontrar mão-de-obra qualificada e barata? (idem, p. 36).

Ele introduz o conceito de Tríade, relacionando-o ao de oligopólio mundial, mostrando que a hierarquia das regiões aparece claramente no mapa mundi, assegurando que muito além de ser um lugar de forte concorrência, é também um espaço de colaboração entre os grupos. Para ele, há o processo de mundialização traz consigo um agravamento da polarização, pondo fim a uma tendência secular, que ia no sentido da integração e da convergência (idem, p. 37). A partir no mapa descrevendo os centros e periferias do mundo, o autor afirma que os países da periferia não são mais vistos como ?desenvolvidos?, mas sim como áreas de pobreza, cujos emigrantes ameaçam os ?países democráticos?.

De acordo com Chesnais, há atualmente um processo de homogeneização da demanda a ser atendida a nível mundial e um nivelamento da cultura, com a produção de distribuição de produtos cultuais cada vez mais padronizados. Ele discorre sobre o papel da mídia para o surgimento de um ?condicionamento subjetivo dos habitantes do planeta?, através da persuasão, e analisa que houve uma reafirmação do papel dos Estados Unidos na dominação capitalista mundial.

Ele cita as idéias de Karl Polanyi, em obra escrita em 1944, e diz que hoje o triunfo da ?mercadorização? é total e que o trabalho humano, mais do que nunca, é uma mercadoria desvalorizada diante do progresso técnico. Além disso, afirma, as leis do mercado introduziram a noção de produtividade e estão submetendo outras questões, como o uso da terra e os terrenos urbanos, à sua lógica mercadorizante. E finaliza (idem, p. 43):

?Este livro dirige-se àqueles cujo primeiro reflexo não é o de submeter-se à ordem ?tal como é?, e sim procurar compreendê-la e discutir sobre ela, para eventualmente esboçar caminhos diferentes dos que nos foram impostos.?

CHESNAIS, F. Decifrar palavras carregadas de ideologia. In.: Mundialização do Capital. São Paulo: Xamã, 1996, p. 21-44.


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