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O colapso da modernização



O capitalismo, e não o socialismo, está em vias de extinção. Essa é uma das conclusões centrais do livro "O Colapso da Modernização", obra do marxista e filósofo alemão Robert Kurz, lançado um pouco após a queda do muro de Berlim. E essa é a idéia defendida especificamente no capítulo que analisamos, intitulado ?crise do sistema mundial produtor de mercadorias?.

Durante toda sua análise, Kurz são freqüentes expressões como ?colapso global?, ?sociedades pós-catasfróficas?, ?desindustrialização?, ?ondas de especulação? e ?bancarrota gigantesca?, entre outros, para enfatizar que a crise do sistema capitalista vai ocorrer em âmbito mundial e em escala planetária num curto espaço de tempo, pois já se configura no horizonte indícios desse processo.

Para ele, a quebra das economias socialistas explicitaria, na realidade, os impasses do sistema global. ?O ocidente não ficará imune aos colapsos de outras partes do mundo? (Kurz: 1992, p. 185), pois os que ?caíram fora? não terão uma paciência infinita e mesmo com a anulação do conflito de sistemas da era pós-guerra, não haverá uma ?paz eterna?, já que o mercado mundial não permite isso. Para ele, o mundo único não poderá conter as revoltas de fome e desespero de todas as partes do mundo, apesar de todo poder policial internacional para

reprimi-las, porque essas revoltas tendem a aumentar em vez de diminuir, com a característica de transcorrem em sociedades pós-catastróficas.

De acordo com Kurz, esses desgastes já podem ser observados no setor econômico, com desemprego em massa e destruição de capital, repercutindo no ocidente com imigração em massa e terror, além dos desastres ambientais. No entanto, ele argumenta que ainda haverá uma última corrida deslumbrada do princípio da rentabilidade antes do fim iminente, mas já é visível o processo de desindustrialização em várias partes dinâmicas do mundo, além da destruição do poder aquisitivo, desemprego, criando verdadeiras áreas de Terceiro Mundo dentro do Primeiro. O autor também explica que nessa última corrida acontece um processo de endividamento mediante fluxos comerciais internacionais e uma onda especulativa mundial, que tem como conseqüência ?a ilusão de que a solvência do Ocidente fosse praticamente inesgotável? (idem, p. 203).

Ele acredita que ?o colapso definitivo da especulação global causará também a ruína do sistema internacional de crédito? (idem, p. 204), e esse será o início da crise, que terá uma mesma causa para todas as partes do sistema mundial produtor de mercadorias: ?a diminuição histórica da substância de trabalho abstrato, (...) alcançada pela mediação da concorrência? (idem, p. 204).

Ao final do capítulo, Kurz afirma que provavelmente, ?o mundo burguês do dinheiro total e da mercadoria moderna (...) entrará numa era das trevas, do caos e da decadência das estruturas sociais, tal como jamais existiu na história do mundo? (idem, p. 207), e reforça que esse desastre da modernização atingirá também seu causador: o Ocidente.

KURZ, Robert. A crise do sistema mundial produtor de mercadorias. In: O colapso da modernização. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 185-207.



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