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Conquistar: as razões da vitória




As razões da vitória. Se o resultado da conquista é um mistério, por que a vitória? Pergunta-se Todorov. Para responder, procura antes delimitar o fenômeno da conquista nas fronteiras mexicanas.

Pretende usar como fonte a literatura da fase de conquista. Justifica o uso desta em lugar dos relatórios do próprio Colombo, por achar que estes podiam conter falsidades, tecnicamente falando. Além do mais, este capítulo  quer tratar do acontecimento conquista, não mais de uma experiência do homem Colombo. Os documentos , nesta perspectiva, devem ser analisados como fontes de informação.


O tratamentos desses relatos como fontes sobre o acontecimento da conquista é justificável na medida em que se não as levarmos em conta não teremos outros para substituí-los. Textos que devem ser tratados de forma crítica, levando-se em conta o ato e as circunstancias de sua enunciação. E também não se deve dar mair relevância com um critério de verdade, em último caso, esses textos poderão vir a ter grande significado para a História das Ideologias.


O autor passa então a enunciação das etapas do processo de conquista. E daí,levanta uma questão básica em seu estudo, sobre o comportamento de Montezuma: se seu fechamento era decorrente de motivos pessoais ou culturais.


O comportamento de Montezuma tem intrigado historiadores: um louco ou um sábio? Bernal Díaz e Pierre Martyr atribuem  tal comportamento a preocupação do imperador com a unidade de seu império, porém sua atitude passiva não correspondia ao desejo geral dos astecas, tanto que assim que morre Montezuma, os novos dirigentes do Império expulsam os espanhóis do solo mexicano.


Numa segunda fase do encontro do velho com o novo mundo, observamos a adesão de diversos grupos indígenas a Cortez contra o centro do Império, e, vale destacar, a habilidade com que Cortez explora as dissensões internas. O auxílio dos tlaxcaltecas é de vital importância para a vitória dos espanhóis no México. Esse apoio se dá em troca de privilégios concedidos pela Coroa. Existe também uma ânsia por parte dos indígenas de se libertarem do jugo asteca, daí verem os espanhóis como um mau menor (senhor que está a distancia). Estes só estavam a procura de benefícios imediatos: ouro, mulheres, escravos.


Os espanhóis se reconhecem como conquistadores igualmente aos astecas, também invasores. Ambos se mostram temerosos e respeitosos ao grandioso passado asteca, daí procurarem se legitimar aos olhos da população assumindo uma continuidade do reino de Montezuma.


Essa assimilação de certas referências dos vencidos se dá no âmbito da religião: põe-se abaixo os ídolos astecas e em seus lugares colocam-se outros, ou seja, preservam-se os locais de culto. Da mesma forma, os lugares (postos, funções) que ocupavam os antigos religiosos, serão ocupados pelos padres espanhóis. A estratégia espanhola de embarcar as populações passa pela preocupação com as continuidades.


O autor apresenta tres fatores que propiciaram a vitória espanhola: ambiguidades comportamentais de Montezuma; divisões internas; superioridade bélica incontestável dos espanhóis, embora não dê conta do fenômeno quando é considerada a relação numérica entre os lados em questão. Todorov não pretende aqui negar a importância do posicionamento de Montezuma, das cisões políticas internas, da superioridade bélica dos espanhóis, da pressão religiosa e do impacto das epidemias. Busca encontrar nesses fatores algo que lhes seja comum para tentar uma articulação, podendo a partir daí, descobrir outros fatores que tenham passado despercebidos.


Sob essa perspectiva de trabalho tende a levar em conta a visão do índio sobre sua derrota, geralmente encarada como uma manifestação poética. Para os maias e os astecas a derrota sucedeu porque houve uma crise na comunicação entre eles e os deuses. Não existia mais nenhum sábio de grande expressão e os deuses calavam-se diante de suas súplicas.




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