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Conquistar: Montezuma e os signos




Montezuma e os signos. Aqui o autor trabalha um ponto interessantíssimo: a linguagem dos povos pré-colombianos, o caráter interpretativo de seu universo linguístico e simbólico bastante elaborado. Com isso, põe-se em dúvida o argumento de inferioridade da população americana em relação aos conquistadores.


Esse jogo interpretativo das mensagens e da linguagem se manifesta em duas formas: interpretação pré-estabelecida obtida a partir do dia do calendário; e acontecimento incomum que será compreendido como presságio (geralmente nefasto). Nada acontece por acaso, o novo tem sempre que vir antecipado por um presságio,para ser encaixado na ordem; explicado e compreendido. O mundo do homem pré-colombiano é super-determinado.


A decodificação das mensagens, a comunicação com o mundo através de indícios e presságios predominava na vida dos índios. No entanto, é reservado um lugar para o reconhecimento do fato em si, que se daria por uma coleta de informações. Exemplifica com a rede de informações de Montezuma para manter-se informado sobre as posições dos espanhóis.


Entretanto, mesmo essa rede de coleta de informações não pertence exclusivamente ao domínio da comunicação inter-humana. Montezuma se recusa a comunicar-se com Cortez, fica mudo como morto. Por trás dessa recusa há o reconhecimento de um mau presságio. Para resolver o problema da chegada dos espanhois, Montezuma se utiliza de informações que recebe, logo dos fatos, mas em maior grau da correspondência que travava com os deuses para discernir sobre qual seria seu comportamento.


O imperador abala-se diante dos espanhóis, fica inerte. Segundo Todorov, isto se deve a divergência linguística e representativa a nível de visão de mundo entre duas partes. Com os outros povos da América, Montezuma era capaz de estabelecer uma comunicação mais inter-humana, além de usar seu sistema de previsão. Em relação aos espanhois,ocorre uma discrepância na comunicação,uma imprevisibilidade de suas atitudes,tudo decorrente da diferença entre os dois mundos.


A confirmação dessa visão de mundo dos indígenas pode ser apreendida nos relatos posteriores a conquista, onde justificam e entendem sua derrota como pré-determinada pelos maus presságios que antecederam a vinda dos espanhóis. Tudo leva a crer, que esses presságios contidos nesses relatos pós-conquista foram inventados a posteriori. Servindo, portanto, para enquadrar a derrota em seu sistema temporal, histórico. De acordo com essa visão de mundo (em que se privilegia a comunicação homem/mundo) o índio cria uma imagem deformada do espanhol, não percebe a identidade humana do outro, despreza os povos mais distantes (os diferentes) por achá-los inferiores.


Essa primeira reação do índio ao encontro com o espanhol, não durará muito, mas o suficiente para marcar a submissão da América a Europa. Todorov tem uma hipótese para a derradeira vitória dos espanhóis sobre os índios da América: a incontestável superioridade daqueles na comunicação inter-humana. A vitória dessa perspectiva significou um recalque na capacidade do homem moderno de desenvolver uma comunicação com o mundo.


Todorov justifica-se apresentando Cortez como uma personagem histórica interessada antes em compreender, informar-se. Daí procurar um intérprete para garantira compreensão da língua e assim reunir informações. ?A conquista da informação leva a conquista do reino?. Após o período de compreensão, coleta de informações, segue-se a fase de construção de discursos, de símbolos para uma melhor manipulação das informações recebidas através dos informantes de Montezuma, o que servirá para confundí-lo e ao mesmo tempo, para legitimar Cortez como no plano do imaginário indígena. Nisto Cortez trabalha habilmente, tem o dom da retórica: ?...sabia conquistar a atenção dos caciques com boas palavras? e de seus homens: ?às vezes o capitão nos dirigia belíssimos discursos?. Essa capacidade de Cortez em assimilar e saber utilizar atinge o ápice quando consegue estabelecer uma relação de identidade entre o mito de Quetzalcoatl e Carlos V, posteriormente consigo mesmo. A partir daí, está garantida uma legitimidade junto aos índios e mais, uma justificativa para eles da derrota, ou seja, essa força da correlação com o mito automaticamente, enquadra a chegada do homem branco no universo do indígena americano.


A conquista significou para os povos da América a preeminência do comportamento individual sobe o social; e para os europeus valeu para a constatação a utilidade pratica da língua num momento de embate entre duas culturas.





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