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O Insuportável Brilho dos Estados Unidos





A socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa, diante da vinda do presidente Bush ao Brasil, que muitos dizem, com razão, ser tardia para barrar a influência exercida por Hugo Chavez, expõe neste artigo reflexões sobre o agudo sentimento antiamericano existente na América Latina. Se por volta de 1700, diz ela, as colônias que compunham os impérios espanhol e português pareciam sinalizar para um futuro pleno de êxito se comparadas com as da América do Norte, por fatores culturais ligados ao tipo de colonização inverteu-se a situação e os Estados Unidos, de país agrícola produtor de matérias-primas, se converteram em potência industrial e na nação mais poderosa do mundo. Ao poderio industrial, financeiro e bélico os norte-americanos adicionaram o primado científico e, a partir de 1923, começaram a conquistar prêmios Nobel de medicina, de física, de química. Foram os primeiros a fazer a bomba-atômica, o reator nuclear, a mandar o homem à lua. Práticos, objetivos, criativos, determinados, construíram uma - novus ordo seculorum - a partir do espírito liberal que privilegia a democracia e o respeito às leis. É brilho demais a ofuscar de modo insuportável os latino-americanos que, no fundo, sonham ser os Estados Unidos. O que prevaleceu na América Latina foram as sociedades desiguais, o isolamento entre as camadas sociais, a miséria, o analfabetismo, a falta de minorias seletas que comandasse o processo emancipatório, a inexistência do espírito associativo, os governos perdulários, os caudilhos incompetentes, a corrupção endêmica. Esses fatores geraram o atraso econômico e para nos libertarmos da síndrome do fracasso, preferimos descarregar nossas frustrações em possíveis culpados, aqueles que seriam responsáveis pelos problemas que nós próprios criamos. Culpamos de Colombo a Bush pelas nossas mazelas esquecendo-nos, entretanto, de perguntar o que fizemos por nós mesmos. O êxito insolente dos Estados Unidos tornou-se fator de amargura para nós (Jean-François Revel). Não só antigamente se gritava ? fora ianque, pois, vimos, quando da visita de Bush, que hoje é a mesma coisa: as esquerdas se manifestaram agitando bandeiras vermelhas pelo Brasil afora. Entretanto, não vemos passeatas ou manifestações contra a corrupção, a violência, os impostos escorchantes, a má qualidade da saúde e da educação, o pífio crescimento econômico. Nós, filhos dependentes do pai-Estado, estamos felizes transferindo nosso capital para os políticos profissionais ou para países amigos como, por exemplo, a Bolívia. Yes, nós amamos Chávez e odiamos Bush, conclui a socióloga. (Resumo de Eni Martin)


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