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Enterrem Meu Coração na Curva do Rio.



"Fizeram-nos muitas promessas, mais do que me posso lembrar, mas eles nunca as cumpriram, menos uma: prometeram tomar nossa terra e a tomaram."
Nuvem Vermelha, dos Sioux Oglala Teton.

A obra-prima do historiador norte-americano Dee Brown, resultado de uma profunda pesquisa a respeito das consequências sangrentas da colonização dos Estados Unidos pelo homem branco. Publicado em 1970, mudou radicalmente a maneira de se pensar a conquista do Velho Oeste, desmistificando a visão hoolywoodiana dos bondosos e heróicos mocinhos brancos, contra os ardilosos vilões de pele vermelha.
Sua importância no que tange à demolição da história contada pela ótica do conquistador, é tamanha, que esta obra já foi traduzida para dezessete línguas e vendeu quatro milhões de cópias, tornando-se o livro mais importante a respeito do assunto, e o relato mais fidedigno sobre o genocídio praticado contra os povos nativos norte-americanos.

O livro nos tira do campo das idéias pré-moldadas pela indústria da propaganda e da ilusão, e joga em nossa cara a realidade crua da perversa alma do ser humano dito ?civilizado?, nele são os renegados ?selvagens? que tentaram a todo custo, conviver pacificamente com o inescrupuloso invasor e a ganância de um império em formação, que por ter superioridade tecnológica bélica, não se furta a ceifar quantas vidas forem necessária em prol do suprimento de suas necessidades fúteis. É triste e trágico, mas é real, sem firulas e sem ?panos quentes?.

Versando sobre um tema extremamente complexo, o autor impressiona por usar uma linguagem de fácil entendimento, o que prende a atenção do leitor até a página final. Os capítulos são estruturados a partir das grandes batalhas, que são expostas com tanto realismo que fica impossível para o leitor não esboçar sua repulsa com a forma com que os homens brancos agem, e sua indignação por evidentemente ter feito parte disto, mesmo que indiretamente.

É impossível não encarar este livro como uma latente crítica à forma de política imperialista, egoísta e agressiva utilizada pelos Estados Unidos há décadas e gera protestos mundiais. O ocaso das milhares de nações indígenas tanto da América do Norte, quanto do restante do continente, nos faz encarar o holocausto dos judeus, e tantos outros genocídios tão propagados pela história contemporânea, como ?pequenos incidentes?, que ganharam grandes proporções de divulgação, tão somente por se tratar de atos cometidos contra ?brancos?.

Repleto de passagens tocantes e marcantes, Enterrem Meu Coração na Curva do Rio é um dos mais perfeitos casamentos entre literatura e pesquisa histórica que já foi produzido. Há de se destacar o trecho em que o líder da nação Sioux, Nuvem Vermelha (quem proferiu a frase de introdução a este ensaio), é conduzido a capital federal, Washington, para uma conversa com o então presidente da república, Ulysses S. Grant, a quem chama de ?Grande Pai Branco?, neste trecho, o autor consegue demosntrar de forma magistral o choque de culturas enfrentado pelo líder indígena, ao vislumbrar pela primeira vez a grandiosidade das contruções da ?enorme aldeia? do homem branco e seus costumes estranhos.

Outro trecho marcante versa sobre as condições de vida dentro das reservas criadas para acondicionar os nativos, locais sem saneamento, onde proliferavam doenças de todas as espécies, sem terras cultiváveis, o que os deixava na dependência da escassa comida fornecida pelo homem-branco, não sendo raro a morte de diversos índios por inanição. Estas reservas funcionavam mais como campos de concentração, já que não restava aos nativos o arbítrio de permanecer ou não alí, e desta forma, os que dalí se evadiam, eram implacavemente caçados como prisioneiros fugitivos.

Em meio a este turbilhão de informações estarrecedoras, somos arrebatados pelo estranho sentimento de saber como viviam nações que somente até o momento conheciamos apenas pelos nomes em breves menções nos livros de história como os Apaches, Cheyennes, Siouxs e Navarros, e por figuras históricas como: Cochise, Touro Sentado, Jerônimo e Cavalo Louco. Povos e figuras que nos foram apresentados como meros personagens coadjuvantes, quase fictícios, em uma encenação fantasiosa da saga da civilização ocidental.

O livro quando realiza o contraste entre os hábitos dos indígenas e os do homem branco, deixa claro que não há uma sociedade tão fundamentada no respeito à natureza e à vida como a índigena. Nenhum de seus conceitos vai ficar como antes, após a leitura deste livro, pois você é apresentado a realidade como ela é, macabra e sangrenta.

E poucos não conseguem se sensibilizar ao saber que fazem parte de uma cultura civilizatória egoísta, ignorante e gananciosa.

Uma obra que sem sembra de dúvidas deve ser lida e relida sob as conjunturas atuais, inclusiva a transpondo para a nossa realidade nacional, que não foi diferente desta em nada, para que possamos sempre ter em mente o alto custo e os baixos escrúpulos envolvidos nos processos que nos levaram a ter a vida como conhecenos atualmente.

Meus outros resumos:
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